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Mais brasileiros trabalham para clientes no exterior e precisam lidar com câmbio e impostos

Demanda internacional por profissionais do país cresceu 53% em 2025; estruturar contas e organizar rendimentos é fundamental

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Por Redação Feito.Itaú
Publicado em Atualizado em
Imagem de homem em mesa de trabalho
Imagem gerada por IA

Quando decidiu buscar clientes fora do Brasil, o filmmaker e editor de vídeos Matheus Melo já acumulava mais de uma década de experiência no audiovisual. Natural de Belém, no Pará, e formado em publicidade, ele sempre trabalhou com produção e edição de conteúdos, mas foi durante a pandemia de covid-19 que passou a olhar com mais atenção para o mercado internacional.

“Eu estava prestes a encerrar um contrato que tinha certa regularidade e comecei a pensar no que faria dali em diante para manter uma segurança financeira”, lembra. Ao perceber que as oportunidades no mercado interno estavam limitadas, decidiu ampliar os horizontes. “Pensei: se já vou enfrentar dificuldades aqui, por que não tentar o mercado internacional?”, conta.

A mudança exigiu pesquisa e adaptação. Matheus passou a estudar plataformas de contratação, padrões de pagamento e as questões financeiras envolvidas nesse tipo de trabalho. “Fui atrás de entender taxas, burocracias e como funcionavam os pagamentos internacionais. Algumas coisas eram novas até para o meu contador naquele momento”, relata.

Hoje, o filmmaker presta serviços para clientes estrangeiros e recebe por meio de plataformas digitais que intermediam pagamentos entre países. “Eu crio um cadastro na plataforma, vinculo a conta da empresa aqui e o sistema gera um canal internacional para receber pelo trabalho prestado”, explica.

Assim como ocorreu com Matheus, cada vez mais brasileiros têm ampliado suas fronteiras profissionais. No ano passado, a demanda internacional por talentos do Brasil cresceu 53%, enquanto o número de empresas brasileiras contratando trabalhadores no exterior aumentou 28%, segundo o Relatório de Contratações Internacionais 2025 da Deel, plataforma mundial de recursos humanos.

Transformação no mercado de trabalho

Segundo o contador e planejador financeiro Lucas Quaresma, o crescimento desse tipo de renda está diretamente ligado à transformação do mercado de trabalho. “Estamos entrando cada vez mais na era do mercado de trabalho global. A pandemia acelerou muito a adoção do trabalho remoto e a evolução das tecnologias digitais tornou muito mais fácil trabalhar para empresas de qualquer lugar do mundo”, analisa.

Para empresas estrangeiras, contratar no Brasil pode significar acesso a profissionais qualificados com custos competitivos. Para os trabalhadores brasileiros, esse movimento também representa vantagens. “Quando profissionais brasileiros recebem em moedas fortes, como dólar ou euro, muitas vezes acabam aumentando o poder de compra quando esses valores são convertidos para reais”, afirma Quaresma.

O mesmo levantamento da Deel também revela que a internacionalização aparece até na forma de pagamento. Em 2025, cerca de 40% dos profissionais brasileiros que atuaram para empresas estrangeiras receberam em dólar, enquanto a maioria (55%) foi remunerada em reais. Uma parcela ainda pequena, de 0,4%, utilizou criptoativos.

O Brasil possui características que favorecem esse movimento de globalização do trabalho, como uma base ampla de profissionais em áreas digitais e um fuso horário relativamente próximo de mercados estratégicos, como Estados Unidos e diversos países da Europa.

Caminhos para receber pagamentos internacionais

Existem diferentes formas de estruturar o recebimento de pagamentos do exterior. A escolha depende, principalmente, do volume e da frequência dos valores. “Uma solução que funciona bem para quem recebe valores esporádicos pode não ser eficiente para quem recebe pagamentos recorrentes ou de maior volume”, pondera o planejador financeiro.

Os caminhos que costumam aparecer com mais frequência são:

1. Recebimento direto pelo seu banco no Brasil

Com bancos como o Itaú, é possível enviar e receber transferências internacionais diretamente na sua conta. O valor é convertido para reais com uma operação de câmbio, permitindo centralizar a gestão financeira no mesmo lugar. Também é possível realizar a compra de câmbio em espécie no app, com possibilidade de retirar em caixas eletrônicos ou em uma agência Itaú

2. Plataformas especializadas em pagamentos internacionais

Esses serviços atuam como intermediários no recebimento do exterior, cuidando da conversão e do envio dos valores. Ao usar sua conta no Itaú como destino, você mantém todos os recebimentos concentrados em um só lugar, o que simplifica a gestão e o acompanhamento pelo app.

“A melhor escolha depende de três variáveis principais: volume, frequência dos recebimentos e custo da conversão cambial”, resume o especialista.

O que acontece quando o dinheiro chega ao Brasil?

Independentemente da estrutura escolhida, existe um ponto comum em praticamente todos os casos: o câmbio. Quando o pagamento chega em moeda estrangeira, é necessário realizar uma operação de conversão para reais, caso o profissional queira utilizar os recursos no Brasil.

Segundo Lucas Quaresma, três fatores influenciam diretamente o valor final recebido: a cotação da moeda no momento da conversão, a taxa de câmbio aplicada pela instituição financeira e eventuais tarifas operacionais da transação. “Ou seja, o valor final não depende apenas da cotação do dólar ou do euro. Também entram na conta as condições aplicadas pela instituição que realiza a conversão”, ressalta.

Por isso, entender o custo total da operação é fundamental. Muitas pessoas observam apenas tarifas fixas, mas o maior impacto financeiro costuma estar na taxa de conversão. “É a diferença entre o câmbio de mercado e o câmbio efetivamente aplicado. É como um frete que você paga para receber aquela remessa”, compara o planejador financeiro.

Pessoa física ou empresa: qual modelo escolher?

Entre as decisões de quem começa a receber pagamentos do exterior está a escolha da estrutura jurídica. A definição entre atuar como pessoa física ou por meio de uma empresa depende, principalmente, da regularidade da atividade.

Quando os pagamentos são eventuais ou representam apenas uma renda complementar, a estrutura de pessoa física costuma ser suficiente. Já quando os serviços passam a ser recorrentes ou representam uma parcela significativa da renda, a pessoa jurídica tende a oferecer uma organização financeira mais adequada.

“Um designer que faz projetos pontuais para clientes no exterior pode trabalhar como pessoa física. Já um desenvolvedor que presta serviços continuamente para empresas estrangeiras tende a se beneficiar mais de uma estrutura empresarial”, destaca o contador.

Imposto de renda e organização fiscal

Pagamentos vindos do exterior também envolvem responsabilidades fiscais. Quando os valores entram como pessoa física, normalmente há incidência de imposto de renda por meio do Carnê-Leão, mecanismo que prevê o recolhimento mensal obrigatório do tributo por residentes no Brasil que obtêm rendimentos de outras pessoas físicas ou de fontes internacionais.

Além disso, esses valores precisam ser informados na declaração anual de imposto de renda. Ignorar essa etapa pode gerar problemas futuros. “Muita gente deixa de fazer o recolhimento mensal do imposto sobre rendimentos do exterior. Isso costuma acontecer por falta de informação ou de estrutura no início”, alerta Quaresma.

No caso de Matheus Melo, a organização contábil foi fundamental para evitar dores de cabeça. “Hoje eu trabalho com uma contadora especializada em tributação internacional exatamente para não deixar passar nada batido”, comenta o filmmaker.

Organização financeira faz diferença

Receber em moeda estrangeira pode abrir oportunidades interessantes, mas também exige planejamento. A variação do câmbio, por exemplo, influencia diretamente o orçamento de quem vive no Brasil e tem renda em dólar ou euro. Nesses casos, as oscilações da moeda passam a fazer parte do planejamento financeiro do profissional.

Em alguns momentos, a alta do câmbio aumenta o valor efetivo da renda quando convertida para reais. Em outros, reduz o poder de compra. Por isso, acompanhar o momento da conversão e entender a estrutura financeira utilizada faz diferença no resultado final.

Nesse contexto, contar com soluções que permitem acompanhar e movimentar valores em moeda estrangeira pode facilitar a organização e dar mais previsibilidade ao fluxo financeiro do dia a dia.

Ferramentas que podem facilitar pagamentos internacionais

Para quem precisa enviar ou receber recursos do exterior, o Itaú oferece soluções completas em câmbio e transferências internacionais, integradas à sua rotina financeira. Entre elas, estão:

Transferência internacional: permite enviar e receber valores entre países com acompanhamento do status em tempo real e possibilidade de realizar operações diretamente pelo app, de maneira simples e segura. Em alguns casos, as transferências podem ser concluídas em poucos minutos, dependendo da operação.

Câmbio Itaú: reúne as soluções de compra e venda de moeda estrangeira e conversão entre real e outras moedas, com acesso às taxas e condições pelo Superapp ou internet banking. Isso permite acompanhar o mercado e escolher o melhor momento para realizar a operação.

Disponíveis para pessoas físicas e empresas, essas ferramentas ajudam profissionais que mantêm relações financeiras com outros países a acompanhar as operações cambiais e organizar melhor o fluxo de pagamentos.

Dicas para organizar melhor rendimentos do exterior

Ganhos vindos do exterior podem representar um passo importante na carreira, desde que a organização financeira acompanhe essa mudança. Confira, a seguir, algumas ações que ajudam nesse processo:

1. Entenda o custo total do câmbio

Não observe apenas tarifas fixas. Compare também a taxa de conversão aplicada.

2. Organize a tributação desde o início

Se receber como pessoa física, fique atento ao recolhimento mensal do imposto de renda via Carnê-Leão.

3. Separe as finanças pessoais e profissionais

Manter contas separadas ajuda a acompanhar melhor entradas, despesas e impostos.

4. Pense no longo prazo

Para quem pretende viajar com frequência, morar fora ou manter patrimônio internacional, pode fazer sentido utilizar estruturas que permitam manter parte dos recursos em moeda estrangeira.

5. Busque orientação especializada

Contadores ou planejadores financeiros podem ajudar a estruturar a operação e evitar problemas fiscais no futuro.

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