Da busca por informações ao apoio em tarefas do dia a dia, a inteligência artificial está cada vez mais presente no cotidiano. Agora, ela começa a ganhar espaço também na organização das finanças pessoais. A pesquisa “Consciência e prosperidade: a nova relação do brasileiro com o dinheiro”, realizada pelo Itaú Unibanco em parceria com o Grupo Consumoteca, mostra que 65% das pessoas querem que a tecnologia ajude a orientar o orçamento, mas sem assumir o controle das decisões. Ao mesmo tempo, 80% afirmam que desejam aprender a administrar melhor os próprios recursos.
Para o especialista em inteligência artificial Denis Paes Barreto, esse comportamento revela uma relação equilibrada entre confiança e autonomia. “As pessoas não rejeitam a tecnologia, elas a querem do seu lado, não no seu lugar. Com dinheiro, isso se intensifica porque a decisão financeira carrega identidade, história e consequências reais. Ninguém quer delegar para uma máquina aquilo que define como vivemos, moramos e o que comemos. O que esse dado mostra, na verdade, é a maturidade do brasileiro que está aprendendo a usar IA como ferramenta, não como oráculo”, pontua
Tecnologia como aliada do planejamento
Esse movimento ocorre em um contexto em que a inteligência artificial já faz parte de diversas atividades do cotidiano. Ferramentas baseadas em IA são utilizadas para buscar informações, auxiliar na produção de textos ou apoiar processos de aprendizado.
Com essa familiaridade, a tecnologia começa a ser explorada também na organização do dinheiro. Sistemas inteligentes conseguem, por exemplo, categorizar gastos automaticamente, identificar padrões de consumo, projetar fluxos de caixa domésticos e simular cenários financeiros. Essas análises ajudam o usuário a visualizar melhor seus hábitos e avaliar decisões com mais informação.
“A IA pode e deve funcionar como um copiloto inteligente: analisar padrões, antecipar riscos e sugerir rotas. Mas a decisão final precisa ser humana, porque envolve valores, prioridades e contextos que nenhum algoritmo ainda consegue capturar completamente”, enfatiza Paes Barreto.
Equilíbrio entre orientação e autonomia
Apesar do interesse crescente por recomendações automatizadas, apenas 14% dos brasileiros aceitariam que a inteligência artificial tomasse decisões financeiras por eles, segundo a pesquisa.
De acordo com Marina Roale, head de Insights do Grupo Consumoteca, “a tecnologia deixa de ser apenas um meio de transação e passa a ocupar também um papel educativo, ajudando as pessoas a compreender e planejar sua vida financeira de forma mais consciente. O brasileiro está aprendendo a lidar com o dinheiro e, agora, espera que os serviços financeiros também aprendam a lidar com ele. Isso significa atuar como aliados reais, capazes de reduzir a ansiedade em torno das finanças e apoiar a construção de um futuro mais próspero”, garante.
O estudo também destaca a importância da linguagem simples e da transparência sobre o funcionamento das ferramentas de inteligência artificial, fatores fundamentais para fortalecer a confiança das pessoas na tecnologia.
Quando a IA ajuda a reduzir a ansiedade financeira
Para muita gente, falar de dinheiro ainda provoca desconforto ou insegurança. Não saber exatamente quanto se gasta ou quanto se deve pode gerar uma sensação constante de instabilidade. Nesse cenário, a inteligência artificial pode contribuir ao organizar informações financeiras e tornar a situação mais clara.
“Boa parte da ansiedade financeira vem da incerteza. Quando você não sabe quanto deve, quando vence sua próxima conta, ou se vai conseguir fechar o mês, a mente preencherá esse vácuo com medo. A IA pode reduzir essa incerteza ao organizar a informação de forma transparente. Quando a pessoa tem visibilidade sobre sua situação financeira, mesmo que não seja uma situação boa, ela é capaz de agir”, explica Paes Barreto.
Do primeiro investimento ao hábito de planejar
Foi justamente a busca por mais clareza sobre o próprio dinheiro que levou a enfermeira amazonense Marcela Monteiro, de 29 anos, a começar a usar ferramentas de inteligência artificial para entender melhor suas finanças. Durante muito tempo, ela adiou a decisão de investir por achar o tema complexo demais. “Parecia que precisava entender tudo antes de começar”, relembra.
A mudança aconteceu quando passou a usar assistentes de IA para tirar dúvidas simples, como diferenças entre tipos de investimento ou simulações de rendimento. Com perguntas diretas e respostas rápidas, Marcela começou a estruturar seu próprio plano financeiro: organizou despesas, definiu metas de economia e deu os primeiros passos no universo dos investimentos.
Para ela, a tecnologia funciona como um ponto de partida para entender cenários e organizar o planejamento. “Gosto de usar a IA para comparar opções. Mas a decisão final sempre é minha, porque eu sei o que é prioridade para mim e para a minha família”, conta.
IA como suporte para decisões financeiras
No Itaú, a inteligência artificial já está presente em diferentes soluções voltadas à organização financeira e à tomada de decisões. “Ter a IA como um ‘copiloto’ é uma forma relevante de suporte para reduzir a ansiedade em torno do dinheiro e para conquistar mais autonomia financeira. Entendemos que o papel da tecnologia é promover mais bem-estar financeiro, por meio do acesso à informação e tornando a gestão das finanças mais simples, transparente e individualizada para cada cliente”, afirma Carlos Eduardo Mazzei, diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco.
Exemplos de ferramentas com inteligência artificial no Itaú
- Inteligência de Investimentos:Agente conversacional que responde dúvidas sobre investimentos e apresenta recomendações personalizadas de acordo com o perfil do cliente.
- Itaú Emps:Solução voltada para pequenos empreendedores, a ferramenta utiliza inteligência artificial generativa para apoiar decisões de gestão, fluxo de caixa, custos e precificação.
- Pix no WhatsApp: Funcionalidade que permite realizar transferências diretamente pelo WhatsApp, com interação por texto ou áudio, sem necessidade de abrir o aplicativo do banco.
5 dicas para usar tecnologia na organização financeira
1. Acompanhe seus gastos regularmente
Ferramentas digitais ajudam a visualizar para onde vai seu dinheiro.
2. Use simulações antes de decidir
Testar cenários pode ajudar a entender impactos de investimentos ou mudanças de hábitos.
3. Crie alertas de orçamento
Notificações permitem identificar quando um tipo de gasto começa a crescer além do planejado.
4. Tire dúvidas sempre que surgir um termo novo
Assistentes digitais podem explicar conceitos financeiros em linguagem simples.
5. Use a tecnologia como apoio, não substituição
A inteligência artificial pode ajudar a analisar informações, mas as decisões devem refletir seus objetivos e prioridades.
