Imagine ter dez portas em casa e apenas uma chave que abre todas elas. Essa é a metáfora perfeita para quem repete a mesma senha em redes sociais, aplicativos de banco e e-mails: basta que o código seja descoberto para que todo o seu mundo digital fique exposto. A praticidade costuma falar mais alto, especialmente em meio à pressa e à avalanche de informações do dia a dia, mas usar a mesma combinação em todos os aplicativos é um convite ao risco.
O hábito, aparentemente inofensivo, pode facilitar golpes digitais que, em apenas um ano, afetou 1 em cada 3 brasileiros, o equivalente a 56 milhões de vítimas, segundo pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada em agosto de 2025. O prejuízo causado por esses crimes, envolvendo fraudes como golpes do Pix e boletos falsos, totalizou R$ 111,9 bilhões no período, indica o mesmo estudo.
De acordo com Victor Thomazetti, superintendente de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco, repetir senhas em diferentes serviços ainda é um dos maiores riscos da era digital e pode expor contas bancárias, e-mails e redes sociais dos usuários. “Quando você repete a senha, o nível de proteção de todo o seu ambiente digital passa a depender de um único ponto de falha”, alerta.
Além disso, senhas simples, especialmente numéricas com seis dígitos, podem ser quebradas em segundos por ataques automatizados. Já combinações complexas, com letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres especiais, tornam praticamente impossível que a criptografia seja violada.
Outra conduta arriscada é usar dados pessoais (como CPF, datas de nascimento, nome dos filhos ou placas de carro) como senha. “Com as redes sociais, essas informações tornaram-se tornaram públicas e facilmente acessíveis. Usá-las é praticamente entregar as chaves da casa para criminosos”, explica Thomazetti.
Golpes que exploram senhas fracas
O phishing é o principal golpe digital que se aproveita de senhas frágeis ou repetidas. Trata-se de uma “pescaria” online: o criminoso lança uma isca - muitas vezes um e-mail ou mensagem que simula comunicação de um banco - para induzir o usuário a entregar informações sigilosas.
“Podem ser e-mails, SMS, mensagens no WhatsApp ou até ligações telefônicas. A engenharia social cria um contexto em que a vítima acredita estar protegendo sua conta, mas, na verdade, está entregando o acesso”, detalha Thomazetti.
A ameaça aumenta quando a senha repetida dá acesso a várias contas e expõe toda a vida digital do usuário. Para se ter uma ideia dos riscos, hoje existem operações criminosas que oferecem ferramentas prontas para quebrar senhas e replicar ataques em massa. “Se 10% das vítimas caírem na isca, o retorno financeiro para o criminoso é enorme”, ressalta o especialista.
Cofres de senha e autenticação multifatorial
Thomazetti defende o uso de gerenciadores ou cofres de senha, disponíveis nos sistemas Android e iOS. “Eles criam combinações extremamente fortes e armazenam tudo com segurança, sem que o usuário precise memorizar. O acesso é feito por biometria facial ou digital, o que torna o processo simples e seguro”, exemplifica.
Ele mesmo utiliza cofres de senha e mantém cerca de 90 combinações diferentes, todas geradas automaticamente. “Mesmo que um criminoso tente me enganar, eu não tenho como informar a senha porque ela está guardada no cofre”, revela.
Para apps de baixo risco, combinações simples podem ser aceitáveis, mas o cofre de senhas continua sendo a opção mais segura para espaços mais críticos, como contas bancárias, segundo Thomazetti.
Como o Itaú te protege
Em todos os canais, o Itaú oferece múltiplas camadas de proteção para garantir a segurança de transações e dados digitais:
- Criptografia de ponta a ponta: Todos os dados e transações são protegidos durante a comunicação entre o cliente e o banco;
- Bloqueio de criação de senhas fracas ou baseadas em dados pessoais: Impede o uso de combinações óbvias ou facilmente descobertas;
- Token no celular para validar o dispositivo: Confirma que o dispositivo utilizado é confiável, adicionando uma camada extra de autenticação;
- Autenticação multifatorial (senha + token + biometria facial): Combina múltiplos fatores para aumentar a segurança das operações;
- Biometria comportamental: Monitora padrões de digitação e uso do aparelho para identificar atividades suspeitas;
- Monitoramento de geolocalização e padrões de uso: Detecta acessos incomuns e potenciais tentativas de fraude.
“O Superapp é o ambiente mais seguro para qualquer operação. Todas essas camadas trabalham juntas para que o cliente possa operar com tranquilidade, mesmo que a senha seja o ponto inicial de autenticação”, afirma Thomazetti.
Golpes digitais: atenção redobrada
Os ataques digitais estão cada vez mais sofisticados, em grande parte graças à inteligência artificial. Antes, fraudes eram fáceis de identificar por erros de português, imagens de baixa qualidade ou páginas mal construídas. Hoje, mensagens, e-mails e sites falsos podem parecer quase idênticos aos originais, tornando mais difícil distinguir o que é verdadeiro do que é golpe.
Gatilhos mais comuns utilizados pelos criminosos:
- Urgência: Mensagens como “faça isso agora” ou “sua conta será bloqueada” pressionam o usuário a agir sem pensar;
- Oportunidade: Promessas de “ganhe 200% de rendimento” ou “promoção imperdível” atraem a atenção e induzem a fornecer dados ou clicar em links maliciosos.
Para se proteger, siga estas recomendações:
- Em caso de dúvida, sempre valide com o Itaú a origem da mensagem ou ligação antes de tomar qualquer ação;
- Canais oficiais: entre no Superapp, ligue para a central de atendimento do Itaú. Confira os números aqui;
- Tenha atenção redobrada em redes sociais: perfis invadidos de influenciadores ou amigos podem ser usados para aplicar golpes, como pedidos de doações falsas ou vendas de produtos inexistentes.
- Desconfie de qualquer solicitação que pareça urgente ou vantajosa demais. O ceticismo constante é a defesa mais eficaz.
Dicas para proteger suas senhas
Proteger suas informações não precisa significar complicar o dia a dia. Há formas simples de manter a segurança digital sem abrir mão da praticidade:
- Crie senhas diferentes para cada conta de alto risco;
- Troque senhas periodicamente;
- Evite combinações óbvias ou baseadas em dados pessoais;
- Use gerenciadores de senha e cofres digitais;
- Ative autenticação em dois fatores sempre que possível;
- Proteja apps de e-mail com biometria;
- Desconfie de mensagens que acionem urgência ou promessas de ganhos fáceis;
- Sempre valide a origem antes de clicar em links ou fornecer informações.
