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MED 2.0: um novo aliado do Banco Central contra fraudes via Pix

Por que o MED 2.0, criado pelo Banco Central, é um passo importante contra fraudes via Pix e como ele se conecta às iniciativas de segurança do Itaú

Por Adriano Volpini em
Foto do colunista Adriano Volpini
Foto: Divulgação

No meu texto de estreia aqui para o Feito.Itaú, falei sobre prevenção: como blindar o CPF com o BC Protege+. Hoje volto com outro momento da jornada de segurança, que, apesar dos esforços de todo o sistema financeiro, estamos sujeitos: quando ocorre uma transação indevida ou somos vítimas de um golpe financeiro.

É nesse momento que entra o MED 2.0, uma versão atualizada e melhorada do Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, criada para tornar mais eficiente a recuperação de valores em casos de golpes ou falhas operacionais.

Desde que o Pix passou a fazer parte da rotina do país, as fraudes evoluíram junto. Em grande parte dos casos, não há falha técnica no sistema de pagamentos. Há engenharia social: alguém se passa por uma pessoa ou instituição de confiança, cria urgência, pede sigilo e convence a vítima a autorizar a transferência. O MED já existia como ferramenta de contestação nesses casos, mas tinha uma limitação importante: focava na primeira conta que recebia o dinheiro.

Com o MED 2.0, o mecanismo passa a acompanhar o caminho dos recursos em cadeia, permitindo bloquear valores não só na conta inicial, mas também em contas de passagem ligadas ao golpe. Isso reduz o efeito da pulverização, estratégia usada por criminosos para espalhar rapidamente o dinheiro entre diversas contas laranja para dificultar o rastreio e a devolução.

Outra mudança relevante está na forma de acionar esse recurso. O MED 2.0 vem acompanhado da padronização do fluxo de contestação nos canais digitais: no lugar de ligações, a pessoa impactada passa a ter um caminho mais simples pelo aplicativo do seu banco para indicar que aquela transação pode ser fraudulenta ou resultado de erro.

Desde o começo do mês, todas as instituições que oferecem Pix são obrigadas a operar nesse modelo, com um período de adaptação técnica até maio. Em muitos casos, quando a fraude é confirmada e há saldo disponível nas contas envolvidas, a devolução tende a ocorrer em um prazo padrão, com bloqueios preventivos enquanto a análise é feita.

Esse é um passo importante porque não é uma solução isolada de um banco. É uma iniciativa que embarca todo o ecossistema regulado pelo Banco Central: bancos, fintechs e demais participantes do Pix precisam seguir as mesmas regras e cooperar entre si. O objetivo declarado do MED 2.0 é proteger usuários contra fraudes e reforçar a integridade do sistema de pagamentos instantâneos como um todo, e não apenas reagir a casos pontuais.

Do lado do Itaú, essa atualização se conecta a uma agenda de segurança que vem sendo construída há anos: monitoramento de transações em tempo real, uso de biometria, autenticação em múltiplas etapas, times dedicados exclusivamente à prevenção de golpes e funcionalidades pensadas para momentos de maior risco, como o Modo Protegido, que permite configurar limites e exige verificações adicionais em contextos do dia a dia. Essas camadas se somam ao que o Banco Central vem fazendo, como o próprio MED 2.0 e o BC Protege+, compondo uma rede de proteção que combina regulação, tecnologia e desenho de jornada.

É importante lembrar que o MED 2.0 não é um botão de arrependimento, nem um atalho para desfazer compras das quais a pessoa simplesmente deixou de gostar. Ele foi desenhado para situações específicas: fraude, suspeita de fraude ou falha operacional entre instituições, e deve ser usado nesses casos, seguindo a orientação do próprio Banco Central.

Ele também não substitui a prevenção no dia a dia. Continuam valendo recomendações que repito com frequência: desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro, especialmente quando envolvem mudança rápida de canal; não compartilhar senhas, códigos ou dados sensíveis; sempre conferir os dados do recebedor antes de confirmar um Pix.

Além disso, é essencial buscar informações nos canais oficiais do banco, como o Feito.Itaú, e de órgãos como o Banco Central e a Febraban.

Segurança não nasce de um único recurso, mas da soma de escolhas, hábitos e camadas de proteção que, juntas, fazem diferença justamente na hora em que uma fraude tenta usar o Pix a seu favor. Iniciativas como o MED 2.0 mostram o sistema financeiro se movendo na direção certa.

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