O dia de Jorge Rodrigues começa já com um cálculo na cabeça: quantas horas precisa rodar para fechar as contas no azul. “Se eu não bato a meta, depois faz falta nos boletos”, afirma. Motorista de aplicativo e pai de três filhos, ele aprendeu que cada quilômetro rodado precisa fazer sentido no fim do mês. Natural de Macapá, no Amapá, ele entrou nessa ocupação durante a pandemia de Covid-19, quando perdeu o emprego de auxiliar administrativo e encontrou no volante uma forma de sustentar a casa.
Em 2024, o amapaense voltou ao trabalho formal, mas manteve os aplicativos como complemento de renda. No ano passado, tomou a decisão de vender o carro antigo, que já não acompanhava a rotina, e comprou um modelo novo, mais econômico, com motor menor e abastecimento flexível. “Foi a forma que encontrei de tentar equilibrar os custos e continuar rodando”, relembra. Hoje, o financiamento depende diretamente das corridas.
A história de Jorge não é isolada. Dados do IBGE mostram que o número de trabalhadores por aplicativos cresceu 25,4% entre 2022 e 2024 no Brasil. Por trás desse avanço, estão trajetórias de pessoas que encontraram no trabalho por app uma alternativa de renda, mas que, junto com a autonomia, passaram a lidar também com os custos e os riscos de transformar o próprio veículo em ferramenta de trabalho.
O carro como fonte de renda exige estratégia
A decisão de qual carro comprar costuma começar pela parcela. É uma referência importante, fácil de comparar e que dá a sensação de controle. O problema é quando ela se torna o único critério.
“O maior erro é olhar só a parcela. Muita gente pensa: ‘se a parcela cabe, está resolvido’, mas esquece que o carro vira uma máquina de custo diário”, destaca o consultor financeiro João Melo. “Combustível, manutenção, desgaste, taxas e impostos… tudo isso ‘come’ o ganho”, complementa o especialista.
Quando o carro passa a ser fonte de renda, a conta ganha outro peso. Deixa de ser apenas a compra de um bem e passa a exigir manutenção constante de uma atividade que precisa se sustentar ao longo do tempo. Isso inclui atravessar dias mais fracos, lidar com despesas que surgem sem aviso e manter o veículo em condições de rodar sem parar.
Antes mesmo de escolher o modelo, há um ponto que costuma ser deixado de lado, mas pesa poucos meses depois: olhar para a própria situação financeira. Ter alguma reserva, entender quanto da renda pode ser comprometida e até onde vai a disposição para assumir riscos ajuda a evitar decisões que pressionam o orçamento no curto prazo.
Quanto custa manter o carro rodando?
Com o carro já inserido na rotina, a percepção de custo se amplia. O gasto não aparece de uma vez só, mas diluído em abastecimentos, revisões, troca de peças, impostos e perda de valor ao longo do tempo. Para entender o impacto, é preciso reunir todos esses elementos e transformar em número mensal. A partir daí, dividir pelo total de dias trabalhados revela quanto custa colocar o carro na rua.
Esse cálculo muda a forma de encarar o trabalho. Em vez de olhar apenas para o que entra, o motorista passa a enxergar quanto precisa faturar para começar a ter retorno. “Tem que tratar o veículo como se fosse um negócio. Soma tudo que envolve o carro no mês, depois divide pelos dias que vai trabalhar. Se ele não souber esse número, ele está trabalhando no escuro”, argumenta João Melo.
É a partir dessa conta que a escolha do carro ganha outras prioridades. Consumo de combustível, custo de manutenção, facilidade de reposição de peças e resistência ao uso intenso passam a pesar mais do que aparência ou itens de conforto. A decisão não elimina os gastos, mas ajuda a mantê-los dentro de uma faixa mais compatível com a renda gerada.
Qual categoria de aplicativo faz mais sentido para o seu carro?
Além do custo de compra e manutenção, vale entender em quais categorias de corrida o veículo pode atuar. Cada plataforma possui regras próprias, que variam conforme cidade e ano do veículo, mas, em geral, elas se dividem em categorias com exigências e potenciais de ganho diferentes.
UberX (ou categorias equivalentes) É a categoria de entrada e concentra o maior volume de corridas. Nela costumam ser aceitos veículos compactos e médios com quatro portas, cinco lugares e ar-condicionado. Entre os modelos mais comuns estão Chevrolet Onix, Hyundai HB20 Sedan, Fiat Argo, Volkswagen Polo, Renault Logan, Chevrolet Prisma, Nissan Versa e Toyota Etios Sedan (desde que atendam ao ano mínimo exigido na cidade).
Comfort Indicada para quem busca corridas com tarifa mais alta. Exige carros mais espaçosos e novos. Entre os modelos frequentemente aceitos estão Toyota Corolla, Toyota Yaris Sedan, Honda City, Honda Civic, Volkswagen Virtus, Nissan Sentra, Chevrolet Cruze, Fiat Cronos e BYD King, observadas as regras específicas de cada município. A Uber também informa que alguns modelos, como Renault Sandero e Hyundai HB20 hatch, deixaram de ser aceitos nessa categoria a partir das atualizações recentes.
Black É a categoria premium da plataforma e reúne sedãs e SUVs de padrão superior. Entre os modelos aceitos em diversas cidades estão Toyota Corolla, Toyota Corolla Cross, BYD Seal, BYD Song Plus, Honda Accord, Caoa Chery Tiggo 7, Jeep Compass, Volkswagen Taos, Audi A4, BMW Série 3 e Mercedes-Benz Classe C, desde que cumpram os requisitos de cor, ano de fabricação e demais critérios definidos pela Uber para cada localidade.
Antes de comprar um veículo, vale consultar a lista oficial da Uber para confirmar se aquele modelo é elegível na sua cidade e em quais categorias ele pode operar. Um mesmo carro pode ser aceito em uma cidade e não em outra, ou mudar de categoria conforme o ano de fabricação.
Entre o faturamento e o desgaste do veículo
A rotina de quem dirige por aplicativo é marcada por variações. Há dias de maior movimento, períodos mais lentos e custos que não desaparecem mesmo quando o carro fica parado. Por isso, mais do que alcançar um bom faturamento em dias específicos, o desafio está na constância. Saber quanto se ganha e quanto se gasta ao longo do tempo permite entender se o esforço está sendo recompensado.
Para isso, registrar valores, identificar padrões e ajustar a jornada quando necessário faz diferença no resultado. Um dia com faturamento alto pode não compensar uma sequência de custos elevados. Também pesa o tempo necessário para que o carro “se pague”. Quanto maior esse prazo, maior a exposição ao desgaste, à desvalorização e a imprevistos mecânicos.
Financiamento pede visão de longo prazo
Para quem não dispõe do valor integral para compra, o financiamento entra como alternativa. É importante considerar o impacto dos juros, o prazo escolhido e a capacidade de manter o pagamento mesmo em períodos de menor faturamento. Parcelas ajustadas ao limite da renda tendem a se tornar um problema diante de qualquer oscilação.
Simular diferentes cenários antes de contratar o crédito ajuda a entender quanto o carro vai pesar no mês, inclusive em fases de menor movimento. Alterar o valor de entrada ou o prazo pode mudar de forma relevante o custo total e o compromisso mensal.
Organização financeira sustenta o trabalho
Na rotina, o que sustenta a atividade não é apenas o volume de corridas, mas a forma como o dinheiro é administrado. Separar ganhos do trabalho das despesas pessoais, registrar entradas e saídas e prever custos futuros ajuda a manter o controle.
Sem acompanhamento, o risco de se enrolar com os boletos é alto. “Para quem vive de renda variável, essa organização funciona como um ponto de estabilidade. É ela que permite atravessar períodos mais fracos sem comprometer o funcionamento do trabalho”, finaliza o consultor financeiro João Melo.
Como o Itaú pode apoiar na escolha e na gestão do carro
1. Financiamento veicular com simulação e acompanhamento completo
O financiamento de veículos do Itaú permite simular diferentes cenários antes da contratação, ajustando valor de entrada, prazo e parcelas. A contratação pode ser feita de forma digital, com análise de crédito e definição das condições diretamente pelo aplicativo
Após a contratação, o cliente acompanha o contrato pelo recurso “Meu Veículo”, onde é possível consultar saldo devedor, parcelas pagas e pendentes e até adiar parcelas em caso de aperto.
2. Consórcio de veículos para quem pode planejar a compra
Para quem não tem urgência em adquirir o carro, o Consórcio Itaú pode ser uma alternativa ao financiamento. Nessa modalidade, não há cobrança de juros nem necessidade de entrada. Você escolhe o valor da carta de crédito e participa de um grupo para comprar um carro novo ou seminovo.
A contemplação acontece por sorteio ou por lance. Embora não seja possível saber quando ela ocorrerá, todos os participantes contemplados recebem a carta de crédito ao longo do prazo do grupo. Quem deseja antecipar a compra pode ofertar um lance, utilizando recursos próprios ou até 30% do valor da própria carta de crédito, aumentando as chances de contemplação.
Outro diferencial é que o valor da carta de crédito e das parcelas é atualizado conforme o mercado, preservando o seu poder de compra até o momento da aquisição do veículo.
3. Controle de Gastos para acompanhar o dia a dia
Dentro Superapp do Itaú, a ferramenta de Controle de Gastos organiza automaticamente as despesas por categoria, como combustível, manutenção e outros custos do veículo, por exemplo.
O recurso permite visualizar quanto está sendo gasto em cada área, identificar padrões e ajustar o orçamento de forma contínua. Com isso, o motorista consegue entender melhor para onde vai o dinheiro e tomar decisões mais conscientes, evitando que pequenos gastos se acumulem sem percepção.
A ferramenta também ajuda a estabelecer limites e acompanhar a evolução financeira ao longo do tempo, contribuindo para manter o equilíbrio entre o que se ganha e o que se gasta.
Dicas para manter o carro e o equilíbrio financeiro
- Avalie sua estrutura financeira antes de assumir o compromisso com o carro;
- Calcule o custo total e transforme em valor diário para orientar decisões;
- Acompanhe ganhos e despesas com frequência, mesmo em períodos de alta;
- Priorize veículos com menor custo de operação e manutenção;
- Simule diferentes condições de financiamento antes de fechar contrato;
- Separe o dinheiro do trabalho das despesas pessoais;
- Reserve parte da renda para manutenção e imprevistos.
