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Brasil bate recorde de endividamento. Mas o que isso realmente significa?

Ter dívidas não é necessariamente um problema; entenda a diferença entre endividamento e inadimplência, os sinais de alerta e quando o crédito deixa de ser um aliado para se tornar um risco

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Imagem de homem tomando café enquanto analisa documentos
Imagem gerada por IA

Em algum lugar do Brasil, uma pessoa está pagando as parcelas do apartamento onde pretende morar pelos próximos anos. Em outro, alguém investe em uma especialização para ampliar as oportunidades na carreira. Há também quem esteja financiando um carro, parcelando um eletrodoméstico ou quitando um empréstimo contratado durante uma emergência.

Todas essas pessoas têm algo em comum: estão endividadas. A associação costuma ser imediata com dificuldades financeiras, mas a realidade é mais complexa. Em uma economia baseada no crédito, assumir dívidas faz parte da rotina de milhões de brasileiros. O desafio começa quando os compromissos assumidos deixam de caber no orçamento.

O tema chama atenção em um momento em que o Brasil registra o maior nível de endividamento familiar da série histórica. Em maio, 81,6% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Ao mesmo tempo, mais de 75 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, de acordo com levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.

Mas, afinal, quando uma dívida faz parte de um planejamento saudável e quando ela passa a representar um problema?

Endividado não é sinônimo de inadimplente

Embora os termos apareçam frequentemente juntos, eles não significam a mesma coisa. Uma pessoa endividada é aquela que possui compromissos financeiros assumidos, como financiamento imobiliário, parcelas do carro, empréstimos ou crédito consignado. Já a inadimplência ocorre quando esses pagamentos deixam de ser feitos dentro do prazo previsto.

Segundo o economista e professor universitário Pedro Loureiro, o endividamento faz parte do funcionamento normal das economias modernas. “Muitas famílias possuem financiamentos, parcelamentos ou empréstimos que fazem parte da gestão normal do orçamento”, explica ele, que também é administrador e contador.

O cenário muda quando as dívidas passam a crescer em velocidade maior do que a renda. Nessa situação, o orçamento fica mais apertado, a capacidade de pagamento diminui e a família se torna mais vulnerável a imprevistos financeiros. “Quando a pessoa utiliza empréstimos ou cheque especial para complementar renda mês após mês, por exemplo, cria-se uma situação em que a dívida deixa de ser uma ferramenta financeira e passa a ser uma necessidade permanente”, acrescenta Loureiro.

Segundo a CNC, o cartão de crédito continua sendo a modalidade mais comum entre as famílias endividadas, citado por 84,6% delas. Além disso, levantamento do Datafolha mostra que dois em cada três brasileiros possuem algum tipo de dívida financeira e que 25% recorrem ao crédito rotativo do cartão com algum grau de frequência.

Os sinais que aparecem antes da inadimplência

As dificuldades financeiras raramente surgem de uma vez. Existem sinais que começam a aparecer muito antes do atraso nas contas, como a sensação de que o dinheiro desaparece rapidamente. O salário entra na conta, mas parece insuficiente para chegar ao fim do mês.

Também merecem atenção comportamentos como atrasos frequentes em pagamentos, uso constante do limite do cartão de crédito, dependência do cheque especial e necessidade de contratar novos empréstimos para quitar compromissos anteriores.

A ausência de uma reserva para emergências costuma agravar ainda mais a situação. Sem recursos disponíveis para lidar com imprevistos, qualquer despesa inesperada pode aumentar a dependência do crédito.

Outro fator que contribui para a perda de controle é observar apenas o valor das parcelas, sem considerar o custo total das dívidas assumidas. Individualmente, cada compromisso parece administrável. Somados, porém, eles podem comprometer uma parcela significativa da renda familiar.

Existe saída, mas ela começa pelo diagnóstico

Quando as contas começam a apertar, muita gente acredita que a solução está apenas na renegociação das dívidas. No entanto, antes de negociar, é necessário compreender exatamente qual é a situação financeira.

O ponto de partida é reunir informações sobre receitas, despesas e dívidas, identificando valores, prazos, taxas de juros e o grau de comprometimento da renda. “O primeiro passo é substituir a preocupação pela informação. Tem gente que sabe que está com dificuldades, mas não possui um diagnóstico claro da própria situação”, finaliza Pedro Loureiro.

Como começar a organizar a vida financeira

1. Faça um raio-X das finanças

Anote todas as receitas, despesas e dívidas. Saber exatamente quanto entra e quanto sai é o ponto de partida.

2. Liste todas as dívidas

Inclua valor total, parcela, taxa de juros e prazo de pagamento.

3. Priorize as dívidas mais caras

Cartão de crédito e cheque especial costumam exigir atenção imediata por causa dos juros elevados.

4. Corte gastos não essenciais temporariamente

Pequenos ajustes podem liberar recursos para reorganizar o orçamento.

5. Evite novos empréstimos

Enquanto as contas estiverem desequilibradas, assumir novas dívidas tende a aumentar o problema.

6. Considere renegociar pendências

Programas de negociação podem ajudar a reduzir juros e tornar os pagamentos mais viáveis.

7. Crie uma reserva de emergência

Mesmo que o valor inicial seja pequeno, construir uma reserva ajuda a enfrentar imprevistos sem recorrer ao crédito.

8. Use ferramentas de controle

Planilhas, aplicativos ou até um caderno podem ajudar a acompanhar gastos e manter o planejamento em dia.

Tecnologia a favor da organização financeira

Acompanhar receitas, despesas e metas financeiras nem sempre é simples. Ferramentas digitais podem ajudar a tornar esse processo mais organizado e frequente.

No Superapp do Itaú, o Controle de Gastos organiza automaticamente as despesas por categoria, permitindo acompanhar para onde o dinheiro está indo e estabelecer limites para diferentes tipos de consumo. A funcionalidade também envia alertas quando os gastos se aproximam do valor definido pelo usuário.

Já os Cofrinhos permitem separar recursos para objetivos específicos, como a formação de uma reserva de emergência, uma viagem ou uma compra planejada. A ferramenta oferece organização por metas, rendimento de 100% do CDI e resgates simples quando necessário.

Desenrola Brasil: como renegociar dívidas pelo Itaú

Para quem chegou à etapa da renegociação, o Desenrola Brasil oferece condições mais favoráveis para regularizar pendências financeiras. Criado pelo Governo Federal, o programa contempla, entre outros públicos, pessoas com renda de até cinco salários mínimos que possuam contratos de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal firmados até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e dois anos.

No Itaú, a consulta e a renegociação podem ser feitas de forma digital, pelo SuperApp, pelo site de renegociação ou pelo WhatsApp oficial do banco (11 4004-1144). Dependendo do perfil da dívida e das condições disponíveis para cada caso, as negociações podem incluir descontos de até 90% sobre o valor devido, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 meses e prazo de até 35 dias para o pagamento da primeira parcela.

Antes de fechar um acordo, o cliente pode simular diferentes opções de pagamento e verificar qual delas se encaixa melhor no orçamento. A recomendação é consultar os canais oficiais do Itaú para conferir a elegibilidade dos contratos e as condições disponíveis para cada caso.

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