O Oscar 2026 passou e mesmo sem nenhuma estatueta para o Brasil dessa vez, o cinema nacional vive um momento histórico. Mas para além do tapete vermelho e do brilho da Academia, existe uma engrenagem que o público raramente vê: o rigoroso planejamento financeiro.
Nas telas, uma cena mal planejada pode custar milhões. Na vida real, a falta de um roteiro financeiro pode custar a sua tranquilidade. Para entender como essas duas telas se cruzam, conversamos com Ana Kormanski, produtora executiva com 17 anos de experiência no mercado audiovisual. Formada em Comunicação Social pela Unesp, Ana acumulou bagagem em diversas produtoras e projetos, assinando a produção executiva de séries como No Mundo da Luna (HBO Max) e Spectros (Netflix), além de ter passado pela coordenação de obras como O Hipnotizador (HBO) e Sessão de Terapia (Netflix).
No cinema, sua assinatura está em filmes premiados e de gêneros variados, como O Animal Cordial, Meteoros, Aurora e Severina. Ela também participou da preparação do aclamado A Vida Invisível e da produção de A Caixa Preta de Fernando Morais (HBO/Warner), ainda inédito. Com esse "estofo" de quem já gerenciou desde orçamentos enxutos até grandes produções internacionais, ela nos revela os bastidores de como manter o projeto — e a conta bancária — no azul.
O roteiro do orçamento: os três atos da produção
Fazer cinema é a arte de gerenciar recursos escassos sob pressão constante. Segundo Ana, o trabalho começa na decupagem do roteiro para estimar os gastos de cada item necessário. Uma produção se divide em três atos financeiros fundamentais:
- Pré-produção (O Alicerce): É aqui que o DNA financeiro nasce. Detalha-se o roteiro para entender se aquela cena de explosão cabe no bolso. É o equivalente a fazer o seu Controle de Gastos no Superapp do Itaú: antes de sair gastando, você projeta para onde cada centavo deve ir. "A gente vai sempre fazendo cortes e adaptações de acordo com o valor total do orçamento. O produtor executivo precisa entender o que é essencial para a história e o que pode ser adaptado para a conta fechar".
- Produção (A execução): O momento em que o dinheiro circula intensamente entre diárias, locações e equipe. Sem uma reserva de contingência, qualquer imprevisto interrompe as filmagens e estoura o orçamento. Ana explica que o ideal é ter entre 20% e 30% do valor total reservado para emergências.
- Pós-produção (O polimento): Edição, som e cor. Muitas produções falham aqui por gastarem tudo no set e não deixarem fôlego para finalizar a obra. Itens como trilha sonora são mais fáceis de estimar com base em experiências anteriores.
"O planejamento financeiro não limita a criatividade; ele é, na verdade, a ferramenta que garante que o filme chegue às telas."
O paralelo: Você é o diretor da sua vida
Assim como em um filme premiado, sua vida financeira exige clareza e, acima de tudo, realismo. Ana defende que o planejamento precisa ser pautado pela honestidade sobre os próprios hábitos: "Não adianta você colocar que você vai gastar R$ 500 com alimentação, sendo que você sempre gasta R$ 1.200. Você tem que ter uma média de quanto você gasta. E você só vai saber fazer isso se você souber quanto que gastou em outros meses. O seu histórico é o seu melhor consultor".
Para o espectador, o uso do Controle de Gastos do Itaú cumpre o papel do produtor executivo: ele categoriza seus gastos automaticamente, mostrando se você está gastando mais com "figurino" (compras supérfluas) do que com "infraestrutura" (aluguel e contas fixas). A produtora reforça que o segredo está em entender o que já está comprometido: "Se você sabe que a sua Internet, por exemplo, custa R$ 120 por mês, sabe que recebe menos R$ 120 do salário, porque já sabe que tem que pagar isso. O que sobra é o seu orçamento real de produção diária", exemplifica.
Essa conexão entre o set e o bolso fica clara em três pilares:
- Fluxo de Caixa: "Aplicando na vida pessoal, é você saber qual é o vencimento das suas contas, o dia que o dinheiro cai e o dia que as faturas vencem, para que você consiga não ficar no vermelho em nenhum momento. É uma questão de logística de datas", diz a produtora.
- Reserva de Emergência: No cinema, é o que salva o filme quando um imprevisto acontece.
- Crédito Consciente: Investidores viabilizam filmes, assim como o crédito alavanca planos pessoais, desde que haja um plano de retorno claro.
Dicas para não ficar no vermelho (nem no Set, nem na Conta)
Para Ana Kormanski, a mágica do cinema só acontece se a matemática bater. Ela sugere três passos inspirados na rotina das grandes produtoras:
- Transparência total e ajuste de rota: Saiba exatamente quanto entra e quanto sai. "Praticamente mês a mês, eu olho os meus gastos no cartão de crédito. Se eu percebo que este mês ficou pesado por causa de um gasto inesperado, no próximo eu entro em um regime de contenção. É o famoso ‘recalcular o roteiro’”, compara Kormanski.
- Modo de alerta: Não espere o mês acabar para agir. "Às vezes você chega no dia 20 e fala: 'Opa, eu não vou ter mais dinheiro, então eu tenho que dar uma segurada, senão eu vou ficar no vermelho no mês seguinte'. É monitoramento diário".
- Antecipe-se ao clímax: Se você sabe que terá uma despesa grande, planeje. Ana reforça: "Quanto mais se planeja e prevê as coisas, mais fácil vai ser você não ter surpresas no final. O imprevisto só é um desastre quando não existe um plano para ele".
"Um orçamento infinito não é prova de qualidade de um filme; ter um olhar criterioso sobre cada gasto é o que realmente constrói uma obra sólida."
O grand finale
Enquanto torcemos para que o cinema brasileiro brilhe na cerimônia de março, fica a lição: um grande sucesso não é feito apenas de talento, mas de uma gestão impecável. Seja na busca por um Oscar ou pela independência financeira, o segredo é o mesmo: clareza, planejamento e o parceiro certo ao seu lado.
Ana encerra com uma reflexão poderosa para quem ainda tem receio de encarar os próprios números:
"No cinema e na vida, a falta de gestão é o que mata os grandes sonhos. Não tem como realizar um projeto, por mais brilhante que ele seja, se você não prestar atenção nos seus gastos. Assumir o controle do seu dinheiro é, acima de tudo, garantir que a sua história terá um final feliz."
