No Brasil, a digitalização financeira acelerou nos últimos anos: mais de 80% das transações bancárias já acontecem por internet e aplicativos, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Esse avanço, porém, também aumenta a exposição a golpes virtuais, que exploram distração, pressa ou falta de informação dos usuários para obter dados confidenciais.
Entre 2018 e 2024, os estelionatos cresceram 408%, enquanto roubos tradicionais caíram pela metade, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Entre julho de 2023 e junho de 2024, os prejuízos com golpes digitais e crimes contra o patrimônio somaram R$ 186 bilhões, de acordo com levantamento do Instituto Datafolha de 2025, encomendado pelo FBSP.
Por que senhas fracas representam um risco?
Criminosos cibernéticos utilizam diversas estratégias para acessar contas: compra de credenciais na deep web; ataques de força bruta, em que programas automatizados testam rapidamente muitas combinações de senhas até encontrar a correta (quanto mais curta e previsível for a senha, mais rápido o ataque); e engenharia social, manipulação psicológica na qual o golpista explora distração, pressa, confiança ou falta de informação da vítima para obter dados sigilosos ou induzi-la a realizar ações que comprometem sua própria segurança.
Outro vetor é o phishing, quando golpistas se passam por empresas ou serviços confiáveis para enganar usuários e obter senhas, dados bancários e informações pessoais. Na prática, essas técnicas aparecem de formas variadas: uma ligação alegando suspeita de fraude na conta, mensagens de WhatsApp de alguém se passando por um familiar pedindo dinheiro ou e-mails de “promoções imperdíveis” solicitando dados de login. O objetivo é sempre o mesmo: fazer a pessoa entregar informações sensíveis sem perceber que está sendo enganada.
Com tantos tipos de ataque, reutilizar a mesma senha em diferentes contas é como abrir várias portas ao mesmo tempo, aumentando significativamente o risco de invasões. “Senhas fracas ou repetidas são uma porta aberta para criminosos. Não se trata de pânico, mas de consciência: é preciso cultivar atenção constante e adotar práticas simples para proteger informações”, orienta Victor Thomazetti, superintendente de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco.
Mas como criar senhas fortes?
A boa notícia é que criar combinações seguras não precisa ser complicado. Segundo Thomazetti, uma senha forte combina complexidade, exclusividade e imprevisibilidade:
- Complexidade: Use letras maiúsculas e minúsculas, números e símbolos.
- Exclusividade: Nunca repita a mesma senha em diferentes plataformas.
- Imprevisibilidade: Evite informações pessoais, como nome, data de nascimento ou nomes de familiares.
“Uma senha segura não precisa ser impossível de lembrar, mas deve ser impossível de adivinhar. Quando o usuário usa combinações curtas e previsíveis, como ‘123456’ ou ‘senha2024’, torna o trabalho do criminoso trivial. Já uma senha longa e única, mesmo que simples para quem a criou, pode ser praticamente inquebrável”, garante o especialista.
Ferramentas que ajudam a proteger suas contas
A Área de Segurança do Itaú, disponível nos aplicativos do banco, reúne recursos que reforçam essas práticas:
- Gestão de senhas e autenticação multifator;
- Reconhecimento facial e dispositivos autorizados;
- Cartões virtuais e histórico de logins;
- Alertas em tempo real sobre transações e ligações suspeitas.
Mesmo com tecnologia avançada, Thomazetti reforça: “Não existe tecnologia que substitua a atenção do usuário. É preciso conhecer o normal e identificar o mal. Para isso, deixe o desconfiômetro sempre ligado”, aconselha.
Passo a passo para criar uma senha segura
- Evite senhas óbvias, como “123456”, datas de nascimento ou sequências previsíveis.
- Misture letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos.
- Crie senhas fáceis de lembrar, mas difíceis de adivinhar.
- Use senhas diferentes para cada serviço.
- Ative autenticação em dois fatores (2FA) sempre que possível.
- Atualize regularmente suas senhas.
- Proteja seu dispositivo: bloqueios de tela, localização remota e gerenciadores de senhas aumentam a segurança.
Seguindo essas orientações, é possível navegar com segurança pelo mundo digital, protegendo dados financeiros e pessoais. “Segurança é confiança. Quanto mais consciente e protegido o usuário estiver, mais tranquilo será o uso da tecnologia”, finaliza Thomazetti.
