Em fevereiro de 2026, uma única carta de Pokémon, a raríssima Pikachu Illustrator, foi vendida por US$16,492 milhões em leilão da Goldin Auctions, o maior valor já pago por uma carta colecionável.
É a face mais reluzente de um mercado que, segundo a consultoria Research And Markets, movimentou cerca de US$ 7,8 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 11,8 bilhões até 2030.
Mas o que separa uma carta comum de uma peça que vira ativo? Não é só o personagem ou a coleção. É uma combinação de raridade, conservação, idioma, demanda e – talvez o mais difícil de prever – o humor da comunidade.
Entender essa lógica ajuda tanto quem coleciona por amor quanto quem pensa no valor de longo prazo.
De hobby de infância a negócio
Thiago Domingues, 35 anos, jornalista e dono da loja online Venceremos Jogos, conhece esse percurso por dentro.
O primeiro contato com Pokémon TCG veio na escola, entre os 10 e os 15 anos, quando o anime, os games e as cartas faziam parte do mesmo imaginário de infância.
Largou na adolescência, voltou por um tempo entre 2018 e 2019 e parou de novo na pandemia.
A volta definitiva veio no fim de 2024, impulsionada pelo lançamento do Pokémon Pocket no celular e pelo reencontro com amigos que também queriam retomar o hobby.
Só que, dessa vez, ele olhava para o mercado com outros olhos. “O que me fisgou foi a facilidade de abrir um negócio de algo que eu já estudava e acompanhava”, conta.
Desempregado naquele fim de ano, viu na combinação entre afinidade pessoal e mercado aquecido – eventos lotados, produtos esgotando – a deixa para abrir a loja.
Foi aí que descobriu, na prática, a diferença entre amar cartas e investir nelas.
Quando a coleção encalha
A imagem mais comum de quem vê cards como investimento gira em torno de escassez e valorização garantida. A experiência de Thiago mostra o contrário.
Como consumidor, comprou cartas da coleção Journey Together no lançamento e viu parte do material desvalorizar quando a recepção do mercado ficou abaixo do esperado.
Como lojista, o tropeço veio cedo. Ao montar o estoque inicial, apostou alto na coleção “Equilíbrio Perfeito”, acreditando que o lançamento simultâneo à inauguração ajudaria nas vendas.
Não ajudou: como a expansão não mexeu no jogo competitivo nem trouxe cartas de grande apelo, os produtos encalharam – enquanto coleções mais antigas, como “Heróis Excelsos” e “Evoluções Prismáticas”, saíam bem mais.
“A lição é que podemos investir em lançamentos, mas devemos sempre esperar um pouco antes de colocar um investimento maior, para ver como o mercado vai receber aquela coleção”, resume. É a prova de que o mercado de cards não é uma escada em linha reta.
O que faz uma carta valer muito
Para quem está de fora, carta valiosa é sinônimo de carta rara. Thiago explica que a conta é mais complexa e envolve vários fatores: raridade, popularidade do personagem, ilustrador, estado de conservação, idioma, nota de graduação e relevância no competitivo.
A raridade é o ponto de partida, mas não decide sozinha. Personagens queridos como Pikachu e Charizard saem na frente porque carregam desejo de marca e memória afetiva acumulada.
O estado de conservação é outro divisor: pequenas diferenças entre uma carta “near mint” (termo em inglês que significa “quase novo”) e uma desgastada mudam muito o preço de revenda.
É por isso que entram em cena as empresas de graduação, como a Professional Sports Authenticator (PSA), que dão uma nota de 1 a 10 e padronizam a percepção de qualidade para compradores de qualquer mercado.
O idioma também pesa: cartas em inglês têm alcance global, enquanto as em português concentram liquidez no Brasil.
Foi a soma desses fatores que levou justamente um Pikachu ao recorde milionário. a Pikachu Illustrator foi emitida em um concurso no Japão em 1998. Restam cerca de 40 exemplares, e o que mudou de mãos era o único com nota máxima da PSA.
Entre a escassez real e a euforia da internet
Se há algo que torna o mercado imprevisível, é a velocidade com que a narrativa muda, às vezes por um detalhe. Thiago lembra do que aconteceu com uma carta Full Art do Bulbasaur no começo do ano.
Era uma peça valorizada, mas nada estratosférico, até que alguém percebeu uma pequena silhueta de Pikachu no fundo da ilustração. “Quando essa notícia se espalhou pela internet, o preço estourou”, conta.
O histórico de preço da carta que ele acompanha conta a história em uma linha: depois de meses estável na casa dos US$ 23 a US$ 27, a versão Near Mint Holofoil disparou para cerca de US$ 48 em poucos dias, com o volume de vendas subindo na mesma proporção – antes de recuar e se acomodar perto dos US$ 37.
O caso ilustra a corrida de compra que o setor chama de buyout, quando colecionadores esgotam a carta do mercado para pressionar o preço para cima.
“Foi uma valorização completamente por acaso, por causa de um detalhe na arte que ninguém tinha percebido antes”. Esse comportamento é o melhor argumento para a cautela.
Vendas recordes e mercado aquecido não significam que será fácil transformar uma peça em dinheiro rapidamente. Itens de altíssimo valor dependem de poucos compradores, e até cartas desejadas podem corrigir bruscamente quando a atenção da comunidade muda.
Soma-se o risco de falsificação no comércio informal, que cresce junto com o hype e exige cuidado com a procedência.
Colecione com consciência e com o bolso protegido
A recomendação de Thiago vai na contramão da promessa de lucro fácil. “Eu não recomendo investir por investir, apenas pensando no retorno, porque o mercado é volátil como o de ações”.
O caminho mais sensato, para ele, é associar o investimento ao hobby: comprar algo que faça sentido para a própria coleção, de modo que, se a valorização não vier, ainda exista o prazer de ter a peça.
Na prática, ele resume os cuidados em alguns pontos:
- Conservação é preço. Use sleeves, fichários de qualidade, proteção rígida para itens caros e atenção à umidade – manusear mal uma carta pode destruir seu valor;
- Sem afobação no selado. Antes de comprar grandes quantidades logo no lançamento, vale esperar para ver como o mercado recebe a coleção;
- Procedência sempre. Em itens de valor, prefira cartas graduadas e fontes confiáveis para não cair em falsificação;
- Cards não são ativos regulados. O preço é ilíquido e volátil, então mantenha uma reserva financeira separada para as compras do hobby.
Colecionar e investir podem caminhar juntos
A trajetória de Thiago carrega uma lição que serve a qualquer colecionador: paixão e planejamento não são opostos.
Quem trata o dinheiro do hobby com método, pode colecionar melhor e com tranquilidade: separando uma reserva, deixando o capital render enquanto pesquisa a próxima compra, sabendo a hora de esperar.
Nesse sentido, o Itaú ajuda você a organizar o dinheiro que sustenta a coleção. Nos Cofrinhos, dá para juntar para a próxima carta com o dinheiro rendendo 100% do CDI – é só criar uma meta no Superapp para “Cards Pokémon”.
Quem prefere acumular capital com previsibilidade e liquidez encontra opções de renda fixa, como CDBs e a Carteira Itaú Uniclass, úteis para não perder uma boa oportunidade de compra.
E assim como você equilibra cartas comuns e raras na coleção, dá para equilibrar segurança e risco nos investimentos.
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Depois, é só abrir um Cofrinho com a meta da sua próxima peça e começar a juntar, rendendo, enquanto a procura pela carta certa continua.
