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Dinheiro também é assunto de criança: livros para começar essa conversa em casa

Da Flipinha à estante de casa, a leitura pode ser a porta de entrada para falar de consumo, poupança e escolhas com os pequenos.

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Imagem de um pai lendo com o filho
Imagem gerada por IA

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, realizada em julho, reforçou algo que educadores já sabiam: aproximar crianças e jovens da leitura desde cedo faz diferença, não só para a alfabetização.

Com a Flipinha, seu braço voltado ao público infantil, e a FlipZona, dedicada aos adolescentes, a Flip 2026 mostrou que existe um público consolidado, e cada vez mais numeroso, disposto a mergulhar em histórias desde muito novo.

E um dos temas que mais ganham espaço nas prateleiras infantojuvenis nos últimos anos é justamente a educação financeira. Se o assunto já está na mesa – ou poderia estar – de boa parte das famílias brasileiras, falta muitas vezes uma ferramenta para começar essa conversa.

É aí que os livros entram: figuras, personagens, fábulas e histórias em quadrinhos tornam mais leve um tema que costuma soar sério demais para os pequenos.

Os pais estão reescrevendo sua própria relação com o dinheiro

Antes de chegar aos livros, é interessante entender o contexto. O brasileiro está, aos poucos, rompendo com décadas de silêncio em torno do dinheiro, o que molda diretamente a forma como fala (ou deixa de falar) com os filhos sobre o assunto.

É o que mostra a pesquisa “Consciência e Prosperidade: a Nova Relação do Brasileiro com o Dinheiro”, feita pelo Itaú em parceria com o Grupo Consumoteca com 5 mil pessoas em 15 estados. Segundo o levantamento, 78% dos brasileiros já falam sobre dinheiro em família, entre amigos ou nas redes sociais, e um em cada três afirma ter hoje uma relação com o dinheiro diferente da que viu dentro de casa.

Entre os mais jovens, essa mudança aparece com ainda mais força: 78% da Geração Z acreditam que terão um padrão de vida melhor do que o dos pais, e a prosperidade passou a incluir não só estabilidade, mas também reserva financeira, investimentos e qualidade de vida.

Mas a conversa com os filhos ainda não acompanha esse ritmo

Se os adultos estão revendo sua própria relação com o dinheiro, o desafio seguinte é levar essa mudança para dentro de casa, e aí surge um desencontro.

Um levantamento da Serasa em parceria com o Opinion Box, feito em setembro de 2024 com 1.540 pais de crianças e adolescentes em todo o Brasil, mostra a distância entre a intenção e a prática.

Na pesquisa, 87% dos pais consideram importante que os filhos saibam sobre finanças, mas apenas 59% de fato conversam sobre o tema com regularidade. Entre os motivos para o silêncio, 21% ainda acreditam que finanças não é assunto para crianças.

A mesma pesquisa aponta um desencontro de timing: 56% dos pais acham ideal começar essa conversa entre 6 e 11 anos, mas, entre quem já fala sobre o tema em casa, 30% começou antes disso, ainda na primeira infância.

Vale destacar ainda um contraste revelador: 73% dos pais acreditam que as redes sociais influenciam o comportamento de consumo dos filhos, mas apenas 17% das crianças e adolescentes acompanham algum tipo de conteúdo sobre finanças nesses ambientes.

É o que reforça o papel dos livros como um dos poucos espaços dedicados de fato a esse aprendizado.

Livros por faixa etária

A seguir, reunimos uma seleção de títulos disponíveis no mercado brasileiro, organizados por faixa etária.

De 3 a 6 anos: o primeiro contato com o dinheiro

Nessa fase, dos primeiros anos, o dinheiro ainda é um conceito abstrato, por isso, os livros mais indicados usam objetos concretos, como o cofrinho, para explicar a ideia de guardar e gastar.

  • Meu Poderoso Cofrinho — Clariana Barcelos (Coleção Conto com Você). Indicado a partir dos 3 anos, usa a imagem do cofrinho para explicar todo o ciclo do dinheiro: ganhar, guardar, trocar e até doar;
  • Como se Fosse Dinheiro — Ruth Rocha (Editora Salamandra). Clássico da literatura infantil brasileira: a história de um dono de lanchonete que passa a usar balas como troco ensina, de forma bem-humorada, que nem tudo pode substituir o valor real do dinheiro;
  • A Menina, o Cofrinho e a Vovó — Cora Coralina (Global Editora). Aproxima afeto e economia por meio da relação entre avó e neta, um jeito suave de introduzir a ideia de poupança.

De 7 a 10 anos: mesada, cofrinho e as primeiras escolhas

É na fase da alfabetização consolidada que a maioria das crianças recebe a primeira mesada, e também quando conseguem entender conceitos como planejamento e prioridade.

  • O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos — Reinaldo Domingos (Editora DSOP). Ensina a diferença entre poupar para o curto, o médio e o longo prazo, mostrando que metas maiores exigem mais tempo e esforço;
  • Minha Mesada Pode Mais — Clariana Barcelos (Coleção Conto com Você). Continuação natural de Meu Poderoso Cofrinho, chega no momento certo: quando a criança passa a receber uma mesada e precisa aprender a organizá-la;
  • Como Cuidar do Seu Dinheiro — Mauricio de Sousa e Thiago Nigro (HarperCollins). Une a Turma da Mônica à linguagem direta de um educador financeiro para tratar de consumismo, juros e compra por impulso;
  • O Plano Perfeito — Nath Finanças e Ziraldo (Editora Melhoramentos). A Turma do Menino Maluquinho recebe a criadora de conteúdo Nath Finanças para discutir organização financeira em família; é o primeiro volume da coleção “Conta Tudo”;
  • O Dinheiro: Aprenda a Cuidar do Seu Dinheiro Brincando — Cristina Von (Editora Callis). Explica termos como salário, imposto e orçamento com linguagem simples, e traz uma parte destacável com simulações de notas e cartões para brincar.

De 11 a 14 anos: autonomia e primeiras decisões

Na pré-adolescência, o interesse migra para temas como empreendedorismo, investimento e as primeiras compras feitas com o próprio dinheiro.

  • Turma da Keka – Vamos Prosperar! — Marcos Silvestre (Valores Editorial). Sete histórias em quadrinhos sobre finanças e empreendedorismo, com material de apoio para pais e educadores;
  • Como Conquistar Seu Próprio Dinheiro — Erico Debesaitis Metzner (Editora Momentum). Baseado na própria experiência do coautor, que administra a própria semanada desde os 6 anos;
  • Finanças para Crianças: Além da Mesada e Coletânea: A História do Dinheiro — Malu Lira (Editora Fada Madrinha). Tratam de temas como cartão de crédito e planejamento a partir de personagens e situações do cotidiano jovem;
  • Pai Rico em Quadrinhos — Robert Kiyosaki (Alta Books). Adaptação em HQ do best-seller, traduz em linguagem visual conceitos como “trabalhar para aprender” e a diferença entre ativos e passivos.

Para os pais e responsáveis: leituras de apoio

O momento que antecede a leitura ou a entrega do livro à criança pode ser também uma oportunidade para o adulto mergulhar em publicações que o preparem, ampliando seu repertório para conversar sobre dinheiro de forma clara e significativa:

  • Como Falar de Dinheiro com seu Filho — Cássia D'Aquino (Editora Benvirá). Ajuda a pensar no perfil que se deseja incentivar, entre mais poupador, empreendedor ou investidor;
  • Sim! Dinheiro é Assunto para Crianças! — Carlos Eduardo Costa (Editora Literare Books International). Reforça que crianças que aprendem cedo o valor do dinheiro tendem a se tornar adultos mais preparados;
  • Educação Financeira na Família — Andreza Tobias e Ceneide Cerveny (Editora Roca). Une teoria e prática para quem quer entender a relação da própria família com o dinheiro antes de repassar a lição aos filhos.

Como tirar mais proveito da leitura

A iniciativa de ler é só o primeiro passo. Depois da história, algumas perguntas simples ajudam a fixar o aprendizado, como por exemplo: o que o personagem fez para economizar? Que escolhas ele teve que fazer?

Como isso poderia acontecer na nossa casa? Aqui, é possível transformar a leitura em brincadeira, tipo simular uma “lojinha” em casa, com dinheiro fictício, ou criar um painel para acompanhar visualmente o progresso de uma meta de poupança.

Da leitura ao planejamento de longo prazo

Depois que a criança entende o valor de poupar para um objetivo pequeno, como um brinquedo, um livro, muitas famílias começam a pensar também no planejamento financeiro de longo prazo dos filhos.

É nesse momento que produtos como a Primeira Previdência do Itaú, pensada especificamente para menores de idade, entram como uma extensão natural do que já foi ensinado em casa: a ideia de que esperar e planejar vale a pena.

E para quem tirar essa transição do papel, a Conta Itaú Personnalité para Filhos e Filhas, voltada a dependentes de 8 a 17 anos, permite que os pais acompanhem a movimentação dos filhos pelo mesmo aplicativo que já usam.

Enquanto os jovens ganham autonomia assistida para receber mesada, usar Cofrinhos com metas próprias e até movimentar o próprio cartão, colocando em prática, com segurança, exatamente o tipo de lição que os livros ajudam a introduzir.

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