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K-pop no Brasil: consumo, fandom e impacto financeiro

De álbuns a viagens, fãs criam estratégias para viabilizar gastos e manter a conexão com os ídolos

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Por Redação Feito.Itaú
Publicado em Atualizado em
De álbuns a viagens, fãs criam estratégias para viabilizar gastos e manter a conexão com os ídolos
Imagem gerada por IA

A cena se repete a cada turnê dos ídolos sul-coreanos: fãs de K-pop se mobilizam com celulares conectados, abas abertas simultaneamente e grupos de mensagens em alerta. Quando as vendas começam, os ingressos se esgotam em poucos minutos. Quem consegue garantir um lugar comemora; quem fica de fora, lamenta.

Levantamento realizado pela Billboard Brasil com cerca de 10 mil fãs de K-pop em todo o país em 2025, e divulgado em abril de 2026, ajuda a compreender esse comportamento. O estudo aponta um público majoritariamente jovem, com forte presença digital e engajamento contínuo. Mais de 80% dos entrevistados afirmam ouvir o gênero diariamente, enquanto 90% utilizam plataformas de streaming para acompanhar os artistas.

A disputa por ingressos é apenas uma das faces desse engajamento. Os resultados evidenciam um padrão consistente de consumo ao longo do tempo. Segundo o levantamento, 65% dos fãs afirmam colecionar itens dos artistas. Além disso, mais da metade já investiu até R$ 1 mil nesse universo. Há ainda uma parcela (11,4%) que ultrapassa os R$ 5 mil em gastos acumulados.

Indústria cultural sul-coreana

O K-pop, abreviação de pop sul-coreano, surgiu nos anos 1990 como parte de uma estratégia de fortalecimento da indústria cultural da Coreia do Sul. O modelo combina produção musical, conteúdo audiovisual e uma estrutura de formação artística intensiva. Grupos como BTS, um dos principais representantes dos chamados boy groups (formações masculinas), e BLACKPINK, um dos maiores girl groups (formações femininas), ampliaram o alcance global desse sistema, com forte presença em plataformas digitais e circulação internacional.

O avanço se insere em um fenômeno mais amplo conhecido como Hallyu, ou onda coreana, termo utilizado para descrever a expansão global de produtos culturais da Coreia do Sul desde o fim dos anos 1990. Inicialmente impulsionada por produções audiovisuais, a difusão ganhou escala com a música pop e se consolidou com o ambiente digital.

Plataformas de streaming e redes sociais facilitaram o acesso e a circulação de conteúdos em diferentes países. No Brasil, a presença desse movimento se reflete na diversidade de interesses que orbitam o K-pop e na formação de comunidades altamente engajadas em torno desses produtos culturais.

Movimento em expansão

Segundo Cheul Hong Kim, diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB), localizado em São Paulo, “o crescimento do K-pop no país é notável e tem se desdobrado em interesse por outras dimensões da cultura coreana. Se antes a maior parte do público era composta por jovens entre 10 e 20 anos, hoje esse cenário se ampliou de forma significativa”, garante.

Ele observa que conteúdos como séries e filmes coreanos contribuíram para diversificar o perfil dos fãs. “A difusão de K-dramas e do cinema coreano despertou interesse por idioma, gastronomia, beleza e turismo. Como resultado, o Centro passou a atrair um público mais diverso, tanto em termos de idade quanto de interesses”, diz.

Para o diretor, o engajamento não pode ser explicado apenas pelo conteúdo. “No caso do K-pop, os fãs criam laços especiais com determinados grupos, interagem nas redes sociais e cultivam uma cultura coletiva. Esse modo de vivenciar e compartilhar a cultura sustenta e amplia sua popularidade”, avalia.

Cheul Hong Kim também aponta fatores estruturais. “Há mudanças tecnológicas que permitem comunicação em tempo real em escala global, um contexto específico da Coreia com políticas de incentivo à indústria cultural e uma busca mundial por alternativas às culturas centradas no Ocidente”, explica.

Paixão que surgiu aos poucos

Beatriz Assunção, 26 anos, analista de sistemas em Belo Horizonte, se aproximou do K-pop de forma gradual, influenciada pelo convívio com amigas. “Eu comecei a ouvir por causa delas. No início era curiosidade, mas fui me envolvendo aos poucos. Sem perceber, já estava acompanhando lançamentos e participando de grupos”, relata.

Hoje, o envolvimento também orienta decisões financeiras. Fã do BTS há cinco anos, Beatriz se prepara para assistir ao grupo em outubro, em São Paulo. A compra do ingresso exigiu paciência e um pouco de sorte. “Foi uma maratona. Fiquei horas na fila online, com vários dispositivos abertos. Foi um alívio conseguir comprar. Parecia que eu tinha passado no vestibular de tanto que eu gritei em casa”, relembra. “Mas, indiscutivelmente, é uma paixão cara. O ingresso já pesa bastante. Ao somar tudo, vira um investimento grande”, frisa.

O caminho da mineira até o show também demanda passagens, hospedagem e alimentação, mas a jovem já está com quase tudo encaminhado. “Quando iniciaram os rumores da turnê, eu já comecei a guardar dinheiro. Aprendi que esse tipo de gasto precisa ser planejado. Não dá para sair comprando tudo que lançam, porque os produtos são caros e sempre tem novidade”, conta. “Com um aperto aqui e ali, e escolhendo prioridades, tenho certeza de que irei realizar esse grande sonho”, enfatiza.

Consumo organizado

A rede de amigos que Beatriz formou ao redor de uma paixão em comum está longe de ser exceção. A organização coletiva é um dos aspectos observados por Cheul Hong Kim no comportamento do público. “Esse traço coletivo é uma das marcas mais interessantes do fandom brasileiro. Os fãs interagem nas redes sociais e desenvolvem atividades compartilhadas, como apresentações de cover dance e encontros presenciais”, comenta.

No ano passado, por exemplo, a Netflix reconheceu São Luís, no Maranhão, como a capital nacional do K-drama, em razão da mobilização de fãs que se reúnem em espaços públicos para acompanhar, coletivamente, os desfechos de séries coreanas. O reconhecimento, segundo Cheul Hong Kim, reforça como práticas compartilhadas sustentam a presença da cultura coreana no país.

Consumo, emoção e estratégia

Os dados da Billboard Brasil indicam que o envolvimento com o K-pop está associado a fatores emocionais. Mais de 70% dos fãs apontam o consumo como forma de aliviar o estresse, e cerca de 65% relatam apoio emocional. O senso de pertencimento aparece como elemento importante para metade dos entrevistados.

A frequência de gastos relacionados ao fandom - como a compra de álbuns físicos, photocards, produtos oficiais, assinaturas em plataformas digitais e ingressos para shows - leva muitos fãs a adotarem estratégias de organização financeira. Antecipar custos maiores, como viagens e apresentações, permite distribuir melhor os valores ao longo do tempo. A criação de reservas reduz a pressão sobre o orçamento nos períodos de maior demanda.

A divisão de despesas também se consolida como uma prática necessária. Em viagens, fãs costumam compartilhar hospedagem e transporte; nas compras, organizam pedidos coletivos para reduzir fretes e taxas, especialmente em produtos importados. Esse tipo de articulação amplia o acesso e diminui o impacto individual no orçamento.

Também há iniciativas para geração de renda dentro do próprio fandom, como revenda de produtos e produção de conteúdo. Definir prioridades e evitar compras imediatas em todos os lançamentos ajuda a manter o equilíbrio financeiro. A distribuição dos valores ao longo dos meses contribui para evitar a concentração de despesas.

Com essas práticas, o consumo passa a integrar uma rotina organizada, em que o planejamento financeiro se incorpora à própria experiência de ser fã.

Itaú como aliado do fandom

As estratégias de organização financeira encontram apoio em ferramentas do Itaú, disponíveis abaixo, que ajudam a planejar, acompanhar e distribuir melhor o orçamento ao longo do tempo. Com recursos voltados ao controle de despesas, definição de metas e parcelamento de compras, a gestão responsável do dinheiro passa a ser incorporada à rotina de consumo dos fãs.

Cofrinhos: Permitem criar metas específicas, como “show do BTS” ou “coleção do ano”, com aplicações a partir de R$ 1 e rendimento de 100% do CDI. Separar o dinheiro por objetivo ajuda a evitar gastos impulsivos e dá mais previsibilidade.

Controle de gastos: Organiza automaticamente as despesas por categoria e permite definir limites. Assim, dá para acompanhar quanto está sendo gasto com lazer, compras ou pequenas despesas e ajustar a rota em tempo real.

Parcelamento no cartão de crédito: Pode ajudar a distribuir gastos maiores, como ingressos e viagens. O ideal é usar com planejamento, garantindo que as parcelas caibam no orçamento dos próximos meses.

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