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Descanso também é investimento: o valor emocional das férias

Especialistas em finanças e bem-estar listam as melhores práticas para desconectar, otimizar o descanso e voltar ao trabalho com foco máximo

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Por Redação Feito.Itaú em
Mulher descasando em uma varanda, com mar ao fundo

Na corrida frenética por resultados do dia a dia, muitos veem o período de férias apenas como uma pausa ou pior, como uma despesa. No entanto, o tempo de descanso é o investimento pessoal mais estratégico que se pode fazer. Mais do que um luxo, a desconexão verdadeira funciona como um aporte  em sua saúde mental, gerando retornos emocionais e de produtividade que nenhum ativo financeiro é capaz de entregar. Entenda por que parar é a melhor forma de avançar.

O custo de não parar

A escritora Izabella Camargo, autora do livro “Dá um tempo! Como encontrar limites em um mundo sem limites” (Ed. Principium; 280 págs), alerta que existe uma cultura de que estar sempre ocupado é sinônimo de valor. No entanto, tanto a ciência quanto os especialistas apontam para o perigo desse mito. A sobrecarga pode levar ao estresse crônico, à ansiedade e, em casos mais graves, à Síndrome de Burnout, um esgotamento que tem custos altíssimos para a saúde, para as relações pessoais e para a carreira.

mulher nega sentada aprecisando o por do sol enquanto segura um caderno de anotações
Imagem gerada digitalmente

Cada um baseia a sua perspectiva de valor naquilo que acredita. Mas muitas pessoas já entenderam que se não desacelerarmos, não avançamos!”, acredita Izabela, idealizadora do movimento pela criação dos EPIs da Saúde Mental (2023) e do conceito de Produtividade Sustentável, que defende o equilíbrio dinâmico entre o tempo de produção e o tempo de recuperação), tratando a saúde mental e o autocuidado como o combustível essencial para que a alta performance seja mantida a longo prazo.

“Se não desacelerarmos, não avançamos”

O descanso, portanto, não é o oposto da produtividade: é o alicerce. É durante o ócio que o cérebro processa informações, consolida memórias e ativa a Rede de Modo Padrão (DMN), essencial para a criatividade, o planejamento e a reflexão. O famoso "ócio criativo" não é preguiça; é o tempo em que a mente, livre das demandas, conecta pontos aparentemente desconexos, levando a novas ideias e soluções.

“Se eu não descanso, eu não recupero! O primeiro passo é reconhecer que é preciso colocar limites no trabalho. As férias são um recurso que você precisa respeitar”, ressalta Izabella.

Planeje suas férias como um investimento acessível

A ideia de que férias perfeitas exigem dinheiro alto, geralmente, é o que mais provoca ansiedade e frustração. No entanto, os melhores dias de descanso são aqueles que proporcionam a desconexão real e a restauração da mente. E isso é totalmente possível com planejamento e foco em experiências simples e para todos os bolsos.

Para Thiago Godoy, autor do livro "Emoções Financeiras: um guia para transformar a sua relação com o dinheiro em liberdade" (Ed. Gente; 192 págs.), não devemos encarar as férias como luxo, mas sim como uma pausa estratégica. “Quando as férias são bem planejadas, estamos usando o nosso dinheiro de uma forma consciente para repor energia, fortalecer os vínculos de amizade e preservar a nossa saúde mental”, explica, ressaltando que, por isso, é importante planejar os dias de descanso com antecedência.

Como aproveitar suas férias sem culpa

Passo 1: A organização que traz calma

Nada sabota mais as férias do que o estresse de uma dívida inesperada. A tranquilidade mental durante o descanso passa diretamente pela certeza de que o orçamento está sob controle. Godoy ensina que planejar a viagem transforma o que “parece ser um gasto” em investimento. “Com antecedência se consegue negociar melhor os preços de praticamente tudo. Assim, a pessoa não se endivida, aproveita mais a experiência e acaba voltando das férias renovado, sem se preocupar com os boletos que vai ter que pagar.”

Anote algumas dicas:
  • Defina um teto de gastos antes de viajar. O planejamento financeiro não é uma restrição, mas uma ferramenta de liberdade. Você pode utilizar os Cofrinhos, no Superapp, para definir essa meta. Além de poupar, eles rendem 100% no CDI. Godoy aconselha a poupar uns 10% do valor previsto para viagem para possíveis imprevistos. “Por exemplo, se pretende poupar R$500 por mês, guarde $50 para reserva”;
  • Outra ferramenta essencial do Superapp é o Controle de Gastos. Nela, você pode fazer sua gestão financeira para acompanhar os gastos em tempo real e saber exatamente para onde seu dinheiro está indo, quais são os gastos que estão passando da conta e podem ser revistos;
  • Monitore os lançamentos no cartão de crédito via app. Essa pequena checagem diária ou semanal, rápida e objetiva, evita que a euforia da viagem se transforme em ansiedade na volta. Para ajudar a controlar ainda mais os gastos, ative o Ajuste de Limites, assim você terá a certeza de que não ultrapassará sua cota.
  • Faça um investimento de renda fixa cuja data de vencimento seja para um pouco antes da viagem, como um CDB ou Tesouro Selic pré-fixados. A consultoria Inteligência de Investimentos Itaú pode te auxiliar a conhecer e escolher as melhores opções.

Passo 2: Viagem para todos os bolsos

mulher aproximando o celular de uma máquina de cartão de crédito
Foto: Oscar M Sanchez/ Shutterstock

Viajar, mesmo que para perto, é a forma mais eficaz de quebrar a rotina e ativar o cérebro com novos estímulos. Não confunda valor emocional com valor financeiro. Com o planejamento pronto, escolha a experiência que cabe no seu orçamento.

Thiago Godoy recomenda uma pausa de no mínimo 15 dias por ano. “Dessa maneira, você reduz o estresse, melhora a sua clareza mental e a capacidade de tomar boas decisões. Inclusive financeiras!”, afirma o educador.

“A pausa não é um luxo, é a manutenção do seu principal ativo: você”, Thiago Godoy

Passo 3 -  Otimize o capital mental

Um dos maiores erros cometidos pelos viajantes é levar as pendências do trabalho na bagagem. O primeiro passo para o descanso é o planejamento da ausência.

  • Defina limites rígidos e comunique: avise com antecedência sua equipe, clientes e chefia sobre seu período de ausência. O essencial é desligar as notificações de e-mail e aplicativos de trabalho no celular. A sua mente precisa de uma folga digital para realmente se regenerar.
  • Agende o ócio criativo: não planeje todos os minutos das suas férias. Deixe os blocos de tempo vazios na sua agenda (de 2 a 3 horas por dia, por exemplo) para "não fazer nada", ler, ou simplesmente observar o movimento. O ócio, quando intencional, é uma forma de terapia.
  • Pratique a pausa, esteja presente no momento. Se você está deitado na rede, sinta o vento. Se está com a família, ouça ativamente. Apreciar o momento simples é a chave para a restauração da atenção e para fugir do piloto automático.

Passo 4. Planejando a paz mental na estrada

Uma viagem só é relaxante se for flexível. Evite o erro de criar um roteiro tão cheio quanto sua agenda de trabalho.

  • Defina apenas uma atividade principal por dia, deixando o restante do tempo para o ócio e a espontaneidade. É na liberdade de não ter que cumprir horários que o cérebro realmente descansa.
  • Opte por passar mais tempo em menos lugares. Ficar mais dias em um único destino reduz custos de transporte e elimina o estresse de fazer e desfazer malas constantemente.
  • Garanta que você durma a quantidade de horas necessária para regenerar o corpo e a mente. E procure ativamente o contato com a natureza, seja um parque no centro da cidade ou uma praia distante. Estar em ambientes naturais é comprovadamente eficaz para reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse.
  • Use o tempo livre para se dedicar a hobbies simples, como a leitura, a fotografia ou apenas observar o movimento do lugar. Esse tempo dedicado à reflexão e à contemplação é o que realmente repara o cérebro.

Passo 5. Mantenha o investimento: o retorno e a rotina pós-férias

O retorno das férias não pode significar o fim imediato do seu bem-estar. O último passo é prolongar o descanso mental conquistado nos dias de folga. Izabella Camargo aconselha que, se possível, não agendar o retorno ao trabalho para o dia seguinte ao da chegada. Reserve um ou dois dias para desempacotar, organizar a casa e retomar a rotina gradualmente. Esse pequeno intervalo entre as férias e a “vida real” evita o choque do retorno e a perda imediata da sensação de relaxamento.

“Você já sabe que quando voltar terão coisas acumuladas, que vai precisar viver uma fase de readaptação, então não se coloque no lugar de culpa por ter ficado ausente. O problema não está no retorno das férias, está como você encara essa volta”, diz a educadora.

Thiago Godoy complementa que é importante trazer para a sua rotina semanal as pequenas práticas de descanso que funcionaram nas férias, como o momento de leitura no parque, um cochilo no fim de semana ou o hábito de desligar o celular uma hora antes de dormir. “O segredo é tratar o descanso como uma prioridade no seu orçamento, e não como um prêmio eventual.”

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