Quem faz negócios com outros países sabe que a cotação das moedas pode mudar rapidamente. Em um dia, a operação parece vantajosa; no outro, uma variação do câmbio pode aumentar custos ou reduzir margens de lucro. Diante desse cenário, surge uma dúvida comum: quando vale a pena contratar uma proteção cambial? A resposta passa menos por tentar prever os movimentos do mercado e mais por entender o quanto a empresa está exposta a essas oscilações.
Ferramentas de proteção cambial ajudam empresas a planejar o futuro com mais previsibilidade, mesmo em momentos de maior instabilidade no mercado. Para explicar como identificar o momento certo de adotá-las, o Feito.Itaú ouviu a economista e contadora Adriana Leal, especialista em finanças corporativas com mais de 25 anos de experiência.
Os sinais de alerta no fluxo de caixa: quando o risco se torna real
Segundo a especialista, o cenário atual exige atenção contínua. "O ambiente internacional ainda tem forte influência sobre o Brasil. Ao mesmo tempo, o risco país permanece relevante, com incertezas fiscais e institucionais que impactam decisões de longo prazo", pontua.
O primeiro passo para saber se é hora de contratar uma proteção cambial é avaliar a sensibilidade do caixa da empresa em relação às oscilações das moedas utilizadas em suas operações internacionais. Se uma variação inesperada na moeda for capaz de corroer a margem de lucro de um lote importado ou reduzir o faturamento estimado de uma exportação a ponto de afetar o pagamento de custos fixos, o sinal de alerta está aceso.
Empresas com cadeias de suprimentos longas ou contratos de fornecimento com prazos estendidos são as primeiras que devem acionar os mecanismos de defesa. Adriana Leal destaca que a vulnerabilidade das empresas cresce quando o planejamento fica desprotegido diante de ruídos econômicos.
"A queda recente ou a alta do dólar, por exemplo, é resultado de uma combinação clara de fatores externos e domésticos, sensível ao cenário político e à dinâmica global", explica a economista.
Portanto, se o seu negócio não suporta essa flutuação sem perder fôlego financeiro, o momento de contratar a proteção cambial é agora.
A decisão na importação: garantindo a viabilidade do produto
Para os importadores, o momento de buscar proteção cambial é imediatamente após a definição do preço de custo ou no fechamento do pedido de compra. Esperar a data do vencimento da fatura para fechar o câmbio à vista pode transformar um produto teoricamente competitivo em um prejuízo operacional, caso ocorra uma desvalorização cambial repentina no período.
Nesse contexto, o Itaú Empresas oferece soluções estruturadas que trazem segurança para a formação de preços. O objetivo é permitir que as empresas saibam exatamente quanto vai pagar pelo insumo lá na frente, mitigando o fator surpresa.
Para Adriana Leal, quem atua no mercado internacional ganha mais ao investir em planejamento do que ao tentar adivinhar os próximos movimentos do câmbio. "É importante focar menos em prever o câmbio e mais em preparar a empresa: gestão de caixa, revisão de custos e uso de hedge quando necessário", recomenda Adriana.
A decisão na exportação: defendendo a receita do negócio
Do lado de quem exporta, o gatilho para a contratação do hedge ocorre quando a receita futura em reais precisa ser garantida para cobrir os custos de produção locais que já foram pagos. Isso porque, se a moeda americana recuar muito até o dia do recebimento, a margem de ganho da operação pode desaparecer.
A proteção atua aqui para fixar um piso de receita, dando tranquilidade para que a empresa continue prospectando novos mercados e fechando contratos de longo prazo sem o temor de que a valorização do real encolha o faturamento planejado.
Ferramentas de apoio do Itaú Empresas para cada momento de decisão
Para apoiar empresas em diferentes cenários, o Itaú Empresas oferece mecanismos que se adaptam ao momento e às necessidades de cada negócio.
- Contratos de Câmbio Futuro (NDF): Ideais para os momentos em que a prioridade absoluta da empresa é a fixação de custos ou receitas, eliminando a exposição às oscilações diárias para uma data específica.
- NDF (Non-Deliverable Forward): Contrato que permite à empresa fixar antecipadamente uma taxa de câmbio para uma data futura, proporcionando maior previsibilidade para seus custos ou receitas, sem a entrega física da moeda.
- Suporte e Estruturação: Assessoria para identificar o exato percentual de exposição do caixa que precisa ser protegido, evitando tanto a desproteção quanto o excesso de custos com garantias desnecessárias.
Diagnóstico estratégico em vez de decisões por impulso
O erro mais frequente na gestão financeira é tomar decisões baseadas no calor do momento ou no otimismo temporário das notícias diárias. A tranquilidade operacional de uma empresa que atua no comércio exterior depende da substituição do palpite pela técnica.
Adotar uma postura preventiva em relação ao risco cambial é o que diferencia os negócios que conseguem atravessar ciclos de instabilidade com solidez. Adriana Leal alerta que o empresário deve estar atento às oscilações do mercado e adotar algumas medidas preventivas para proteger seu patrimônio de maneira eficiente: "O mais eficiente é ter planejamento, compras fracionadas e disciplina, fundamentais para aproveitar o câmbio com inteligência e assertividade".
