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Aposentadoria é o momento de gastar ou de preservar patrimônio?

Quem chega aos 60 anos tem, em média, mais 22 anos de vida pela frente. Entender isso pode mudar a forma de pensar o dinheiro acumulado ao longo da vida.

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Quem chega aos 60 anos de idade pode viver no Brasil, em média, mais de duas décadas, segundo o IBGE. O levantamento Tábuas de Mortalidade de 2024 – recorte mais recente – indica uma média total de 22,6 anos, sendo 20,8 para os homens e 24,2 para as mulheres.

Esse número pode surpreender e é exatamente ele que precisa estar na mesa quando alguém decide o que fazer com o patrimônio que passou a vida construindo. E a tensão que muita gente sente nesse momento tem fundamento.

A pesquisa “Consciência e prosperidade: nova relação do brasileiro com o dinheiro”, realizada pelo Itaú em parceria com o grupo Consumoteca em 2025, mostra que 82% dos brasileiros associam ter uma reserva financeira à sensação de segurança, e 72% relacionam essa segurança a ter um plano de previdência.

Sendo assim, guardar faz sentido, mas sem saber para quê, por quanto tempo e em que condições, pode ser tão limitante quanto gastar sem critério.

Um dado que contraria o que a gente imagina

No livro “Brasil no Espelho”, elaborado pelo cientista político e sócio-fundador da Quaest, Felipe Nunes, o autor apresenta um retrato que complica a narrativa comum sobre dinheiro e idade, com base em pesquisa nacional realizada em 2024.

Segundo os dados levantados, 80% dos brasileiros acham que dinheiro é para gastar, e essa postura, de acordo com Felipe, pode variar tanto pela renda quanto pela geração.

“Nossa relação com o dinheiro é condicional ao poder aquisitivo e à idade: os mais pobres e os mais velhos gastam, os mais ricos e os jovens acham que é preciso poupar para o futuro”, escreve Nunes.

O autor é cuidadoso ao interpretar esse resultado. Para ele, é “difícil saber as razões para esse resultado, embora o mesmo sugira que a falta de recursos acabe por dificultar a poupança dos mais pobres, e a menor perspectiva de tempo desestimule a poupança dos mais velhos”.

Em outras palavras, a sensação de que o horizonte pela frente é mais curto pode influenciar a forma como a geração mais velha lida com o dinheiro, mesmo quando esse horizonte, na prática, ultrapassa duas décadas.

Nesse ponto, gastar com mais liberdade na aposentadoria pode ser totalmente legítimo, desde que exista uma estrutura que sustente os anos seguintes.

Pensar o patrimônio em camadas muda a decisão

Boa parte da dificuldade em decidir entre gastar e guardar pode estar relacionada ao fato de tratar o patrimônio como um número único.

Afinal, quando tudo está junto, qualquer gasto deve parecer estar tirando da reserva de longo prazo.

E uma maneira mais clara de organizar esse montante está em separar o patrimônio em camadas com funções distintas, como:

  • o que sustenta o dia a dia: moradia, saúde, alimentação e compromissos recorrentes. Esse bloco precisa estar acessível sempre que necessário;
  • a reserva para imprevistos: um valor dedicado exclusivamente a emergências, separado do orçamento mensal e intocado na rotina;
  • o que pode trabalhar pelo futuro: o patrimônio que não será necessário nos próximos anos pode continuar rendendo, protegendo o poder de compra contra a inflação ao longo do tempo.

Quando cada parte do dinheiro tem uma função clara, gastar o que é para gastar fica mais tranquilo, porque você sabe exatamente o que está preservando para mais à frente.

Investir na aposentadoria ainda faz sentido — e há opções acessíveis

A pesquisa “Consciência e prosperidade” mostra que 83% dos brasileiros reconhecem que investir é essencial para o futuro financeiro. Entre os Boomers, a geração mais próxima da aposentadoria, esse índice cai para 77%.

Essa queda pode refletir uma hesitação real, mas também um risco: abrir mão de fazer o patrimônio render justamente quando ele precisa durar mais tempo.

Organizar o que vai ficar para a família

Para quem tem patrimônio acumulado, entre imóveis, investimentos e poupança, a aposentadoria é também o momento em que essa conversa deixa de ser algo para depois.

O planejamento sucessório envolve aspectos jurídicos, tributários e patrimoniais que variam conforme o tipo de bem e o perfil familiar, por isso o ideal é iniciá-lo com orientação adequada. O  Superapp Itaú tem caminhos para começar essa conversa.

Quem chega à aposentadoria com o patrimônio organizado por objetivo, tranquiliza a dúvida entre gastar e guardar. A escolha existe, mas com contorno claro. E isso, na prática, é o que torna essa fase mais leve.

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