Quem acompanha os conteúdos produzidos aqui no Feito.Itaú percebeu que um dos pilares do bem-estar financeiro é a organização do próprio dinheiro e das informações ligadas a ele. Essa atenção faz diferença inclusive na hora de declarar o Imposto de Renda. A chamada malha fina, na maioria das vezes, não acontece por azar: ela aparece quando há dados inconsistentes ou incompletos que aparecem no cruzamento automático de informações feito pela Receita Federal.
Salários, aplicações financeiras, despesas médicas e até a evolução do patrimônio são comparados digitalmente com os dados informados na declaração. Se algo não bate, o sistema sinaliza a divergência e a declaração pode ficar retida para análise.
Esse cenário também ajuda a explicar uma mudança de comportamento dos brasileiros em relação ao dinheiro. A pesquisa “Consciência e Prosperidade: a nova relação do brasileiro com o dinheiro”, realizada pelo Itaú em parceria com o grupo Consumoteca, mostra que cresce a percepção de que organizar as finanças faz parte do cuidado com a vida cotidiana, e não apenas uma tarefa burocrática.
Segundo os contadores Alice Ferreira e Suelcio Neves, de Barra do Garças (MT), grande parte das retenções na malha fina ocorre por erros relativamente simples, mas que poderiam ser evitados com atenção aos documentos e registros.
Segundo eles, os principais motivos são:
1. Omissão de rendimentos
Esse é um dos erros mais frequentes. Ele ocorre quando algum rendimento recebido ao longo do ano não aparece na declaração, como:
- salário de um segundo emprego;
- trabalho autônomo ou informal;
- aluguel recebido;
- rendimentos de dependentes;
- aposentadoria ou pensão.
Como essas informações também são enviadas à Receita por empresas e instituições financeiras, a ausência do dado costuma ser identificada rapidamente.
2. Despesas médicas inconsistentes
As despesas médicas costumam chamar atenção porque não têm limite de dedução. Os problemas mais comuns incluem:
- declarar valor maior que o informado pela clínica ou médico;
- atendimento que não foi declarado pelo profissional;
- falta de comprovante válido.
Quando os valores não coincidem com os registros do prestador de serviço, a divergência aparece no cruzamento de dados.
3. Informações diferentes dos informes financeiros
Salários, aplicações financeiras, rendimentos e imposto retido são informados à Receita por meio dos informes enviados por empresas e instituições financeiras.
Se a declaração apresentar números diferentes desses documentos, o sistema identifica a inconsistência.
Por isso, especialistas do Conselho Federal de Contabilidade recomendam sempre conferir os informes antes de preencher a declaração.
4. Dependentes declarados em mais de uma declaração
Outro erro comum acontece quando o mesmo dependente aparece em duas declarações, algo que ocorre com frequência em casos de pais separados. O sistema identifica a duplicidade automaticamente.
5. Problemas na declaração de pensão alimentícia
A pensão alimentícia só pode ser declarada quando existe decisão judicial ou acordo formal.
Entre os erros mais comuns estão:
- declarar pensão sem respaldo legal;
- informar valores diferentes dos efetivamente pagos;
- Sem comprovação documental, a dedução pode ser desconsiderada.
6. Ganho de capital não declarado
A venda de bens como imóveis, veículos ou investimentos pode gerar lucro e esse ganho precisa ser informado.
Quando isso não acontece, surge incompatibilidade entre a movimentação patrimonial e os rendimentos declarados.
7. Evolução patrimonial incompatível
Outro ponto observado pela Receita é o crescimento do patrimônio. Se alguém compra um imóvel ou veículo sem renda declarada suficiente para justificar a aquisição, o sistema pode apontar inconsistência.
8. Erros na declaração de investimentos
Investimentos também aparecem com frequência nas inconsistências. Entre os erros mais comuns estão:
- valores incorretos de ações ou fundos;
- omissão de rendimentos isentos;
- ganhos em criptomoedas não informados;
- confusão entre rendimentos tributáveis e não tributáveis.
Como grande parte dessas informações já é reportada diretamente à Receita, o cruzamento acontece automaticamente.
“Na maioria dos casos o desconhecimento desses fatores levam as pessoas a caírem na malha fina”, afirma Alice. Suelcio complementa: “Mais importante que declarar é buscar informações para fazer o certo”.
Organização financeira ao longo do ano evita dor de cabeça
A origem de muitos problemas não está apenas no momento da declaração, mas na falta de organização financeira durante o ano.
Usar ferramentas digitais e consultar seu gerente pode ajudar muito neste processo. No Superapp do Itaú, por exemplo, recursos de organização financeira permitem acompanhar movimentações e separar valores por objetivos.
Uma das funcionalidades disponíveis são os Cofrinhos, que permitem guardar dinheiro para metas específicas e acompanhar a evolução desse valor diretamente no aplicativo, com rendimento diário atrelado ao CDI.
Outra tecnologia é o Pix Automático, que permite programar pagamentos recorrentes, como mensalidades e contas de serviços, facilitando o controle das despesas e reduzindo esquecimentos. Quando entradas, despesas e investimentos estão organizados ao longo do ano, a declaração do imposto tende a ser apenas um reflexo desses registros.
