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A nova relação do brasileiro com o dinheiro: menos tabu e mais conversa

O Brasil fala mais sobre dinheiro, mas isso não trouxe tranquilidade

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Por Redação Feito.Itaú em
Imagem de uma família sentada à mesa

Falar de dinheiro se tornou mais comum no Brasil — e isso representa uma mudança importante na forma como as pessoas se relacionam com a própria vida financeira. A maior abertura para discutir orçamento, investimento e planejamento indica um movimento de mais consciência e protagonismo no dia a dia. Esse é um dos principais pontos da pesquisa “Consciência e prosperidade: a nova relação do brasileiro com o dinheiro”, realizada pelo Itaú em parceria com o Grupo Consumoteca.

Os dados ajudam a dimensionar essa transformação. Segundo o levantamento, 78% dos brasileiros já falam sobre dinheiro em família, entre amigos ou até nas redes sociais. Ao mesmo tempo, o tema segue presente nas preocupações do dia a dia para 81% da população — o que reforça o papel central que as finanças passaram a ocupar nas decisões cotidianas. O tabu perdeu força e deu lugar a uma relação mais ativa com o dinheiro, em um contexto marcado por novas possibilidades de consumo, acesso à informação e busca por organização.

Esse movimento também ajuda a entender como o dinheiro passou a ocupar um espaço mais amplo na vida das pessoas. Mais do que um tema técnico, ele se conecta a escolhas, prioridades e planos de futuro. A pesquisa mostra que cada vez mais brasileiros enxergam o dinheiro como ferramenta de autonomia, planejamento e construção de longo prazo — um sinal de amadurecimento na forma de lidar com as finanças.

O estudo aponta ainda uma mudança geracional relevante: um em cada três brasileiros afirma ter uma relação com o dinheiro diferente da que viu dentro de casa. Entre os mais jovens, essa transformação aparece com ainda mais força, com uma visão de prosperidade que inclui não só estabilidade, mas também reserva, investimentos, diversificação de renda e qualidade de vida. Na prática, o dinheiro deixa de ser um assunto evitado e passa a integrar a organização da rotina.

Outro dado importante é o interesse crescente por aprendizado. Oito em cada dez entrevistados querem aprimorar a forma como administram o próprio dinheiro, enquanto 82% associam prosperidade à existência de uma reserva de emergência. Isso indica que, para uma parcela significativa da população, segurança financeira está cada vez mais ligada à capacidade de planejar, se preparar para imprevistos e tomar decisões com mais clareza ao longo do tempo.

Jovens ampliam a relação com o dinheiro e buscam novas formas de prosperar

Ao mesmo tempo, a percepção de segurança financeira vem passando por mudanças relevantes. Ter carteira assinada, por exemplo, já não aparece como principal símbolo de estabilidade, especialmente entre os mais jovens. Na apresentação do estudo, a Geração Z se destaca por uma relação mais ativa com o dinheiro: é a faixa etária que mais expressa desejo de prosperar e de assumir o controle da própria vida financeira. Entre esses brasileiros, 31% classificam a preocupação com dinheiro em níveis elevados, o que reforça o quanto o tema está presente no cotidiano.

Esse dado também ajuda a qualificar uma percepção comum de que o acesso à informação, por si só, resolve a relação com o dinheiro. O que a pesquisa indica é um cenário mais complexo: hoje, há mais familiaridade com conceitos financeiros, maior uso de aplicativos e maior exposição a conteúdos sobre o tema. Ao mesmo tempo, transformar esse conhecimento em prática consistente segue sendo um processo em construção para muitas pessoas.

Há ainda um movimento geracional importante. A nova geração não busca apenas reproduzir padrões anteriores, mas construir uma relação própria com o dinheiro. Segundo o estudo, 78% acreditam que terão um padrão de vida melhor, sinalizando uma visão mais ampliada de prosperidade. Nesse contexto, o dinheiro passa a representar não apenas segurança, mas também possibilidade de escolha — seja para formar uma reserva, investir, empreender ou priorizar qualidade de vida.

Esse cenário revela um momento de transição. A busca por organização e controle financeiro convive com o aprendizado contínuo de como transformar intenção em hábito. Mais do que uma contradição, trata-se de um processo de adaptação a novas formas de lidar com o dinheiro, em que informação, acesso a ferramentas e experiência prática se combinam ao longo do tempo.

Ferramentas digitais ajudam na organização do dinheiro

Na leitura de Marina Roale, Head de Insights do Grupo Consumoteca, há uma mudança cultural em curso. Segundo ela, o brasileiro passou a reconhecer o dinheiro como “um espaço legítimo de reflexão, conversa e familiaridade”, rompendo com o tabu histórico que cercava o tema. A fala ajuda a explicar por que o debate sobre finanças ganhou novo lugar no cotidiano: não mais como conversa constrangedora, mas como parte da vida real.

É nesse ponto que o Itaú tenta se inserir de forma mais orgânica, apostando na ideia de que o aplicativo pode ser mais do que um canal transacional e funcionar também como espaço de organização financeira. Esse movimento aparece em diferentes frentes do Superapp, como os Cofrinhos, voltados à formação de reserva e metas, a área de Controle de Gastos, que categoriza despesas e ajuda a visualizar para onde o dinheiro está indo, e experiências de IA que buscam transformar dados em orientação mais contextualizada.

Os próprios dados de uso dessas ferramentas reforçam que o desafio não é apenas tecnológico, mas comportamental. No caso do Controle de Gastos, quase 1 milhão de pessoas acessaram a funcionalidade em cerca de um mês, e metade se surpreendeu ao descobrir onde concentrou mais despesas no período.

Já os Cofrinhos respondem a uma necessidade captada pela própria pesquisa: a valorização da reserva de emergência e do planejamento por objetivos. A ferramenta permite separar dinheiro por metas dentro do app, em uma tentativa de tornar mais concreta uma prática que muitas vezes fica no campo da intenção.

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