Luz, palco e casa cheia. O bar Zuzanete, em Coração Acelerado (TV Globo, 2026), inaugura em clima de espetáculo. A presença de artistas consagrados, incluindo a “boiadeira” Ana Castela e a rainha sertaneja Roberta Miranda, ajuda a puxar público e expectativa. É o tipo de estreia que muitos empresários imaginam ao abrir as portas de um empreendimento.
Mas a novela trata de lembrar que nem tudo segue roteiro. O local enfrenta um curto-circuito, e a situação se complica ainda mais com a suspensão do alvará de funcionamento. Em poucos capítulos, a festa dá lugar a um teste de resistência para as personagens Janete (Letícia Spiller) e Zuzu (Elisa Lucinda), sócias do espaço.
A ficção pode exagerar, mas os obstáculos são reais. Empreender é lidar com o imprevisível, muitas vezes justamente quando o negócio mais precisa funcionar. Parcerias, marketing, momento de lançamento e gestão de riscos formam um conjunto que pode acelerar ou frear o crescimento.
Os dados apresentam as dimensões do desafio. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seis em cada dez empresas no Brasil fecham antes de completar cinco anos. Por outro lado, pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com o Itaú Empresas, mostra que negócios com apoio financeiro e consultivo têm 30% mais chances de sobreviver nesse período, além de crescerem de forma mais consistente.
O tamanho da estreia e o risco de atropelar a operação
O Zuzanete aposta alto na abertura: visibilidade, nomes conhecidos e grande movimento. É uma estratégia ousada, que envolve decisões de marketing e parcerias para atrair público, mas que exige preparo. Afinal, a largada precisa ser compatível tanto com a capacidade de entrega do negócio quanto com a conexão entre o público, a proposta do empreendimento e os artistas ou influenciadores escolhidos.
Administrador, professor universitário e empreendedor do setor de bares, Augusto Guilherme Dias conhece bem esse cenário. Dono de dois estabelecimentos em Montes Claros (MG), ele é taxativo: “Se você tem estrutura, equipe e investimento, faz sentido fazer uma inauguração forte. Mas se ainda está organizando o negócio, o ideal é começar de forma controlada e crescer aos poucos”, argumenta.
Excesso de demanda sem estrutura não é sinônimo de sucesso. Pode significar desgaste: cliente mal atendido, operação pressionada e uma primeira impressão difícil de reverter. O próprio Augusto já viveu esse descompasso. “Teve um momento em que o negócio viralizou e encheu demais. Eu ainda não tinha estrutura para aquilo. Foi preciso reorganizar a rota”, relembra.
Reação diante dos problemas
Curto-circuito, alvará suspenso, suspeita de sabotagem. A novela acumula tensão, mas a essência é conhecida por quem empreende: imprevistos acontecem. “O erro precisa ser tratado como aprendizado. O que derruba muitos negócios não é o problema em si, mas o desânimo que vem depois”, afirma Augusto.
Essa perspectiva muda a condução do negócio. Em vez de paralisar, o problema vira ajuste. Em vez de travar, a operação se reorganiza. O movimento é contínuo: agir, corrigir e seguir. Além disso, depois da inauguração, o desafio passa a ser outro: sustentar o negócio no dia a dia, com resultados que nem sempre aparecem de imediato. “Nos meus negócios, a maturação veio depois de quatro anos. No começo, fechava no zero a zero”, relata.
Ferramentas para dar previsibilidade à operação
Manter o negócio de pé enquanto ele cresce exige organização. Algumas ferramentas ajudam a dar mais clareza e controle ao dia a dia:
Conta PJ Itaú
Separar as finanças pessoais das empresariais é um passo indispensável para entender a saúde do negócio. A conta PJ organiza entradas e saídas e facilita a gestão cotidiana.
Maquininha de cartão
Oferecer diferentes formas de pagamento reduz perdas na venda e melhora a experiência do cliente, especialmente em momentos de maior movimento.
Crédito para empresas
Linhas de crédito ajudam a manter o capital de giro, reorganizar o fluxo financeiro e viabilizar investimentos em crescimento.
O que fica da ficção para a vida real
A inauguração do Zuzanete reúne ingredientes conhecidos: expectativa alta, visibilidade, problemas inesperados e decisões sob pressão. É exagerada, como quase toda novela, mas não distante da realidade. No fim das contas, a história aponta para escolhas que fazem diferença na vida do empreendedor fora da tela:
- Abrir no ritmo da estrutura disponível;
- Entender que visibilidade não substitui resultado;
- Escolher parcerias com critério;
- Colocar o público no centro das decisões, mas sem a intenção de agradar todo mundo;
- Encarar erros como parte do processo;
- Construir uma base financeira que sustente o crescimento.
