O avanço da tecnologia de autenticação biométrica, como o reconhecimento facial e de impressões digitais, trouxe conveniência e segurança. Contudo, ela também se tornou o novo alvo de criminosos. O golpe da biometria é uma modalidade sofisticada de fraude que se baseia na engenharia social para roubar os dados biométricos das vítimas e, com isso, acessar suas contas bancárias, realizar empréstimos e fazer transações.
Dados da Serasa Experian revelam um cenário preocupante: entre janeiro de 2024 e maio deste ano, foram registradas mais de 2,3 milhões de tentativas de fraude envolvendo reconhecimento facial e uso de documentos. Este número representa um crescimento de quase 30% no período, o que equivale a cerca de 11 investidas criminosas por minuto.
Esta modalidade sofisticada de fraude utiliza a chamada engenharia social para manipular as vítimas e roubar seus dados biométricos.
O esquema do golpe: como os criminosos agem
O sucesso deste golpe reside na capacidade do fraudador de manipular a vítima para que esta forneça voluntariamente a sua biometria em um ambiente não seguro.
1. O contato
O criminoso inicia o contato (por telefone, SMS, WhatsApp ou e-mail falso), apresentando-se como funcionário de uma instituição financeira ou de uma empresa parceira. A narrativa utilizada, geralmente, visa gerar urgência ou oferecer uma falsa vantagem.
- Pretexto: Alegam que houve uma tentativa de fraude na conta da vítima, que o cartão foi clonado ou que o iToken precisa de uma "atualização" urgente.
- Falsa vantagem: Prometem a entrega de prêmios, brindes, ou a liberação de benefícios sociais (como o "14º salário" para aposentados) que necessitam de uma "confirmação" de identidade.
2. A indução à biometria
Após ganhar a confiança, o golpista tenta convencer a vítima a realizar um procedimento que, na verdade, é o cadastro ou a coleta da biometria facial ou digital para fins criminosos.
- Selfie de confirmação: Assim, pedem que a vítima tire uma selfie ou faça um pequeno vídeo de reconhecimento, alegando ser uma etapa de segurança para resolver o problema ou para liberar o prêmio. O criminoso pode, inclusive, simular uma chamada de vídeo e gravar a biometria da vítima.
- Link falso: Outro artifício usado é o envio de links que imitam páginas de bancos ou lojas oficiais, induzindo a vítima a inserir os seus dados e a realizar a coleta da biometria naquele ambiente falso.
3. A consequência
Com a biometria e outros dados pessoais obtidos (que muitas vezes incluem o documento de identificação), os criminosos utilizam estas informações para se autenticar em sistemas e aplicações, abrindo contas, contraindo empréstimos e realizando transferências em nome da vítima, que só descobre a fraude ao ser notificada das dívidas ou operações.
Previna-se utilizando a Área de Segurança do SuperApp do Itaú
O Itaú Unibanco tem alertado os seus clientes sobre esta modalidade de fraude e reforça a importância de utilizar os recursos de proteção digital disponíveis, especialmente a Área de Segurança do seu SuperApp. Anote:
1. Regras contra o roubo biométrico
- O Itaú nunca solicitará a sua biometria, senha, código iToken ou qualquer dado pessoal fora das aplicações oficiais, da agência física ou do website seguro. Nunca forneça esses dados a terceiros por telefone, e-mail ou mensagens.
- Se receber uma ligação ou mensagem sobre um problema urgente na sua conta, pare, desligue e contacte o banco diretamente pelos canais oficiais (como o número impresso no verso do cartão), e não o número fornecido pelo suposto golpista.
- Jamais envie selfies com o seu documento de identificação a desconhecidos ou através de links não oficiais, mesmo sob pretexto de receber algum prêmio.
2. Utilize os recursos de proteção
A Área de Segurança do SuperApp Itaú é um centro de controle que permite ao cliente reforçar a sua proteção. Diante disso:
- Acesso ao App com Biometria/Face ID: Certifique-se de que o acesso ao aplicativo está protegido com a biometria do seu próprio aparelho. O sistema do Itaú utiliza a sua biometria para garantir que só o titular acesse à conta no dispositivo cadastrado.
- Ajuste de Limites de transação: Através da aplicação, você pode configurar e reduzir os limites máximos para transações (como Pix ou TED), especialmente nos períodos noturnos. Esta é uma forma de minimizar o prejuízo financeiro, caso um criminoso consiga acessar remotamente à sua conta.
- iToken no App: O iToken é a sua chave de segurança e reside dentro da aplicação oficial. Atenção: nunca esse código será solicitado por telefone ou mensagem.
- Bloqueio e desbloqueio de cartões: Em caso de perda, roubo ou suspeita de fraude, o bloqueio do cartão pode ser feito de imediato e em poucos passos dentro da área de segurança da aplicação.
Fui Vítima. O que fazer?
A ação rápida é crucial para mitigar danos:
- Comunique ao banco imediatamente: Entre em contato pelos canais oficiais do Itaú para relatar o ocorrido e solicitar o bloqueio de contas e cartões.
- Registre um Boletim de Ocorrência (B.O.): Faça o registro na delegacia mais próxima, preferencialmente em uma especializada em crimes cibernéticos, documentando a fraude.
A prevenção e o uso consciente dos canais digitais são a sua melhor defesa
Em caso de suspeita ou de ter sido vítima do golpe, deve contactar o banco de imediato para bloquear contas e cartões, e registar um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil. A prevenção e o uso consciente dos canais digitais são a sua melhor defesa.
