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Dólar em alta e Bolsa em queda: como isso afeta o seu dinheiro?

No início da semana após as eleições a Bolsa registrou sua maior queda diária desde março de 2020, enquanto o dólar teve sua maior valorização percentual em um único dia desde janeiro de 1999. Mas o que isso quer dizer para quem tem ou não tem dinheiro investido em ações?

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Imagem de uma mulher analisando gráficos no computador
Imagem gerada por IA

O mercado financeiro brasileiro teve, no início da semana após as eleições, forte movimentação. No primeiro pregão após a definição da eleição presidencial de 2026, o dólar subiu 8,21%, para R$ 5,403, enquanto o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608,23 pontos. O movimento ocorreu em meio à revisão das expectativas dos investidores para a condução da política econômica nos próximos quatro anos.

O resultado chama atenção porque a Bolsa registrou sua maior queda diária desde março de 2020, enquanto o dólar teve sua maior valorização percentual em um único dia desde janeiro de 1999. Mas uma variação expressiva em uma sessão não significa, necessariamente, que uma nova tendência tenha começado. Para entender o que está acontecendo, é preciso olhar para os fatores que influenciam as expectativas dos investidores.

O que aconteceu no mercado?

O principal movimento foi a forte queda das ações brasileiras, acompanhada de uma valorização expressiva do dólar, após a confirmação do resultado das eleições presidenciais.

No câmbio, o dólar passou de R$ 4,993 no fechamento de sexta-feira, 23 de outubro, para R$ 5,403 na segunda-feira, 26, uma alta de 8,21%. Durante a manhã, chegou a ultrapassar R$ 5,60, antes de reduzir parte dos ganhos. O comportamento da moeda é acompanhado de perto porque o dólar não é importante apenas para quem vai viajar ou comprar produtos no exterior. Ele também influencia empresas que importam produtos e insumos, preços de algumas commodities, combustíveis e, de forma indireta, a inflação.

Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 13,88%, para 176.608,23 pontos. O indicador reúne ações de empresas negociadas na B3 e funciona como uma espécie de termômetro do desempenho dos papéis mais relevantes do mercado acionário brasileiro.

A queda começou logo na abertura do pregão e levou a Bolsa a interromper temporariamente as negociações. Após a retomada, o Ibovespa chegou a recuar 17,34%, atingindo 169.516,43 pontos no pior momento do dia. Ao longo da sessão, parte das perdas foi reduzida, mas o índice encerrou o pregão com sua maior desvalorização diária desde o início da pandemia de Covid-19.

A movimentação atingiu diferentes setores, especialmente empresas mais sensíveis às expectativas para os juros e a atividade econômica. Como o Ibovespa é formado por companhias com pesos diferentes, oscilações intensas de algumas das maiores empresas podem alterar significativamente o resultado do índice.

O que é circuit breaker?

O circuit breaker é um mecanismo de proteção da B3 que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas. Seu objetivo é oferecer uma pausa para que os investidores possam reavaliar informações e decisões em momentos de instabilidade. Quando o índice cai 10% em relação ao fechamento anterior, as operações são suspensas por 30 minutos. Se, após a retomada, a queda atingir 15%, ocorre uma nova interrupção, de uma hora. Caso o recuo chegue a 20%, a B3 pode determinar outra suspensão, por um período definido pela própria Bolsa. O mecanismo foi acionado em 26 de outubro pela primeira vez desde março de 2020.

Por que o mercado reagiu dessa forma?

Mercados financeiros respondem principalmente às expectativas sobre o futuro.

Por isso, nem sempre uma forte alta ou queda está relacionada a uma notícia sobre a economia brasileira divulgada naquele mesmo dia. Os investidores também podem estar reagindo a uma informação que muda suas perspectivas para os próximos meses.

Entre os fatores que podem explicar esses movimentos estão:

● decisões e expectativas sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos;

● dados de inflação e atividade econômica;

● mudanças nas projeções para o crescimento da economia;

● decisões ou declarações de governos e bancos centrais;

● cenário fiscal brasileiro;

● comportamento dos mercados internacionais;

● preços de petróleo, minério de ferro e outras commodities;

● tensões geopolíticas;

● resultados e perspectivas de grandes empresas;

● entrada ou saída de recursos estrangeiros.

Neste caso, o mercado reagiu principalmente à reeleição de Lula, confirmada no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que haviam ajustado suas posições considerando a possibilidade de vitória do candidato Flávio Bolsonaro.

Com a confirmação da continuidade do atual governo, houve uma rápida revisão dessas estratégias, acompanhada de preocupações com a trajetória das contas públicas, o endividamento do governo e as perspectivas para os juros.

O programa de governo apresentado por Lula para o próximo mandato prevê a continuidade de políticas sociais, investimentos públicos e estímulos à atividade econômica, além do compromisso com a sustentabilidade fiscal. Para os investidores, uma das principais questões é como essas prioridades serão conciliadas com o controle das despesas e da dívida pública.

A definição da equipe econômica e a apresentação de medidas mais detalhadas para o próximo mandato devem ajudar a esclarecer essas expectativas.

E o que aconteceu lá fora?

O comportamento dos mercados internacionais também ajuda a explicar movimentos mais fortes no Brasil.

Na segunda-feira, as bolsas dos Estados Unidos e da Europa apresentaram desempenho positivo, em contraste com as fortes perdas registradas no mercado brasileiro. Isso indica que o principal fator por trás da turbulência doméstica foi o resultado das eleições e a revisão das expectativas para a economia brasileira.

Ainda assim, o ambiente internacional continua relevante. Mudanças nas taxas de juros dos Estados Unidos, nas perspectivas para a economia global e na disposição dos investidores para assumir riscos podem influenciar o fluxo de recursos destinado a países emergentes, como o Brasil.

O efeito também pode aparecer nos preços das commodities. Como o Brasil é um importante exportador de produtos como minério de ferro, petróleo e produtos agrícolas, mudanças nos preços internacionais podem afetar empresas brasileiras, o fluxo de dólares para o país e, consequentemente, o mercado financeiro.

O que isso tem a ver com o seu dinheiro?

Uma forte movimentação na Bolsa ou no dólar pode parecer distante da rotina de quem não investe diretamente nesses mercados. Mas seus efeitos podem chegar à economia real.

O câmbio é um dos exemplos mais claros. Quando o dólar sobe, produtos importados e insumos comprados no exterior podem ficar mais caros. Dependendo do produto e das condições do mercado, isso pode pressionar preços de bens de consumo, combustíveis e outros itens. Quando o dólar cai, esses custos podem diminuir, embora a redução nem sempre seja repassada imediatamente ao consumidor.

A Bolsa também funciona como um termômetro das expectativas sobre empresas e sobre a economia. Quando o Ibovespa sobe, significa que o conjunto das ações que compõem o índice se valorizou, indicando uma percepção mais favorável dos investidores em relação àqueles ativos. Quando cai, mostra que essas ações perderam valor, geralmente em resposta a mudanças nas expectativas sobre lucros, juros, riscos ou perspectivas econômicas.

Uma queda forte não significa que todos os investimentos perderam valor nem que a economia entrou em crise. Da mesma forma, uma alta expressiva em um único pregão não significa que todos os investidores estejam ganhando dinheiro.

Para quem investe, o impacto depende dos ativos que fazem parte da carteira. Quem possui ações pode sentir diretamente as oscilações do mercado. Já quem investe em renda fixa pode ter uma exposição muito diferente a esse tipo de movimento.

Um dia de alta ou queda não conta toda a história e, por isso, é importante evitar conclusões a partir de um único pregão.

O mercado pode subir ou cair de maneira significativa em resposta a uma notícia e, nos dias seguintes, devolver parte desse movimento. Por isso, além da variação diária, vale observar o desempenho acumulado no mês e no ano e, principalmente, se houve mudança nas expectativas para os próximos meses.

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