Desde criança, a bacharel em Relações Internacionais Paula Castro, de 25 anos, imaginava como seria viver uma experiência acadêmica fora do Brasil. O desejo ganhou ainda mais força durante a graduação. No início de 2026, ela conseguiu transformar o plano em realidade: participou do curso Project Management and Business Communication (Gerenciamento de Projetos e Comunicação Corporativa), ofertado pela Latin America Institute of Business (Laiob) na Ohio University, nos Estados Unidos.
O programa durou apenas duas semanas, mas a preparação começou bem antes. Paula ficou cerca de um ano organizando as finanças para tornar a experiência possível. “Passei no processo seletivo, consegui uma bolsa de 50% e paguei as mensalidades religiosamente, contando sempre com a ajuda dos meus pais”, diz.
Além das taxas do curso, entraram no planejamento as passagens aéreas, o seguro viagem e os dólares necessários para o período da estadia. Para manter tudo sob controle, ela criou um hábito que exigia disciplina: todos os meses, assim que o salário caía na conta, separava uma quantia específica para comprar a moeda estrangeira. “Eu monitorava a cotação do dólar diariamente para adquirir no melhor preço possível”, lembra.
O planejamento também exigiu ajustes na rotina. “Foi um ano em que abri mão de algumas coisas. Viajei menos e reduzi pequenas permissões do dia a dia, como delivery e saídas no fim de semana”, relata a internacionalista.
Apesar dos sacrifícios, ela afirma que a experiência compensou cada esforço. Para quem sonha em estudar fora, Paula deixa um conselho que pode facilitar ainda mais o embarque internacional: pesquisar oportunidades de bolsas. “Existem muitas bolsas de estudo financiadas por diversos países. Pesquisem e apliquem. Algumas incluem até passagem, hospedagem e seguro viagem”, recomenda.
Planejamento financeiro é decisivo
Estudar no exterior é, ao mesmo tempo, uma experiência transformadora e um projeto financeiro complexo. Segundo Wanessa Guimarães, planejadora financeira com mais de duas décadas de atuação no mercado, o principal desafio está na quantidade de variáveis existentes no processo. “Envolve custos em moeda estrangeira, câmbio volátil, despesas imprevisíveis e um prazo de execução que pode se estender por meses ou anos”, explica.
Sem organização prévia, o sonho pode rapidamente virar uma fonte de ansiedade para estudantes e famílias. “Um plano financeiro bem estruturado permite dimensionar o projeto de forma realista, identificar fontes de financiamento e criar reservas estratégicas”, afirma.
Para a especialista, o planejamento transforma a ideia de estudar fora em um projeto concreto. “É o que tira o plano do campo abstrato e o transforma em algo viável e sustentável”, garante Guimarães, que é graduada em Direito, com MBA em Gestão Financeira, Auditoria e Controladoria.
Outra dica importante é começar cedo. Cursos de curta duração, como programas de férias ou especializações rápidas, exigem preparação de seis a doze meses. Já graduações, intercâmbios longos ou pós-graduações podem demandar organização com dois ou três anos de antecedência. Esse tempo não serve apenas para juntar dinheiro. Também permite acompanhar o câmbio, planejar pagamentos e evitar decisões de última hora.
Passo a passo para organizar as finanças antes de estudar fora
Quem já decidiu estudar no exterior, mas não sabe por onde começar, pode organizar o processo de acordo com as etapas abaixo.
1. Defina o projeto
O primeiro passo é entender exatamente qual será o tipo de experiência: curso curto, intercâmbio de idiomas, graduação ou pós-graduação. A duração do programa influencia praticamente tudo: custos totais, tipo de visto, necessidade de acomodação e até o volume de recursos que precisará ser acumulado.
2. Faça um mapa completo de custos
Um dos erros mais comuns, segundo Wanessa Guimarães, é considerar apenas as mensalidades. “É muito comum as pessoas calcularem apenas o valor do curso e da passagem. Mas os custos vão muito além disso”, alerta.
Entre os gastos que precisam entrar no planejamento estão as taxas de inscrição e dos processos seletivos, a tradução de documentos e a realização de testes de proficiência, além das despesas com visto e documentação consular. Também entram na planilha a passagem aérea, a acomodação (muitas vezes acompanhada de caução ou taxas de agência), o seguro saúde ou seguro viagem e o material didático exigido pela instituição.
A lista inclui ainda despesas de instalação no país, como compra de roupas adequadas ao clima, utensílios básicos e adaptação à rotina local, além de alimentação, transporte e outros gastos cotidianos. É essencial, ainda, a criação de uma reserva de emergência em moeda local. Muitos desses custos surgem antes mesmo do embarque, o que reforça a importância de começar a organização financeira com antecedência.
3. Monte um calendário financeiro
Depois de estimar os gastos, o próximo passo é distribuir os pagamentos ao longo do tempo. Algumas despesas acontecem em momentos específicos, como matrícula, renovação de visto ou pagamento de aluguel. Ter um calendário financeiro ajuda a garantir que os recursos estejam disponíveis quando forem necessários.
4. Prepare-se para a variação do câmbio
Quem estuda fora precisa lidar com um fator inevitável: a variação das moedas internacionais. Uma estratégia é comprar moeda estrangeira aos poucos, ao longo do tempo, em vez de converter todo o valor de uma vez. “Comprar de forma fracionada permite diluir o impacto das oscilações e evitar decisões precipitadas em momentos de alta do câmbio”, orienta Wanessa.
Outra recomendação é montar o orçamento com um câmbio mais conservador. Ou seja, considerar um valor um pouco mais alto do que a cotação atual para estabelecer uma margem de segurança.
5. Crie uma reserva para imprevistos
Imprevistos fazem parte de qualquer viagem (e podem ficar ainda mais caros quando acontecem em outro país). Por isso, especialistas recomendam reservar entre 10% e 20% do orçamento total para emergências, como mudanças de acomodação, despesas médicas ou alterações de voo.
6. Separe as finanças do projeto das despesas pessoais
Uma estratégia simples, mas eficiente, é manter os recursos do intercâmbio separados do dinheiro usado no dia a dia. Essa organização ajuda a visualizar melhor o progresso da meta e evita que o orçamento do projeto se misture com gastos cotidianos.
Disciplina e apoio familiar fazem diferença
De acordo com Paula Castro, o apoio da família foi essencial para que o plano saísse do papel. “Meus pais ficaram preocupados com a volatilidade do dólar e a instabilidade internacional, mas eu insisti que daria certo com organização e planejamento”, conta a jovem.
O envolvimento da família também ajuda a tornar o projeto mais sustentável, algo que a planejadora financeira reforça. “É importante envolver o estudante no planejamento financeiro. Quando ele entende o esforço necessário para viabilizar o projeto, tende a fazer escolhas mais conscientes durante o período no exterior”, salienta Wanessa Guimarães.
Segundo ela, estudar fora não precisa ser um privilégio restrito a quem já tem todos os recursos disponíveis. “Conheço histórias de famílias de renda mediana que realizaram esse projeto com sucesso porque começaram cedo, foram disciplinadas e buscaram orientação”, finaliza a planejadora financeira.
Ferramentas do Itaú podem colaborar nessa jornada
Depois de organizar o projeto e entender quanto será necessário guardar, ferramentas financeiras podem ajudar a manter o planejamento em dia. Uma delas são os Cofrinhos do Itaú, disponíveis no Superapp. A ferramenta permite criar metas personalizadas de economia, como “intercâmbio” ou “curso no exterior”, e acompanhar o progresso em tempo real.
Com aportes a partir de R$ 1, o dinheiro aplicado rende 100% do CDI em um CDB, o que tende a oferecer rendimento superior ao da poupança tradicional. Também é possível definir metas, prazos e acompanhar o crescimento da reserva diretamente no aplicativo.
O banco oferece soluções completas para quem vai viajar: é possível comprar dólar, euro e outras moedas estrangeiras diretamente no Superapp e retirar em agências selecionadas, fazer transferências internacionais com praticidade e até contar com uma conta internacional para usar no exterior com segurança.
Outra facilidade é a Conta Internacional Avenue, que permite abrir e movimentar uma conta em moeda estrangeira, fazer compras, pagamentos e saques no exterior com praticidade. Tudo isso com a conveniência de contratar digitalmente, acompanhar as cotações em tempo real e evitar imprevistos com o câmbio durante a viagem.
