Ir para conteúdo principal

Shows e planejamento financeiro: como equilibrar emoção e orçamento?

Entenda como fãs organizam gastos, definem prioridades e lidam com custos além do ingresso

Tempo de leitura:
Por Redação Feito.Itaú em
Imagem mostra homem olhando para o computador com cartão na mão

Quando o assunto é show, o orçamento costuma subir de tom. Uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que 24% dos brasileiros já se endividaram para ir a apresentações ao vivo. Realizado entre julho e agosto de 2025, o levantamento revela ainda que 38% não se importam em pagar preços altos para ver seus artistas favoritos, enquanto 44% apontam o valor do ingresso como principal obstáculo. Distância e falta de tempo aparecem logo em seguida, indicando que o desejo de estar presente convive com limites financeiros bem definidos.

Os dados ajudam a dimensionar um fenômeno que vai além do ingresso. Entre os brasileiros que viajam para acompanhar shows, 36% gastam mais de R$ 1 mil, considerando passagens, hospedagem e alimentação. Para dar conta desses custos, 36% recorrem ao parcelamento, principalmente no cartão de crédito e no Pix. Ao mesmo tempo, 47% afirmam guardar dinheiro com antecedência para esses eventos, sinalizando que emoção e planejamento financeiro costumam caminhar juntos, ainda que nem sempre em equilíbrio.

Para a psicóloga Mariana Mendonça, professora, pesquisadora e mestre em Desenvolvimento Humano pela Universidade de Brasília (UnB), gastar mais para ver um ídolo ao vivo é uma resposta emocional profundamente ligada à memória e à escassez. “O acesso real e contínuo aos grandes ídolos é raro, especialmente fora dos grandes centros. Quando surge a chance de estar presencialmente com aquele artista que representa momentos significativos da sua vida, isso eleva muito o empenho para viver essa experiência”, explica.

Segundo ela, as memórias afetivas são construídas a partir de múltiplos estímulos. Quanto mais sentidos estão envolvidos, maior o impacto. “A diferença entre vivenciar algo de forma remota e estar ao vivo é enorme. O corpo responde. O arrepio, por exemplo, é uma resposta fisiológica que mostra que o cérebro foi tocado por uma experiência extremamente significativa. A gente pode fingir emoções, mas não consegue fingir o arrepio”, detalha.

Pertencer também pesa no bolso

Além da memória individual, existe o fator coletivo. Shows e festivais são experiências sociais, compartilhadas com amigos, grupos e comunidades de fãs. Esse sentimento de pertencimento influencia fortemente o comportamento de consumo.

“Historicamente, o ser humano precisa se sentir parte de um grupo. Dentro de uma comunidade de fãs, existe um estímulo para que todos estejam alinhados, participem, vivam aquilo juntos. Isso se torna um determinante importante para o consumo”, enfatiza Mariana.

Em um contexto marcado pelas redes sociais, esse efeito se intensifica. A psicóloga destaca o impacto do medo de ficar de fora. “Quando você vê pessoas do seu convívio indo a um grande show, compartilhando aquele momento, surge uma mobilização emocional muito forte. Mesmo adultos podem tomar decisões mais afetivas do que racionais para não se sentirem excluídos de algo que consideram significativo”, ressalta.

Da emoção ao planejamento

A escritora Iaci Gomes, natural do Mato Grosso, estado do Centro-Oeste, vive essa relação com a música desde cedo. Criada em uma casa onde discos de vinil e CDs faziam parte do cotidiano, ela construiu ao longo dos anos uma coleção de experiências que atravessam cidades, fases da vida e prioridades.

“Já assisti três shows do Coldplay, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Fui ao Rock in Rio em 2013 para ver o Justin Timberlake. Vi Jamiroquai, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, Bruno Mars, Mariah Carey. Cada um desses shows representa um momento específico da minha vida”, conta.

No início, a emoção falava mais alto. “Quando eu era mais nova, a decisão era muito mais emocional. Hoje, é planejamento financeiro”, garante. Filha de bancários, Iaci atribui essa mudança à educação financeira que recebeu dos pais, marcada pela importância da organização e da antecipação de gastos. Morando fora do eixo Sul-Sudeste, ela também aprendeu que o valor do ingresso é apenas uma parte da conta. “Preciso pensar em passagem, hospedagem e taxas, que costumam ser altas”, pontua.

Mesmo assim, ela não abre mão dessas experiências. “É realização pessoal, criação de memórias e sensação de pertencimento, tudo junto. Poder trabalhar e pagar para construir minhas memórias é algo muito importante para mim”, relata. Agora, com uma filha de oito meses, esse planejamento ganhou ainda mais peso, já que as escolhas financeiras também passam a considerar o futuro e as experiências que ela deseja compartilhar com a filha.

Para a escritora, um dos episódios mais especiais dessa trajetória como fã aconteceu em 2012, quando ainda era estagiária. “O Franz Ferdinand anunciou um show gratuito em São Paulo. Fiz as contas, vi que dava e fui com duas amigas. Foi minha primeira viagem para São Paulo e a primeira vez que vi minha banda preferida ao vivo, bem perto. Guardo essa lembrança com muito carinho”, diz.

Para 2026, a meta é viver o show do BTS

Hoje, com uma filha de dez meses, o planejamento financeiro ganhou um novo peso. Entre os sonhos que seguem no radar está assistir a um show do grupo sul-coreano BTS em 2026, quando a banda deve retomar as turnês e pode incluir o Brasil na agenda. O vínculo com o grupo começou em 2020, em plena pandemia de covid-19. “Conheci o BTS nesse momento difícil, e eles tiveram um papel muito importante na forma como consegui lidar com tudo aquilo”, detalha.

Ciente de que a procura por ingressos deve ser alta, Iaci já se organiza. “Vou guardando dinheiro sempre que posso, evitando compras impulsivas. Agora penso não só em mim, mas também na minha filha. Quero viver o momento, mas sem deixar de olhar para frente”, afirma. Para ela, se o plano se concretizar, a experiência tem tudo para ser “concorrida e mágica”.

Emoção não é o problema. Falta de organização, sim!

A psicóloga Mariana Mendonça faz questão de afastar a ideia de que gastar com ídolos seja, por definição, algo irresponsável. “Nós não somos seres totalmente racionais. A vida é permeada por emoções intensas. Uma loucura de vez em quando faz bem”, enfatiza.

O alerta aparece quando a emoção passa a dominar todas as decisões. Um dos sinais mais evidentes, segundo ela, está no discurso minimizando o gasto. “Frases como ‘só se vive uma vez’ ou ‘cartão existe para ser feliz hoje’ funcionam como justificativas que aliviam a culpa no momento, mas não eliminam as consequências depois”.

A solução, de acordo com Mendonça, é transformar desejo em meta. “Grandes bandas divulgam turnês com antecedência. Quem acompanha consegue se planejar meses antes e viver a experiência de forma saudável financeiramente. O problema é descobrir tudo em cima da hora e ser levado apenas pelo entorno”, finaliza.

Ferramentas do Itaú para organizar sonhos e gastos

O Itaú reúne uma cartela de soluções pensadas para ajudar você a organizar gastos, planejar objetivos e acompanhar o uso do dinheiro no dia a dia. A proposta é permitir que sonhos como viagens, shows ou experiências especiais sejam incorporados ao planejamento financeiro de forma consciente, respeitando prioridades e mantendo a saúde financeira ao longo do tempo. Confira a seguir:

Cofrinhos Itaú

Permitem criar metas financeiras personalizadas direto no SuperApp, com aplicações a partir de R$ 1 e rendimento de 100% do CDI. É uma forma prática de separar o dinheiro para objetivos específicos, como shows, viagens ou festivais, acompanhando o rendimento em tempo real.

Controle de Gastos Itaú

Organiza automaticamente as despesas por categoria, ajuda a definir limites e envia alertas quando o gasto se aproxima do valor estipulado. Visualizar para onde o dinheiro vai é um passo importante para equilibrar prazer e responsabilidade.

Compra de passagens aéreas no SuperApp

No próprio aplicativo, é possível pesquisar, comparar e emitir passagens aéreas, usando pontos, cartão ou combinando as duas formas. Centralizar esse processo facilita o planejamento e reduz decisões apressadas.

Como curtir grandes shows sem desafinar o orçamento

Planejar com antecedência é o principal caminho para transformar a vontade de ir a shows e festivais em uma experiência financeiramente saudável. Algumas atitudes ajudam a organizar os gastos, reduzir imprevistos e manter o equilíbrio entre lazer e orçamento:

  • Mapeie todos os custos envolvidos, incluindo ingresso, transporte, hospedagem, alimentação e taxas, para ter uma dimensão realista do valor final da experiência.
  • Defina um orçamento máximo para cada evento e avalie se ele cabe na sua renda mensal sem comprometer despesas essenciais.
  • Crie um cronograma de pagamentos, acompanhando prazos de compra de ingressos, passagens e hospedagem para evitar decisões apressadas.
  • Separe o dinheiro do show em uma reserva específica, o que ajuda a evitar misturas com outros gastos do dia a dia.
  • Avalie com cuidado o parcelamento, usando essa alternativa apenas quando houver planejamento e controle do impacto nas parcelas futuras.
  • Busque formas de economizar, como compras antecipadas, divisão de despesas com amigos e escolha de opções mais econômicas de transporte e hospedagem.
  • Estabeleça limites de gasto durante o evento, especialmente com alimentação, lembranças e consumo por impulso.
  • Evite comprometer contas básicas e mantenha uma margem para imprevistos, garantindo que a experiência termine sem impacto negativo nas finanças.
EntretenimentoShowsMúsicaItaú live