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Preço baixo atrai clientes, mas como garantir a sustentabilidade do negócio?

A jornada da gestão financeira com foco em margem, fluxo e crescimento 

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Leonardo Abrantes, fundador da marca Player
Foto: Divulgação - acervo pessoal Leonardo Abrantes

Vender é um dos momentos mais marcantes e gratificantes para qualquer empreendedor. No entanto, o verdadeiro salto de maturidade no comércio acontece quando a energia das vendas se une a uma gestão financeira estruturada de custos, margem de lucro e fluxo de caixa. Em mercados dinâmicos, atrair novos clientes com preços competitivos é uma excelente porta de entrada... O passo seguinte é transformar esse volume de vendas em resultado sustentável e capacidade de reinvestimento.

Para mostrar como alinhar o ritmo de vendas à saúde financeira, conversamos com Leonardo Abrantes, fundador da marca Player, que tem 6 anos de história e expansão no varejo. Conhecido por aplicar promoções arrojadas semanalmente e com um aprendizado construído na prática - desde um pequeno espaço inicial até a consolidação de lojas físicas e do canal digital de multimarcas -, ele compartilha insights preciosos sobre como a inteligência financeira e as ferramentas certas impulsionam o crescimento das PMEs.

1. Da venda bruta à rentabilidade real: a evolução da gestão

Aumentar o volume de vendas é uma meta estimulante para quem empreende, mas compreender a rentabilidade por trás de cada transação é o que garante a longevidade da operação.

"Faturamento alto é um ótimo indicador de atração, mas a sustentabilidade do negócio exige olhar atento para estoque, margem de lucro, despesas e fluxo de caixa", explica Leonardo Abrantes.

O grande aprendizado ocorre quando o empreendedor passa a acompanhar a trajetória do dinheiro após o recebimento, garantindo que o faturamento cubra com folga todas as etapas da operação. Vender conquista o cliente, mas gerir bem os números constrói o futuro da empresa.

2. Conhecendo os custos para valorizar o seu produto

Quando a rotina do negócio ganha tração, a análise detalhada do extrato torna-se a melhor amiga do empresário. "Ao acompanhar as entradas e saídas no app, o gestor enxerga exatamente o resultado que fica no negócio após o pagamento de fornecedores, impostos, folha de pagamento e custos fixos", destaca o empresário carioca.

Essa clareza permite superar a precificação baseada apenas na concorrência e passar a calcular o custo real de cada item. Com a margem de lucro bem definida, o negócio ganha força para reinvestir na própria estrutura e oferecer uma experiência cada vez melhor ao cliente.

3. Promoções e descontos estratégicos fazem a diferença no caixa

Oferecer descontos agressivos para bater a meta do dia ou atrair clientes pode comprimir a margem se não houver planejamento. Contudo, acelerar as vendas com ofertas pontuais pode ser uma excelente estratégia de engajamento quando planejada com critérios claros. Para equilibrar essa balança, Leo revela o teste rápido de reflexão que todo gestor deve fazer antes de aprovar uma promoção:

"Eu sempre procuro pensar: esse desconto ainda vai deixar margem? Quanto vou precisar vender a mais para compensar? E essa promoção vai realmente aumentar o fluxo da loja?"

A principal exceção estratégica para abrir mão de margem, segundo Leo, ocorre quando há produtos parados há muito tempo no estoque. Nesses casos, a queima pontual serve para recuperar o capital investido, girar o estoque e atrair o consumidor para adquirir outros itens com margem cheia.

Antes de lançar qualquer ação promocional, o caixa da empresa funciona como um "freio de arrumação". Isso significa analisar o saldo disponível, os valores já comprometidos com fornecedores e os recebimentos previstos para os dias seguintes, garantindo que a promoção não comprometa a compra de novos produtos ou o pagamento da folha salarial.

"Faturamento alto não significa, necessariamente, dinheiro no caixa ou lucro. O extrato e o fluxo de caixa são o termômetro para crescer com segurança", ensina Leo.

Dica: Antes de lançar uma campanha, o app Itaú Empresas pode funcionar como um organizador estratégico de prioridades. Isso porque o gestor pode avaliar os saldos disponíveis, os recebimentos previstos e os compromissos futuros para garantir um crescimento harmonioso.

4. Sazonalidade e ritmo constante: a rotina que impulsiona o crescimento

Crescer com previsibilidade é o resultado de uma rotina constante de acompanhamento. A metodologia de Leonardo Abrantes baseia-se em um ritual semanal estruturado em quatro passos:

  1. Acompanhar o volume de vendas e a margem obtida.
  2. Monitorar o giro de estoque para manter os produtos certos no momento certo.
  3. Mapear o fluxo de caixa e prever as necessidades operacionais.
  4. Planejar ações com base na sazonalidade do setor, antecipando compras e oportunidades.

Aproveitar os ciclos de alta demanda permite negociar condições mais favoráveis com fornecedores e investir na expansão da marca no momento ideal.

Com margem saudável, fluxo previsível e os parceiros certos ao lado, o caminho fica livre para o negócio crescer com segurança. "Vender é apenas uma parte do negócio, saber gerir os números é o que sustenta a empresa", finaliza o fundador da Player.

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