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Tudo sobre a malha fina do Imposto de Renda

Os erros mais comuns cometidos pelos brasileiros  e como evitá-los

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Por Redação Feito.Itaú em
Mulher analisa dados em um computador
Shutterstock + IA

Quem acompanha os conteúdos produzidos aqui no Feito.Itaú percebeu que um dos pilares do bem-estar financeiro é a organização do próprio dinheiro e das informações ligadas a ele. Essa atenção faz diferença inclusive na hora de declarar o Imposto de Renda. A chamada malha fina, na maioria das vezes, não acontece por azar: ela aparece quando há dados inconsistentes ou incompletos que aparecem no cruzamento automático de informações feito pela Receita Federal.

Salários, aplicações financeiras, despesas médicas e até a evolução do patrimônio são comparados digitalmente com os dados informados na declaração. Se algo não bate, o sistema sinaliza a divergência e a declaração pode ficar retida para análise.

Esse cenário também ajuda a explicar uma mudança de comportamento dos brasileiros em relação ao dinheiro. A pesquisa “Consciência e Prosperidade: a nova relação do brasileiro com o dinheiro”, realizada pelo Itaú em parceria com o grupo Consumoteca, mostra que cresce a percepção de que organizar as finanças faz parte do cuidado com a vida cotidiana, e não apenas uma tarefa burocrática.

Segundo os contadores Alice Ferreira e Suelcio Neves, de Barra do Garças (MT), grande parte das retenções na malha fina ocorre por erros relativamente simples, mas que poderiam ser evitados com atenção aos documentos e registros.

Segundo eles, os principais motivos são:

1. Omissão de rendimentos

Esse é um dos erros mais frequentes. Ele ocorre quando algum rendimento recebido ao longo do ano não aparece na declaração, como:

  • salário de um segundo emprego;
  • trabalho autônomo ou informal;
  • aluguel recebido;
  • rendimentos de dependentes;
  • aposentadoria ou pensão.

Como essas informações também são enviadas à Receita por empresas e instituições financeiras, a ausência do dado costuma ser identificada rapidamente.

2. Despesas médicas inconsistentes

As despesas médicas costumam chamar atenção porque não têm limite de dedução. Os problemas mais comuns incluem:

  • declarar valor maior que o informado pela clínica ou médico;
  • atendimento que não foi declarado pelo profissional;
  • falta de comprovante válido.

Quando os valores não coincidem com os registros do prestador de serviço, a divergência aparece no cruzamento de dados.

3. Informações diferentes dos informes financeiros

Salários, aplicações financeiras, rendimentos e imposto retido são informados à Receita por meio dos informes enviados por empresas e instituições financeiras.

Se a declaração apresentar números diferentes desses documentos, o sistema identifica a inconsistência.

Por isso, especialistas do Conselho Federal de Contabilidade recomendam sempre conferir os informes antes de preencher a declaração.

4. Dependentes declarados em mais de uma declaração

Outro erro comum acontece quando o mesmo dependente aparece em duas declarações, algo que ocorre com frequência em casos de pais separados. O sistema identifica a duplicidade automaticamente.

5. Problemas na declaração de pensão alimentícia

A pensão alimentícia só pode ser declarada quando existe decisão judicial ou acordo formal.

Entre os erros mais comuns estão:

  • declarar pensão sem respaldo legal;
  • informar valores diferentes dos efetivamente pagos;
  • Sem comprovação documental, a dedução pode ser desconsiderada.

6. Ganho de capital não declarado

A venda de bens como imóveis, veículos ou investimentos pode gerar lucro e esse ganho precisa ser informado.

Quando isso não acontece, surge incompatibilidade entre a movimentação patrimonial e os rendimentos declarados.

7. Evolução patrimonial incompatível

Outro ponto observado pela Receita é o crescimento do patrimônio. Se alguém compra um imóvel ou veículo sem renda declarada suficiente para justificar a aquisição, o sistema pode apontar inconsistência.

8. Erros na declaração de investimentos

Investimentos também aparecem com frequência nas inconsistências. Entre os erros mais comuns estão:

  • valores incorretos de ações ou fundos;
  • omissão de rendimentos isentos;
  • ganhos em criptomoedas não informados;
  • confusão entre rendimentos tributáveis e não tributáveis.

Como grande parte dessas informações já é reportada diretamente à Receita, o cruzamento acontece automaticamente.

“Na maioria dos casos o desconhecimento desses fatores levam as pessoas a caírem na malha fina”, afirma Alice. Suelcio complementa: “Mais importante que declarar é buscar informações para fazer o certo”.

Organização financeira ao longo do ano evita dor de cabeça

A origem de muitos problemas não está apenas no momento da declaração, mas na falta de organização financeira durante o ano.

Usar ferramentas digitais e consultar seu gerente pode ajudar muito neste processo. No Superapp do Itaú, por exemplo, recursos de organização financeira permitem acompanhar movimentações e separar valores por objetivos.

Uma das funcionalidades disponíveis são os Cofrinhos, que permitem guardar dinheiro para metas específicas e acompanhar a evolução desse valor diretamente no aplicativo, com rendimento diário atrelado ao CDI.

Outra tecnologia é o Pix Automático, que permite programar pagamentos recorrentes, como mensalidades e contas de serviços, facilitando o controle das despesas e reduzindo esquecimentos. Quando entradas, despesas e investimentos estão organizados ao longo do ano, a declaração do imposto tende a ser apenas um reflexo desses registros.

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