Um show pode durar poucas horas, já a história que leva uma família até a frente de um palco pode começar muitos meses antes. Antes da música, entram em cena a compra dos ingressos, a hospedagem, o transporte, o dinheiro para alimentação, os passeios e aquela margem que, às vezes, só mostra sua importância quando alguma coisa sai do roteiro.
Quando a experiência é compartilhada, o planejamento também muda de escala. O que seria o gasto de uma pessoa passa a compor o orçamento de duas ou mais, e decisões como parcelar uma compra, antecipar uma reserva ou separar dinheiro para os dias de viagem ajudam a distribuir os custos ao longo do tempo.
Foi o que fizeram Silvia Barbieri, arte-educadora, e a filha Isabela Barbieri, estudante de Relações Internacionais na Unesp de Franca (SP). As duas foram ao Rock in Rio no dia 7 de setembro para assistir a Elton John. O programa, porém, começou meses antes de chegarem à Cidade do Rock.
O planejamento do Rock in Rio começou em dezembro
Para Silvia, assistir a Elton John ao vivo era um desejo antigo. Quando apareceu a oportunidade de vê-lo no Rock in Rio, o show ganhou um peso especial. Além da admiração pelo artista, havia a sensação de que aquela poderia ser uma oportunidade difícil de repetir.
“Eu sempre tive o sonho de ver o show do Elton John. Como ele anunciou um show estando aposentado, pensei que seria a última grande chance de isso acontecer”, conta.
A vontade encontrou companhia dentro de casa. Isabela também gosta do cantor e dividir experiências já faz parte da relação entre as duas. “Minha filha também adora. E nós sempre fazemos programas juntas”, diz Silvia.
A partir daí, o sonho ganhou calendário e começou a ocupar espaço no orçamento. Em dezembro de 2025, mãe e filha compraram o Rock in Rio Card. Em vez de concentrar o valor da compra de uma só vez, optaram pelo parcelamento no cartão. “Não medimos esforços para realizar o sonho. Parcelamos no cartão e foi a melhor compra da vida”, afirma Silvia.
A frase traduz a importância que aquela experiência tinha para as duas, mas a decisão de ir ao festival não terminou na compra do ingresso. No mesmo mês, elas também resolveram uma das principais despesas de uma viagem: onde ficariam hospedadas no Rio.
“Já reservamos hospedagem no mesmo mês, para que, quando viajássemos, estivesse tudo pago.”
A estratégia permitiu que despesas importantes fossem entrando no orçamento meses antes do embarque. Primeiro, veio a garantia de acesso ao festival; depois, a hospedagem. Quando setembro de 2026 chegou, parte relevante da viagem já estava acertada.
Esse intervalo entre a decisão de ir e o dia do evento também abriu espaço para organizar a etapa seguinte: quanto seria necessário levar para os dias no Rio e quais gastos ainda poderiam aparecer pelo caminho. O planejamento, portanto, não ficou restrito ao valor que permitia atravessar os portões da Cidade do Rock, era preciso pensar na experiência inteira.
Quando a conta é para dois
Uma viagem motivada por um festival pode começar pelo preço do ingresso, mas dificilmente termina nele. Transporte, alimentação, hospedagem e programação fora do evento também entram na soma e, no caso de Silvia e Isabela, precisavam ser calculados para duas pessoas.
Foi essa visão mais ampla que orientou a organização financeira da viagem. “Nesse quesito, precisamos pensar no todo. Como é uma viagem familiar, tudo é pago em dobro”, diz Silvia.
A observação parece simples, mas muda a maneira de montar o orçamento. Uma refeição vira duas, assim como os deslocamentos e as entradas para eventuais passeios. E, como a ida ao Rio não se resumiria às horas passadas no festival, Silvia também considerou o que mãe e filha poderiam querer fazer durante a estadia.
“Como é uma cidade turística, já sabemos que podemos nos deparar com alguns lugares e passeios com preços altos. Espero não gastar mais do que reservei para esses dias”, brinca.
A preocupação revela outra etapa do planejamento. Depois de antecipar os gastos com ingresso e hospedagem, Silvia também reservou uma quantia para utilizar durante a viagem. Assim, em vez de chegar ao destino e decidir, a cada nova situação, quanto poderia gastar, ela já contava com um valor previamente destinado às despesas daqueles dias.
Isso também ajuda a colocar o lazer dentro de um limite previamente pensado. A viagem continuou aberta a passeios, refeições e escolhas feitas no Rio, mas havia uma referência de quanto caberia no orçamento familiar.
O imprevisto também entrou na viagem
Ingresso comprado, hospedagem acertada e dinheiro reservado não foram suficientes para fazer tudo seguir exatamente o roteiro. Antes mesmo de chegarem ao Rio, Silvia e Isabela enfrentaram um contratempo no caminho entre Indaiatuba, no interior de São Paulo, e o aeroporto de Guarulhos.
As duas haviam saído com antecedência, mas encontraram obras na estrada. O atraso acumulado durante o trajeto fez com que chegassem ao aeroporto 10 minutos depois do limite para despachar as malas. “Perdemos o avião. Foi caótico e houve momentos de estresse”, lembra Silvia.
Perder o voo significou também acrescentar à viagem uma despesa que não existia quando ela fez as contas meses antes. Silvia conseguiu embarcar no voo seguinte, mas precisou pagar pela alteração.
“Consegui reagendar o próximo voo, tendo que pagar uma taxa extra. Ninguém fica feliz, mas eu tinha uma reserva, então consegui pagar.”
Foi ali que o dinheiro separado para eventualidades deixou de ser apenas uma precaução e ganhou uma função concreta. A reserva não impediu o atraso, nem tornou o contratempo menos desgastante, mas permitiu absorver o custo inesperado sem precisar tirar o valor de outra parte já planejada da viagem.
É também por essa experiência que, ao pensar no que diria para outras famílias que desejam fazer uma viagem parecida, Silvia começa pela antecedência.
“Planejamento é essencial. Reservar tudo com antecedência, guardar dinheiro para a viagem e para eventuais imprevistos. Tudo pode acontecer, mas, se você estiver preparado, nada pode estragar seus sonhos”, concluiu.

