Na hora de adotar um pet, o que mais define se a adoção vai dar certo é o que acontece antes da chegada do bichinho de estimação ao novo lar.
Uma pesquisa da GoldeN em parceria com a Opinion Box, divulgada pela CNN Brasil, em 2025, mostra que 41% dos tutores não enfrentam nenhuma dificuldade depois de adotar. Sendo que 90%, daqueles que já adotaram um animal, adotaria outro animal novamente.
Entretanto, esse mesmo levantamento aponta outro lado da história: os principais motivos que levam alguém a devolver um pet são gastos inesperados de saúde (22%) e a dificuldade de adaptação nos primeiros meses (26%).
Ou seja, o que costuma faltar não é vontade, mas sim planejamento. E é esse recorte que guia o passo a passo a seguir: o que organizar antes de trazer o pet para casa, o que colocar na conta e como reduzir o risco de ser pego de surpresa mais adiante.
Serve para orientar tanto quem já escolheu um filhote quanto quem está considerando um pet mais velho, resgatado da rua, ou um pet com deficiência – que costumam esperar mais tempo por adoção justamente pela falta desse tipo de planejamento prévio.
Se esse for o seu caso, antes de definir a rotina, um cuidado a mais é conversar com a ONG ou o protetor sobre as necessidades específicas do animal, para calibrar desde o início o que muda no dia a dia, desde o espaço em casa ao orçamento com a saúde do pet.
1. Avalie sua rotina e o espaço para o pet que você tem em mente
Antes de escolher o animal, escolha o tipo de rotina que você pode oferecer. Quanto tempo ele vai ficar sozinho? Há espaço em casa para uma caixa de areia, uma cama do tamanho certo, uma área reservada para as necessidades?
Se você estiver considerando um pet com deficiência, esse diagnóstico ganha um passo a mais. O ideal é manter uma rotina compatível com as limitações do animal, algo possível até para quem trabalha fora o dia inteiro, desde que os ajustes certos sejam feitos.
2. Priorize a adoção e esteja aberto a diferentes perfis de animais
Adotar, em vez de comprar, é uma escolha que pode reduzir os custos iniciais e ainda oferecer um novo lar a um animal. Ao considerar diferentes idades, portes e características, você amplia as chances de encontrar um pet compatível com sua rotina e seu orçamento.
Uma ideia é considerar a busca para além dos filhotes: animais idosos, com deficiência ou com histórico de maus-tratos costumam esperar muito mais tempo por um lar, mesmo tendo o mesmo potencial de afeto que qualquer outro pet.
Por isso, ONGs especializadas e projetos para inclusão de pets com deficiência, como o Love que Transforma da PetLove, fazem essa ponte entre tutores interessados e animais disponíveis, além de dar suporte contínuo depois da adoção.
3. Organize a documentação e prepare a casa
Antes da chegada do bichinho, alguns itens entram na lista de preparação, entre os documentos necessários e os possíveis ajustes a serem feitos no espaço:
- documentação pessoal: RG, CPF e comprovante de residência à mão, já que as ONGs, especialmente as que cuidam de pets com deficiência, costumam pedir esses documentos. Aqui, também costuma rolar uma entrevista antes de fechar a adoção, exatamente para evitar um segundo abandono;
- itens básicos do novo lar: cama adequada ao tamanho do pet, potes de água e ração, tapete higiênico ou caixa de areia;
- vistoria de segurança: casa livre de fios soltos, quinas perigosas e frestas em janelas;
- ajustes para mobilidade reduzida: pisos antiderrapantes e rampas de acesso a sofás e camas;
- ajustes para pets cegos ou surdos: evitar mudar os móveis de lugar depois que ele já tiver chegado ao espaço.
4. Monte o orçamento de entrada
No primeiro momento costuma entrar na conta as despesas iniciais com cama, potes, coleira ou guia, brinquedos, tapete higiênico ou caixa de areia e a primeira ração. Com o tempo, esses itens podem ser substituídos também com planejamento.
Se o pet tiver necessidades especiais, itens como cadeira de rodas adaptada, tapetes emborrachados extras ou brinquedos adaptativos devem fazer parte dessa conta inicial.
Aqui, uma dica é pesquisar os preços desses materiais com calma antes da adoção, sem aquele oba-oba da primeira semana, a fim de evitar gastos desnecessários por impulso.
Vacinas (múltipla e anti rábica), vermífugo, anti pulgas e microchipagem são obrigatórios em algumas cidades, mas recomendados em todas. Por sinal, como são custos previsíveis, podem entrar na planilha do mês.
Já para pets com deficiência, some a isso consultas com especialistas, fisioterapia ou acupuntura, que tendem a se repetir ao longo da vida do animal, e não ocasionalmente.
6. Avalie um plano de saúde pet
Aqui mora um dos motivos pelo número de devolução de pets no Brasil: gastos de saúde inesperados.
Um plano de saúde pet transforma consultas de urgência, exames e internações numa mensalidade fixa, no lugar de um gasto que pega o bolso de surpresa.
Isso vale ainda mais para quem está pensando em adotar um pet que vai precisar de acompanhamento contínuo. Lembrando que, assim como nos planos de saúde, podem ser incluídas despesas adicionais de coparticipação.
7. Prepare-se para os primeiros dias
Reserve tempo para a fase de adaptação, já que é normal o pet estranhar o novo lar nas primeiras semanas, e isso vale ainda mais para um animal que já passou por abandono ou maus-tratos.
Ir aumentando aos poucos o tempo em que ele fica sozinho, começando por períodos curtos, ajuda a prevenir crises de ansiedade de separação mais à frente.
Para pets com deficiência, esse período de adaptação tende a pedir ainda mais paciência: um ambiente calmo e horários previsíveis nos primeiros dias fazem toda diferença na construção da confiança.
8. Deixe uma reserva para imprevistos
Mesmo com plano de saúde, é bom manter uma reserva mínima disponível, seja para um petisco terapêutico, um item extra de adaptação da casa, ou uma sessão avulsa de fisioterapia.
Pequenos imprevistos vão acontecer, e ter esse colchão evita que eles virem motivo de estresse.
Para isso, os Cofrinhos podem servir para juntar as despesas por diferentes categorias, facilitando na hora de fazer algum pagamento emergencial.
Com a rotina desenhada, a documentação organizada e o orçamento no papel, falta apenas abrir espaço, na casa e na agenda, para o novo melhor amigo.
