Quitar uma dívida costuma gerar um grande alívio, mas também inaugura uma fase que exige atenção. Com as contas reorganizadas, o dinheiro - que antes estava comprometido com débitos - pode ganhar novos destinos, como uma reserva para imprevistos ou planos adiados. O desafio é sustentar a mudança e evitar que o crédito recém-recuperado dê início a um novo ciclo de endividamento.
Em julho deste ano, 75 milhões de pessoas estavam inadimplentes, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. O número equivale a 44,75% da população adulta e representa o maior patamar da série histórica. Cada consumidor negativado devia, em média, R$ 5.205,30.
As dívidas também apresentam perfis variados. Quase três em cada dez devedores (28,94%) tinham pendências de até R$ 500. Considerando débitos de até R$ 1.000, a proporção chegava a 41,16%. Bancos concentravam 65,91% do total das dívidas, seguidos por contas de água e luz, com 10,63%, comércio, com 8,21%, e a categoria Outros, com 9,58%.
Para Gustavo de Oliveira, planejador financeiro, palestrante e assessor de investimentos, com quase duas décadas de atuação no mercado financeiro, o alívio após a regularização é importante, mas representa apenas o início da reorganização. “Ainda não significa controle das suas finanças, mas é o primeiro passo para recalcular a rota das finanças”, afirma.
A retomada começa no orçamento
A retirada da negativação pode ampliar as possibilidades de acesso ao crédito, mas a recuperação financeira depende de uma mudança mais ampla. Ter o nome limpo e manter as finanças equilibradas são situações diferentes.
A análise de crédito pode considerar o histórico financeiro do consumidor. Score e Rating, por exemplo, são instrumentos usados pelo mercado para avaliar o comportamento de pagamento e o risco associado a uma operação. Por isso, quitar uma dívida deve ser encarado como parte de um processo de reconstrução, e não como um ponto final.
Para quem busca regularizar pendências, o Itaú disponibiliza canais de renegociação que permitem consultar as alternativas disponíveis para cada situação.
Canais de atendimento para renegociação:
- Central de Atendimento: 4004-4828 | 0800 970 4828
- Renegociação via Whatsapp: 11 4004-1144
- Pessoa com deficiência auditiva: 0800 722 1722 (atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana)
- Portal de renegociação: https://www.itau.com.br/renegociacao
O primeiro passo depois da regularização é voltar os olhos para o orçamento. Analisar as despesas de um mês, incluindo moradia, alimentação, transporte, educação e lazer, já pode revelar padrões que passavam despercebidos. O objetivo é descobrir onde há margem para ajustes e estabelecer limites compatíveis com a renda. “Não podemos ter o foco de regularizar as dívidas e já pensar em outra. Vira um ciclo vicioso”, alerta Gustavo.
Crédito com cautela
A regularização pode abrir novas possibilidades de crédito. Cartões, empréstimos e financiamentos podem voltar a aparecer entre as opções disponíveis, mas a existência de limite não transforma o valor em renda.
A diferença fica evidente em decisões de maior impacto. Na compra de um carro financiado, por exemplo, a parcela é apenas parte da conta. Seguro e IPVA também entram no orçamento e podem alterar o custo total da escolha. “Crédito não pode ser entendido como uma renda adicional. Deve ser utilizado como instrumento de planejamento, e não para sustentar um padrão de vida acima da capacidade financeira”, ressalta o planejador.
A mesma cautela vale para compras parceladas. Antes de assumir uma prestação, é preciso avaliar o conjunto das despesas e verificar se o compromisso continuará compatível com a renda nos meses seguintes.
O cuidado ganha relevância diante do perfil das dívidas no país. As instituições bancárias respondiam por 65,91% do total dos débitos registrados em julho deste ano. As faturas de água e luz representavam 10,63% e tiveram o maior crescimento da inadimplência entre os setores, com alta de 22%.
O dinheiro ganha destino
Com as dívidas quitadas, a reorganização do orçamento cria espaço para retomar planos. A recomendação é estabelecer prioridades e distribuir os objetivos conforme o prazo. Viagens, cursos, aquisição de bens, projetos pessoais e a formação de um fundo para imprevistos podem ocupar lugares diferentes no planejamento. Separar essas metas ajuda a acompanhar o progresso e evita que todo o dinheiro destinado ao futuro fique concentrado em uma única finalidade.
De acordo com Gustavo de Oliveira, o valor que antes era direcionado à quitação das dívidas pode ser mantido no orçamento, agora com a função de criar uma proteção para despesas inesperadas. “Os imprevistos podem ser previsíveis. Criar uma reserva de emergência é o primeiro passo”, recomenda.
A ideia é criar uma folga financeira antes que um gasto inesperado force a contratação de crédito. Com essa reserva constituída, os demais objetivos podem ser organizados de acordo com suas características e prazos.
O planejador financeiro também propõe uma mudança na maneira de enxergar a poupança. Em vez de pensar apenas em acumular patrimônio, ele sugere relacionar o dinheiro às possibilidades que ele pode proporcionar. “Não poupe pensando em liberdade financeira, poupe pensando na liberdade de escolher: viajar, passar mais tempo com a família. Liberdade financeira é consequência”, garante.
O processo exige tempo e acompanhamento. A regularização das dívidas resolve uma pendência, mas a sustentabilidade financeira depende das decisões tomadas depois dela. “Recuperação financeira é o caminho, não o fim. Recalculando nossas rotas, abrimos a oportunidade de parar de dormir para sonhar e passamos a viver os nossos sonhos”, conclui Gustavo.
Depois de limpar o nome, por onde começar?
1. Revise o orçamento
Registre as despesas e identifique quanto da renda vai para moradia, alimentação, transporte, lazer e outras categorias.
2. Evite assumir uma nova dívida imediatamente
A regularização abre possibilidades de crédito, mas cada nova parcela precisa ser compatível com o orçamento.
3. Direcione o dinheiro que antes ia para as dívidas
Use parte do valor que ficou disponível para formar uma reserva de emergência.
4. Estabeleça limites de gastos
Defina previamente quanto pode ser destinado a cada categoria de despesa.
5. Organize os objetivos por prazo
Separe planos de curto, médio e longo prazo para acompanhar a evolução de cada meta.
6. Entenda como o endividamento começou
Identifique os fatores que levaram ao desequilíbrio e avalie quais mudanças podem evitar que a situação se repita.
