Vira e mexe, a internet repercute memes dizendo que a única brasileira que vai conseguir se aposentar é a atriz e apresentadora Maisa Silva, que começou a carreira artística ainda na infância, aos três anos de idade. A brincadeira costuma refletir uma preocupação presente entre diferentes gerações: afinal, como construir estabilidade financeira para o futuro em um país que envelhece rapidamente e vive mudanças constantes no mercado de trabalho?
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua - Rendimento de Todas as Fontes, divulgada pelo IBGE em maio deste ano, mostram que aposentadorias e pensões previdenciárias alcançaram 13,8% da população brasileira em 2025, o equivalente a 29,3 milhões de pessoas. É o maior percentual da série histórica iniciada em 2012.
O levantamento também revela o avanço do envelhecimento nacional. Entre 2012 e 2025, a população acima de 60 anos passou de 11,3% para 16,6%. Ao mesmo tempo, poucos brasileiros conseguem se preparar financeiramente para essa etapa da vida. Segundo a pesquisa Raio X do Investidor, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha, apenas 16% das pessoas que ainda não se aposentaram afirmam guardar dinheiro pensando no futuro.
Para a planejadora financeira Ana Leoni, a aposentadoria ainda é vista como algo distante por grande parte da população. “Há uma cultura de curto prazo muito forte e baixa consciência financeira no país”, diz. Segundo a especialista, que acumula mais de duas décadas dedicadas à educação financeira, muitas pessoas ainda acreditam que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) conseguirá sustentar sozinho o padrão de vida após o fim da vida profissional.
Mas, afinal, o que significa planejar a aposentadoria? Trata-se da organização financeira construída ao longo da vida para garantir renda, estabilidade e tranquilidade no futuro. Isso pode incluir previdência complementar, investimentos e reserva de recursos. Quanto antes esse processo começa, maiores são as possibilidades de adaptação e construção de patrimônio ao longo do tempo.
A seguir, mostramos como iniciar esse planejamento aos 20, 30 e 40 anos.
Aos 20 anos: criar hábito vale mais do que investir alto
No início da vida profissional, a renda costuma ser menor e o orçamento dividido entre estudos, transporte, moradia e primeiros objetivos pessoais. Ainda assim, essa fase oferece uma vantagem importante: tempo para acumular patrimônio.
“O tempo reduz a necessidade de esforço mensal e permite que os juros compostos trabalhem a favor do investidor durante décadas”, explica o professor e líder em Investimentos e Alocação de Ativos do Itaú, Martin Iglesias. Segundo ele, quem começa a investir mais tarde pode precisar fazer um esforço financeiro até duas vezes e meia maior para atingir objetivos semelhantes.
Antes dos 25 anos, porém, o planejamento financeiro não envolve apenas investimentos. Cursos, especializações, idiomas e experiências profissionais também podem ampliar a capacidade futura de geração de renda e aumentar, no futuro, o potencial de investimento para a aposentadoria.
Comece por aqui aos 20 anos
- Organize o orçamento mensal;
- Monte uma reserva de emergência;
- Defina um valor fixo para investir;
- Automatize transferências;
- Pesquise investimentos de longo prazo;
- Invista também em formação profissional.
Aos 30 anos: fase de estruturar o plano
A década dos 30 anos costuma trazer mais estabilidade financeira, mas também aumento das responsabilidades. Financiamento, filhos, despesas fixas maiores e novos objetivos passam a dividir espaço com a necessidade de pensar no futuro. Nessa etapa, muitas pessoas começam a buscar previdência complementar e investimentos mais estruturados para a aposentadoria.
Com renda mais estável, parte das pessoas passa a ter maior capacidade de investimento, mas também enfrenta desafios para equilibrar objetivos de curto, médio e longo prazo simultaneamente. Por isso, a recomendação é que essa fase seja marcada por mais organização, revisões periódicas e aumento gradual dos aportes sempre que houver crescimento de renda.
Com o horizonte mais longo até a aposentadoria, investidores dessa faixa etária costumam conseguir lidar melhor com oscilações de mercado. Isso pode abrir espaço para estratégias voltadas ao crescimento patrimonial, com maior exposição a renda variável, multimercados e investimentos globais dentro de uma carteira diversificada.
Comece por aqui aos 30 anos
- Reavalie gastos fixos;
- Aumente os aportes sempre que possível;
- Diversifique investimentos;
- Pesquise opções de previdência complementar;
- Revise o plano de aposentadoria periodicamente;
- Evite interromper investimentos de longo prazo.
Aos 40 anos: planejamento exige mais estratégia
Chegar aos 40 anos sem uma reserva estruturada não significa que seja tarde para começar. Mas, nessa etapa, o plano costuma exigir mais disciplina financeira, metas bem definidas e acompanhamento constante dos investimentos. Com menos tempo até a aposentadoria, muitas pessoas precisam aumentar os aportes e reorganizar prioridades para acelerar a formação de patrimônio.
Ainda assim, o mais importante é evitar a sensação de que já não vale mais a pena começar. A planejadora financeira Ana Leoni observa que, aos 40 anos, o tempo de acumulação é menor, o que demanda uma estratégia mais cuidadosa e revisões periódicas para avaliar expectativas, prazo de aposentadoria e padrão de vida desejado.
Comece por aqui aos 40 anos
- Faça um diagnóstico da vida financeira;
- Defina metas para aposentadoria;
- Aumente os aportes sempre que possível;
- Reavalie despesas de longo prazo;
- Busque equilíbrio entre crescimento e preservação patrimonial;
- Revise a estratégia com frequência.
Previdência privada, renda fixa ou outros investimentos?
Planejar a aposentadoria requer uma combinação de estratégias financeiras. Diferentes investimentos podem cumprir funções distintas ao longo da vida, como crescimento patrimonial, proteção da reserva acumulada, liquidez para emergências e geração de renda no futuro.
A previdência privada, por exemplo, costuma ser associada ao planejamento de longo prazo e à disciplina de aportes regulares. Já investimentos em renda fixa podem ajudar na construção de segurança e previsibilidade financeira, enquanto outras modalidades ampliam as possibilidades de diversificação e valorização patrimonial. “Não existe uma única ferramenta ideal. O mais eficiente é a combinação delas”, resume Ana Leoni.
Construir uma reserva financeira é importante, mas não é o único aspecto do planejamento da aposentadoria. Mecanismos de proteção patrimonial, como seguros, ajudam a reduzir impactos de imprevistos que podem comprometer a estabilidade da família e a continuidade do plano ao longo da vida.
Previdência complementar: PGBL ou VGBL?
A previdência complementar costuma ser utilizada por pessoas que desejam criar uma reserva para complementar a renda no futuro. “Esse produto evoluiu bastante nos últimos anos e hoje oferece alternativas mais sofisticadas, inclusive com estratégias globais e diferentes classes de ativos”, pontua Martin Iglesias.
No mercado, os dois principais modelos são o PGBL e o VGBL, que possuem diferenças principalmente na forma de tributação.
O PGBL, sigla para Plano Gerador de Benefício Livre, costuma ser mais indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda e contribui para o INSS. Nesse modelo, os valores investidos podem ser abatidos da renda tributável dentro do limite previsto pela Receita Federal. Em contrapartida, no momento do resgate ou recebimento da renda, o imposto incide sobre o valor total acumulado.
Já o VGBL - Vida Gerador de Benefício Livre - é mais utilizado por quem faz a declaração simplificada do Imposto de Renda. Nesse caso, a tributação incide apenas sobre os rendimentos obtidos ao longo do investimento, e não sobre o valor total acumulado.
Antes de escolher um plano de previdência privada, é fundamental avaliar fatores como prazo do investimento, perfil de risco, objetivos financeiros, necessidade de liquidez, taxas cobradas e regras de tributação. Também é importante observar a estratégia dos fundos oferecidos e se o plano está alinhado ao planejamento financeiro.
Como o Itaú pode ajudar nesse caminho
Depois de entender como organizar o planejamento financeiro em diferentes fases da vida, ferramentas digitais e opções de investimento do Itaú podem ajudar a transformar esse processo em algo mais contínuo e estruturado:
O Itaú oferece opções de previdência privada voltadas ao longo prazo, com diferentes perfis de investimento e possibilidade de contribuições periódicas.
Investimentos para diferentes perfis
Além da previdência complementar, o Itaú disponibiliza opções de investimentos para diferentes objetivos e perfis de investidor, permitindo diversificação da carteira ao longo da vida financeira.
Dicas para começar a planejar a aposentadoria
- Comece cedo, mesmo com valores menores;
- Crie regularidade nos aportes;
- Não dependa apenas do INSS;
- Monte uma reserva de emergência;
- Diversifique investimentos;
- Faça revisões periódicas do planejamento;
- Pesquise antes de contratar um plano de previdência privada;
- Entenda aposentadoria como uma meta de vida.
