No meio da Cidade do Rock, a experiência de um festival não acontece apenas diante dos palcos. Entre um show e outro, marcas também tentam transformar seus espaços em destinos nos quais o público possa parar, permanecer e, em alguns casos, continuar consumindo música. É nessa lógica que o Pavilhão Itaú ocupa três andares do Rock in Rio 2026.
A estrutura muda de proposta a cada pavimento. No térreo, uma praça aberta oferece gramado e pontos para recarregar o celular. No segundo andar, arquibancada, pista e DJs aproximam o espaço da dinâmica de um palco. No último piso, o Mirante Itaú Uniclass oferece uma vista elevada do Palco Mundo, com acesso reservado a clientes do banco. Mais do que reunir diferentes serviços em um único lugar, o percurso pelo pavilhão mostra como uma ativação se insere na própria experiência de estar no festival.
Com mais de mil metros quadrados e projeto assinado pelo arquiteto Marcelo Rosenbaum, o Pavilhão Itaú é uma das estruturas criadas pela marca para marcar seus 25 anos de parceria com o Rock in Rio. A reportagem percorreu seus diferentes ambientes para entender o que muda, na prática, quando um patrocinador deixa de ocupar apenas um espaço publicitário e passa a disputar também o tempo e a atenção de quem circula pela Cidade do Rock.
Praça Itaú, um respiro em meio à Cidade do Rock
Antes de ganhar altura, o Pavilhão Itaú começa integrado ao fluxo da Cidade do Rock. No térreo, a Praça Itaú funciona como a área mais aberta da estrutura e também como um ponto de apoio para quem circula pelo entorno do Palco Mundo. Com gramado, áreas de permanência e uma grande quantidade de tomadas disponíveis para recarga de celulares, o espaço acaba atendendo a uma necessidade prática de quem passa horas dentro do festival.
Durante a passagem da reportagem, o gramado estava ocupado por diferentes grupos de visitantes. Enquanto alguns conversavam ou aguardavam amigos, outros aproveitavam o espaço para carregar o celular, sentados próximos aos pontos de energia distribuídos pela área. A disponibilidade de tomadas fazia com que várias pessoas permanecessem ali por mais tempo, em vez de apenas atravessar o local entre uma atração e outra.
A proximidade com o Palco Mundo também ajudava a transformar a praça em um ponto de encontro e descanso. Depois de horas caminhando pela Cidade do Rock, havia quem se acomodasse no gramado para fazer uma pausa antes da próxima apresentação. Em alguns pontos, visitantes chegavam a se deitar e tirar cochilos, usando o espaço como uma espécie de intervalo dentro da rotina intensa do festival.
No térreo, a experiência não depende necessariamente de uma atividade específica, ela acontece também pela possibilidade de permanecer. Entre celulares conectados às tomadas e pessoas descansando a poucos metros de um dos principais palcos do festival, a Praça Itaú passa a funcionar como uma zona de respiro dentro da Cidade do Rock.
Essa lógica muda conforme o visitante sobe pela estrutura. Se, no térreo, o principal atrativo está na convivência e no descanso, nos pisos seguintes o pavilhão passa a incorporar de forma mais direta a programação musical e a proposta de entretenimento.
Piso Pista, quando a música ultrapassa o pavilhão
Se o térreo funciona como ponto de descanso, no segundo andar o ritmo muda. O Piso Pista transforma o Pavilhão Itaú em um espaço voltado à música e à dança, com DJs, arquibancada e uma área para quem quer prolongar a experiência do festival para além dos palcos oficiais. Mas o som não se limita a quem sobe até o andar, ele atravessa a estrutura, alcança a praça no térreo e se espalha pela rua em frente ao pavilhão.
Durante a passagem da reportagem, músicas de bandas como System of a Down, Nirvana e Green Day ecoavam pelo espaço e podiam ser ouvidas com clareza por quem circulava do lado de fora. O repertório conversava diretamente com o clima do primeiro dia de festival, inclusive com faixas do Rise Against, que se apresentaria horas mais tarde, e fazia com que a energia da pista extrapolasse os limites físicos do pavilhão.
Não demorou para que a música interferisse no fluxo de quem passava pela rua da Cidade do Rock. Alguns visitantes diminuíram o passo ao reconhecer os primeiros acordes; outros pararam de vez. Em determinados momentos, um aglomerado se formava diante da estrutura, criando uma espécie de plateia improvisada. Havia pessoas cantando em voz alta, dançando e gravando vídeos com o celular. Amigos se olhavam e acompanhavam juntos os refrões, enquanto pais e filhos improvisavam passos de dança ao som das músicas. Mesmo sem subir ao Piso Pista, quem permanecia na Praça ou passava pelo entorno acabava inserido na mesma atmosfera.
A cena borrava, por alguns instantes, a fronteira entre o que acontecia dentro da ativação e o restante do festival. No segundo andar, o público acompanhava a programação de perto dançando e cantando ao lado da mesa do DJ; no térreo e na rua, a música encontrava quem talvez nem tivesse a intenção de entrar no pavilhão Itaú. O repertório transformava a passagem em permanência e fazia com que um trecho da circulação cotidiana da Cidade do Rock ganhasse dinâmica própria de show.
Mirante Uniclass, o festival visto de outra perspectiva
Depois do gramado ocupado por quem descansa e da pista que espalha música pela rua, o terceiro andar muda novamente o ritmo do pavilhão. O Mirante Itaú Uniclass é mais reservado e tem acesso mediante agendamento no aplicativo oficial do Rock in Rio. Clientes Itaú podem escolher previamente um horário e entrar com um acompanhante, respeitando o limite de permanência e a capacidade de até 120 pessoas por vez.
A subida leva a um ponto em que a Cidade do Rock passa a ser percebida de outro ângulo. O Palco Mundo aparece à frente, enquanto luzes, estruturas e a movimentação do público se distribuem pelo horizonte. O som continua presente, mas, distante da concentração de pessoas no nível do chão, o ambiente permite acompanhar por alguns minutos aquilo que acontece ao redor com menos pressa.
Dentro do mirante, clientes recebem uma bebida de cortesia, com opção alcoólica ou não alcoólica. Para quem é Itaú Uniclass, há direito a dois drinks e uma fila exclusiva no bar. São comodidades que ganham outro peso depois de horas de caminhada, espera e deslocamentos entre os diferentes pontos da Cidade do Rock.
A passagem pelo espaço também inclui itens pensados para acompanhar o visitante depois dali, como uma capa de óculos de silicone, um copo colecionável criado para esta edição e uma minicâmera digital desenvolvida em parceria com o iFood. São lembranças que fazem parte da proposta do mirante, mas é o próprio cenário ao redor que acaba conduzindo boa parte do tempo passado no último andar.
Entre um drink, uma fotografia e alguns minutos diante do Palco Mundo, o movimento intenso do festival passa a ser observado de fora da multidão, ainda que a poucos metros dela. A música continua chegando, as luzes permanecem acesas e o público segue atravessando a Cidade do Rock lá embaixo. Por alguns instantes, no entanto, não é preciso correr para acompanhar esse movimento, basta observá-lo.

