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O fim do tabu do dinheiro

Como o Brasil começa a romper o silêncio sobre dinheiro e a tecnologia ajuda a transformar culpa em consciência financeira, por Michel Alcoforado

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Por Michel Alcoforado em
Michel Alcoforado
Foto: Divulgação

Em 2026, o sentimento que marca o início do ano para muitos brasileiros está longe de ser apenas expectativa ou renovação. Essa inquietação não nasce do momento de traçar metas, nem de excessos pontuais das festividades, mas de um problema mais profundo e persistente: o endividamento.

Segundo o Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), a proporção de famílias com dívidas atingiu o maior patamar da série histórica. Bateu 79,5%. E mais, entre eles, 13,2% andam por aí atormentados com a certeza de que não terão dinheiro suficiente para honrar as próprias contas.

É certo que os solavancos da economia brasileira aliado a ciclos de hiperinflação ao longo da História contribuíram muito para a desorganização financeira das famílias. Mas, é um erro culpar só os economistas pelo problema. A maioria do brasileiros (55%) diz entender pouco ou nada de educação financeira porque por aqui, durante muito tempo, falar ou pensar sobre o assunto foi um tabu.

Diferente dos norte-americanos que, desde a tenra infância, discutem sobre finanças, nós aprendemos em casa que dinheiro é sujo, justificamos a falta de saldo bancário com um tô limpo e decidimos limpar os cofres quando surge uma emergência. No Brasil, o silêncio sobre dinheiro é parte importante dos nossos problemas.

A boa notícia é que o jogo mudou. Uma pesquisa recente feita pelo Grupo Consumoteca em parceria com Itaú com mais de 5000 brasileiros mostrou que 78% da população não sente mais desconforto em falar de dinheiro.

A transformação radical no comportamento deve-se ao impacto da digitalização das transações e no uso dos aplicativos bancários como aliados no acompanhamento das movimentações financeiras, na construção de planilhas de gastos e na gestão das contas e pagamentos. Se em outros campos da vida social os avanços da tecnologia são fonte de temor, na gestão do dinheiro, ela é vista como uma baita parceira. O futuro se mostra ainda mais promissor.

Os brasileiros não temem o uso da Inteligência Artificial e esperam que as novas traquitanas os ajudem a fazer melhores escolhas financeiras, os auxiliem na tomada de decisão e façam dos bancos mais do que centros transacionais. 

Depois do cartão de crédito, dos bancos nos sites e nos aplicativos, das inovações impostas pelo PIX, não há dúvidas, estamos diante de uma nova esteira de mudanças na forma como pensamos, lidamos e falamos sobre dinheiro.

Michel Alcoforado
Foto: Divulgação
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