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O que o Inhotim ensina sobre construir um legado que atravessa gerações?

Trajetória de 20 anos do museu mineiro mostra como projetos de longo prazo dependem de planejamento, investimento contínuo e parcerias para permanecer relevantes

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Imagem de obra de Inhotim
Hélio Oiticica, Invenção da cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, 1977, Instituto Inhotim. Foto: Julia Lanari

O que faz um projeto atravessar gerações? Tempo, planejamento e investimento contínuo são alguns dos elementos que sustentam iniciativas capazes de permanecer relevantes. Ao completar 20 anos em 2026, o Instituto Inhotim é um exemplo de como uma instituição cultural pode construir um legado que ultrapassa a arte.

Localizado em Brumadinho (MG), a cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte, o museu foi idealizado pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz e aberto ao público em 2006. Desde então, recebeu mais de 4,5 milhões de visitantes de diferentes nacionalidades e se consolidou como uma instituição que reúne arte contemporânea, jardim botânico, programas de educação e iniciativas de conservação ambiental.

Por trás da experiência de percorrer galerias, jardins e instalações artísticas, há uma operação complexa, que envolve conservação de obras, manutenção de áreas verdes, pesquisa, programas educativos e gestão de recursos. A trajetória do instituto ajuda a compreender conceitos presentes na organização financeira de projetos, empresas e instituições: investimento de longo prazo, sustentabilidade financeira e construção de valor.

Planejar hoje para construir o futuro

Em finanças, investir no longo prazo significa direcionar recursos considerando resultados que serão construídos ao longo dos anos. Diferentemente de decisões voltadas apenas para ganhos imediatos, essa estratégia exige planejamento, continuidade e capacidade de sustentar um projeto durante diferentes ciclos.

No caso do Inhotim, a dimensão do tempo está no centro da proposta da instituição. “Costumo dizer que o tempo do Instituto é outro. Isso vale tanto para a experiência do visitante quanto para a forma como conduzimos nossas atividades. Uma visita ao espaço exige disponibilidade para percorrer caminhos, observar, refletir e construir uma relação mais profunda com o museu”, afirma Paula Azevedo, diretora-presidente do Instituto Inhotim.

A construção de um legado também depende de decisões que garantam sua continuidade no futuro. Em 2022, o Inhotim passou por um processo de institucionalização após a doação formal realizada pelo fundador Bernardo Paz. A mudança fortaleceu a governança e criou novas estruturas para ampliar a sustentabilidade da organização no longo prazo.

O custo de manter vivo um patrimônio

A visita ao Inhotim revela apenas uma parte da estrutura necessária para manter uma instituição cultural desse porte. Obras, exposições, arquitetura e paisagens dependem de um trabalho contínuo de conservação, pesquisa, educação e gestão de recursos. O instituto reúne um acervo artístico de relevância internacional, programas educativos, iniciativas ambientais e um jardim botânico com espécies de diferentes regiões do mundo.

A estrutura inclui 140 hectares de área de visitação e uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) com 250 hectares dedicados à conservação da biodiversidade. “Manter essa estrutura exige planejamento permanente, equipes multidisciplinares altamente qualificadas e um compromisso contínuo com a preservação e a excelência”, ressalta a gestora do Inhotim.

Para garantir a continuidade dessas atividades, a instituição mantém um modelo de financiamento baseado em diferentes fontes de recursos. As ações de educação e os acervos de arte e botânica são mantidos por aportes de pessoas físicas e jurídicas, de forma direta ou incentivada, com apoio das leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura, além da bilheteria e da realização de eventos.

Patrocínio cultural como investimento social

O patrocínio cultural integra o modelo de investimento social privado, em que empresas destinam recursos para iniciativas capazes de gerar impacto positivo na sociedade. Essas parcerias contribuem para preservar patrimônios culturais, ampliar o acesso da população à arte e fortalecer a cadeia produtiva da cultura.

O Itaú, patrocinador master do Inhotim, direciona seus investimentos em cultura para iniciativas que promovem a valorização da cultura brasileira, geram impacto social e contribuem para transformações de longo prazo. De acordo com Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do banco, o investimento em cultura integra a trajetória da instituição há mais de cinco décadas. “Por meio de institutos, fundações, iniciativas de investimento social privado e mecanismos de incentivo cultural, apoiamos projetos, artistas e instituições em diferentes regiões do país”, destaca.

Segundo ela, a cultura produz efeitos que ultrapassam as manifestações artísticas. “Ela contribui para a formação das pessoas, fortalece identidades, promove inclusão e movimenta a economia ao estimular cadeias produtivas, inovação e oportunidades de trabalho e renda”, explica.

Além do Inhotim, o Itaú mantém parcerias de longa data com instituições culturais brasileiras de diferentes regiões do país, como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), os Museus de Arte Moderna (MAM) de São Paulo e do Rio de Janeiro, além do Museu Nacional e do Museu do Amanhã, ambos localizados na capital fluminense.

A atuação inclui ainda iniciativas de transformação social por meio da arte e da cultura, como o Ballet Paraisópolis, o Instituto Baccarelli e o Ária Social, além do apoio a bienais do livro e festivais de literatura, fotografia e cinema em diferentes estados brasileiros. “A democratização do acesso à cultura passa pelo fortalecimento de ações de fruição, fomento e formação, pela descentralização das atividades, pelo investimento em recursos e pela inclusão tecnológica e digital”, finaliza Luciana Nicola.

Cultura, território e desenvolvimento

Um legado também pode ser medido pela capacidade de transformar o entorno. Em Brumadinho, o Inhotim estabeleceu uma relação direta com a comunidade local. Atualmente, 70% dos colaboradores da instituição são moradores da cidade e de municípios próximos.

Além da geração de empregos, o instituto mantém programas voltados à educação e ao território. A presença do museu também movimenta atividades econômicas relacionadas ao turismo, hotelaria, gastronomia, comércio e serviços.

“A integração entre arte, natureza e educação sempre esteve no centro da atuação do Inhotim. Muito antes de conceitos como ESG (sigla em inglês para práticas ambientais, sociais e de governança) se tornarem amplamente discutidos, a instituição já compreendia que cultura, meio ambiente e desenvolvimento social são dimensões inseparáveis”, salienta Paula Azevedo.

Para os próximos anos, o Inhotim busca fortalecer a sustentabilidade da instituição e ampliar a relevância como referência em arte, natureza e educação. “Acima de tudo, o objetivo é fazer do Inhotim um modelo de sustentabilidade para equipamentos culturais”, conclui a diretora-presidente do instituto.

Serviço

Instituto Inhotim

Localização: Brumadinho (MG), a 60 km de Belo Horizonte.

Horários de visitação

  • Quarta a sexta-feira: das 9h30 às 16h30.
  • Sábados, domingos e feriados: das 9h30 às 17h30.
  • Em janeiro e julho, o instituto também abre às terças-feiras.

Ingressos

  • Inteira: R$ 65.
  • Meia-entrada: R$ 32,50.
  • Entrada gratuita
  • Todas as quartas-feiras.
  • Últimos domingos do mês (mediante retirada prévia).
  • Moradores de Brumadinho cadastrados no programa Nosso Inhotim.
  • Amigos do Inhotim.
  • Crianças de 0 a 5 anos.

Mais informações

www.inhotim.org.br.

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