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Quando insistir e quando parar? O que ‘O Diabo Veste Prada 2’ ensina sobre salvar (ou encerrar) um negócio em crise

Com a crise da revista fictícia Runway, sequência do filme inspira uma reflexão sobre decisões difíceis em negócios em dificuldade 

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Por Redação Feito.Itaú
Publicado em Atualizado em
Com a crise da revista fictícia Runway, sequência do filme inspira uma reflexão sobre decisões difíceis em negócios em dificuldade 
Foto: 20th Century Studios via canal YouTube

Nem sempre um negócio entra em crise de forma barulhenta. Em muitos casos, o declínio começa devagar: uma queda gradual no faturamento, margens cada vez mais apertadas, decisões tomadas no improviso e uma operação que passa a funcionar mais para apagar incêndios do que para crescer. Em muitos casos, quando o problema se torna evidente, a empresa já opera no limite. 

Esse tipo de cenário aparece em O Diabo Veste Prada 2, sequência lançada 20 anos depois do primeiro longa. Na trama, que traz de volta Andy Sachs (Anne Hathaway) e Miranda Priestly (Meryl Streep), a revista de moda Runway enfrenta uma combinação de perda de relevância do mercado impresso, pressão da era digital e disputas internas sobre quem deve conduzir seu futuro.  

Fora das telas, essa não é uma dúvida exclusiva do universo editorial.  Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seis em cada dez empresas brasileiras fecham antes de completar cinco anos. O dado ajuda a dimensionar a dificuldade de manter um negócio sustentável em um cenário de mudanças rápidas, pressão financeira e transformação constante no comportamento do consumidor. 

Em vez de insistir ou desistir, a pergunta que realmente importa pode ser outra: como reconhecer, no tempo certo, que o negócio precisa mudar de rota? 

Quando o problema deixa de ser passageiro 

Na avaliação da estrategista de negócios Juliana Morandeira, o declínio raramente acontece de forma abrupta. Ele costuma ser construído aos poucos, até comprometer a capacidade de reação da empresa. “Os primeiros sinais são queda recorrente de faturamento, pressão de margem e aumento da dependência de capital para sustentar a operação. A empresa começa a operar menos por estratégia e mais por necessidade”, explica. 

A dinâmica lembra justamente o que acontece com a Runway no filme. A revista ainda possui reputação, influência e relevância cultural, mas enfrenta um mercado completamente diferente daquele que a transformou em referência. O problema já não está só nas contas, mas na dificuldade de adaptação. 

No mundo real, a mudança pode aparecer de diferentes formas: empresas que perdem competitividade por não investir em tecnologia, negócios que insistem em modelos ultrapassados ou operações que deixam de acompanhar o comportamento do consumidor. “Muitos empreendedores permanecem presos a estruturas que já não respondem ao mercado, sustentados pela ideia de que ‘sempre funcionou’. Em um cenário de transformação, isso pode ser determinante para o declínio”, afirma Morandeira. 

O risco de insistir além do limite 

Persistência costuma ser tratada como virtude no universo empreendedor. E, de fato, muitas empresas atravessam crises antes de encontrar um novo caminho. No entanto, dependendo da situação, insistir também pode significar aumentar as perdas. 

Existe um ponto em que o empreendimento deixa de gerar caixa suficiente para sustentar a própria estrutura. A partir daí, o empresário deixa de tomar decisões estratégicas e passa a atuar em “modo sobrevivência”. “Quando há custos elevados, contratos mal geridos ou baixa eficiência operacional, a receita deixa de sustentar a estrutura. Nesse contexto, o endividamento deixa de ser uma alavanca e passa a ser um problema”, explica a estrategista de negócios. 

Como consequência, a empresa passa a recorrer a empréstimos para cobrir despesas do dia a dia, atrasa pagamentos, perde margem de segurança financeira e depende cada vez mais de dinheiro externo apenas para continuar operando. 

É nesse estágio que o risco financeiro aumenta de forma acelerada. Indicadores como geração de caixa negativa, crescimento contínuo das dívidas e perda de competitividade costumam funcionar como alertas críticos. Em empresas maiores, métricas como a relação entre dívida e EBITDA (indicador que mede a capacidade de geração de caixa da operação antes de despesas financeiras e impostos) ajudam a avaliar o nível de endividamento e o quanto a empresa consegue sustentar seus compromissos financeiros.  

Nem toda crise significa fim 

Se o filme mostra a tentativa de salvar a Runway em meio ao caos, ele também reforça uma ideia importante: negócios em dificuldade nem sempre precisam acabar. Em muitos casos, a sobrevivência depende da capacidade de se reinventar. 

As reestruturações mais eficientes, segundo Juliana Morandeira, costumam envolver três movimentos principais: simplificação, eficiência e adaptação. Isso inclui revisão de custos, reorganização da operação, fortalecimento da estratégia comercial e incorporação de tecnologia. “Hoje, a inteligência artificial não é mais um diferencial, é um fator de competitividade”, garante. 

A transformação pode acontecer de várias maneiras: reduzir áreas pouco rentáveis, mudar posicionamento, digitalizar processos, rever contratos, reorganizar equipes ou até encontrar novas fontes de receita. 

Entre os critérios que ajudam a identificar potencial de recuperação estão projeção de caixa, capacidade de gerar receita com a base atual de clientes, eficiência operacional, possibilidade de reduzir custos e atualização tecnológica. “Se, mesmo com ajustes estruturais, o negócio continua consumindo caixa de forma recorrente, o sinal é claro: a continuidade precisa ser reavaliada”, finaliza a especialista. 

Apoio estratégico pode aumentar chances de sobrevivência 

Em cenários de queda de receita, aumento de custos e dificuldade de adaptação ao mercado, o acesso a orientação estratégica pode ajudar negócios a reorganizar a operação antes que a crise se agrave. Um estudo realizado pelo Itaú Empresas em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) analisou mais de 1,7 milhão de pequenas e médias companhias com faturamento anual de até R$ 60 milhões, entre 2019 e 2024. 

O levantamento, intitulado “Empresas que geram valor: o impacto da relação financeira na prosperidade das PMEs”, comparou clientes do Itaú Empresas com negócios de perfil semelhante sem relacionamento com a instituição. 

Os resultados mostram que negócios com apoio financeiro e consultivo tiveram 30% mais chances de permanecer ativos após cinco anos. Também apresentaram maior capacidade de diversificação, expansão e adaptação ao mercado, incluindo aumento médio de 25% no número de atividades econômicas exercidas. 

O estudo reforça um ponto importante para empreendedores em dificuldade: acompanhamento estratégico e acesso à informação podem ajudar a identificar problemas mais cedo, reorganizar rotas e tomar decisões antes que o endividamento comprometa a continuidade da operação. 

As soluções do Itaú Empresas podem ser consultadas aqui

O que a crise da Runway ensina fora da ficção 

Ao colocar a revista Runway diante de uma disputa por sobrevivência, O Diabo Veste Prada 2 usa o universo editorial para retratar um problema comum em negócios de diferentes setores: o momento em que a empresa começa a perder capacidade de adaptação ao mercado.  

Fora das telas, alguns sinais costumam indicar que um negócio precisa reagir rapidamente: 

1. Queda recorrente de faturamento 

Quando a redução da receita deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina. 

2. Dependência constante de crédito ou capital externo 

Empréstimos passam a ser usados para sustentar despesas básicas da operação. 

3. Custos acima da capacidade de receita 

A estrutura fica maior do que o faturamento consegue suportar. 

4. Perda de relevância no mercado 

O produto, serviço ou modelo deixa de acompanhar mudanças de comportamento do consumidor. 

5. Decisões tomadas apenas para sobreviver 

Planejamento e estratégia dão lugar ao improviso e à pressão constante por caixa. 

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