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Itens colecionáveis: o que faz uma coleção valer mais do que o seu preço

Por que, para quem coleciona, o afeto vem antes do mercado — e como o equilíbrio financeiro faz parte de colecionar bem.

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Por Redação Feito.Itaú
Publicado em Atualizado em
Imagem de mulher olhando um action figure
Imagem gerada por IA

Todo colecionador tem uma peça que não está à venda, aquela que nenhum valor de mercado faz mudar de mãos. É nesse ponto que vive o que há de mais particular no colecionismo: o valor afetivo de um item quase nunca coincide com o seu preço, e saber equilibrar os dois é o que torna o hobby sustentável ao longo do tempo.

Entender essa fronteira ajuda a enxergar o que faz uma coleção valer mais do que parece – e por que, para tanta gente, ela é, ao mesmo tempo, memória e patrimônio.

Quem é o público geek brasileiro

Ser geek deixou de ser rótulo de nicho para virar identidade assumida com orgulho – tanto que a comunidade tem data no calendário: o Dia do Orgulho Nerd, celebrado em 25 de maio. E os números mostram o tamanho desse afeto coletivo:

Orgulho geek: 57,4% dizem ter orgulho de ser geek, com millennials e Geração Z no centro do movimento (Geek Power 2024 — Omelete Company + Go Gamers, 7.281 participantes);

Mulheres protagonizam: 57% são mulheres, que consolidam protagonismo na comunidade e exercem influência direta nas decisões de compra (Geek Power 2025);

Faixa etária: 55% têm entre 22 e 39 anos — a geração que cresceu com esses universos e hoje tem renda para colecionar (Geek Power 2024).

Anderson Moura é parte desse retrato: tem 42 anos, coleciona desde criança e construiu, com gibis, uma relação que atravessa décadas.

A memória como ponto de partida

Ele começou a colecionar em 1994, aos 10 anos, numa trajetória que se confunde com sua própria formação como leitor. “Colecionei de tudo, desde Turma da Mônica e Disney, passando por Marvel, DC, alternativas e outras mais”, conta.

Hoje, curador do Sebo do Anderson, em Recife, e do Instagram Nerdpoesia, ele transformou a paixão em profissão, mas o ponto de partida foi sempre o mesmo: o vínculo com a história guardada em cada página.

Quem vê esse padrão se repetir o tempo todo é o jornalista especializado em cultura pop e colecionador há mais de 30 anos, Fabricio Marvel. Ele é criador do canal Comics, Toys & Travels, com mais de 150 milhões de visualizações.

Segundo ele, as pessoas geralmente começam uma coleção por paixão: por um personagem, uma história, um filme ou uma lembrança importante da infância. “É essa conexão emocional que faz alguém procurar uma peça específica e mantê-la por muitos anos”, avalia.

Ele credita boa parte da própria leitura de mercado ao fato de ser fã antes de ser analista: “Sou colecionador muito antes de ser jornalista”, revela Fabricio.

O que o balcão revela sobre o coração das pessoas

No dia a dia do sebo, Anderson tem um observatório privilegiado do que move os colecionadores. “Atualmente as pessoas buscam mais mangás, e isso mostra uma mudança em hábitos de leitura”, observa.

Mas o passado não sai de cena: “Ainda é comum pessoas procurando gibis que leram na juventude, principalmente entre os anos de 1980 e 90. Vivemos num momento onde a nostalgia está em alta”, avalia o colecionador.

O que ele vê no balcão acompanha o comportamento que as pesquisas mapeiam:

  • Cada geração tem sua entrada: os mais jovens se identificam como gamers (38,9% da Geração Z) e otakus; os mais velhos, como cinéfilos (30,9% da Geração X) e seriemaníacos (26,1% dos baby boomers) (Geek Power 2024);
  • Animes e mangás: 47% acompanham animes e mangás, com Naruto e One Piece à frente (Geek Power 2024);
  • Experiências transmídia: 78,9% têm música no dia a dia e circulam entre séries, filmes, jogos e leitura (Geek Power 2025);
  • Nostalgia, inclusão e diversidade: despontam como pilares essenciais do vínculo do público com marcas e produtos (Geek Power 2025).

A procura por mangás que Anderson nota no balcão e os fregueses atrás dos gibis dos anos 1980 e 90 são as duas pontas dessa mesma tabela: cada geração buscando o que marcou a sua época.

Quando o afeto e o dinheiro precisam conversar

Se a paixão move a coleção, o valor financeiro também faz parte da história. Fabricio é direto sobre essa convivência: existe sempre, diz ele, aquela peça que o dono jura que “não vende por dinheiro nenhum no mundo", porque "o significado emocional é maior do que qualquer valor financeiro”.

Ainda assim, o valor afetivo e o financeiro “caminham juntos, mas em proporções diferentes”, comenta Fabricio. Para ele, o afeto motiva a compra e a permanência da peça, enquanto o dinheiro “acaba sendo uma consequência, que pode se tornar importante em determinadas circunstâncias”.

Ele enxerga essa convivência com naturalidade. Ao longo dos anos conheceu colecionadores para quem o acervo se revelou, em determinado momento, também um recurso valioso.

“Fica evidente que, além do valor afetivo, existe também um patrimônio construído ao longo do tempo”, pondera. Uma coleção, nessa leitura, é uma história pessoal e, ao mesmo tempo, um investimento de tempo, dedicação e recursos.

Esse compromisso aparece também no quanto o público está disposto a investir naquilo que ama – e na forma como o item físico ganhou novo valor na era digital.

Renda: 61% destinam parte da renda a produtos ligados à cultura pop, motivados por colecionismo, experiências compartilhadas e reforço da identidade. (Geek Power 2025 — Omelete Company + Go Gamers, ~3.000 participantes)

Poder aquisitivo: 20% pertencem à classe A, sinal do aumento do poder aquisitivo do público. (Geek Power 2025)

Item físico: virou símbolo da vivência online, registrando crescente demanda por produtos licenciados, colecionáveis e drops especiais. (Geek Power 2025)

Escala do mercado: o varejo de produtos licenciados no Brasil – que inclui o universo geek – movimentou US$ 7,4 bilhões, deixando o país entre os dez maiores do mundo. (Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens — 2024)

Anderson conhece esse duplo valor na prática, já que sua própria trajetória nasce desse encontro entre afeto e circunstância.

Parte do acervo que guardava na casa da mãe acabou comprometida pela falta de manutenção ao longo do tempo, e, em 2016, ele precisou se desfazer dela.

A venda foi rápida e por um bom preço – e foi justamente essa experiência que, por sugestão da esposa, o levou a enxergar no universo geek uma oportunidade de negócio.

Hoje, como lojista, ele mantém a coleção pessoal afastada do acervo do sebo. “Em alguns momentos mais necessários de grana, eu tiro algo pessoal meu e ponho à venda. Mas faço de tudo pra não ter que passar por isso”, revela Anderson.

Como entrar (ou ir mais fundo) nesse universo

Seja por nostalgia, seja por uma paixão nova, mergulhar no colecionismo é mais gratificante – e mais seguro – quando se combina entusiasmo com um pouco de método. Algumas dicas de quem vive o hobby por dentro:

Estude antes de comprar. Acompanhe canais especializados, coberturas de eventos e a história das franquias que você curte. Quanto mais repertório, melhor a leitura sobre o que é uma edição relevante, uma tiragem limitada ou uma peça com apelo duradouro;

Frequente eventos e comunidades. Convenções como a CCXP, feiras, sebos e grupos online são onde o colecionador aprende, troca, encontra raridades e descobre o que está movendo o público;

Cuide da conservação. O estado de um item pesa tanto no valor afetivo quanto no de mercado. Armazenamento adequado, proteção contra umidade e manuseio cuidadoso preservam a coleção ao longo dos anos;

Separe o que é coleção do que é orçamento. Definir quanto se pretende gastar com o hobby a cada mês evita que a paixão atropele as contas — e deixa a experiência mais leve.

Quando o cuidado financeiro também é cuidado com a coleção

Uma coleção é, ao mesmo tempo, memória e patrimônio. Por isso, organizar o dinheiro ao redor dela ajuda a aproveitar o hobby com tranquilidade, guardando para a próxima peça, para a viagem até um evento ou simplesmente para imprevistos da vida.

É aí que o Itaú pode ajudar a organizar a vida financeira ao redor do hobby. Nos Cofrinhos, dá para criar uma meta – “próxima HQ”, “ingresso da CCXP”, “reserva de emergência” – e guardar dinheiro rendendo 100% do CDI até chegar lá.

No Superapp, o Itaú Shop oferece cashback em pontos Itaú em lojas parceiras – uma forma de recuperar parte do valor em compras do dia a dia, que pode render a próxima peça da coleção.

No fim, cuidar do bolso é também uma forma de cuidar da coleção: com a vida financeira organizada, o afeto segue no comando e o dinheiro entra como apoio.

 

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