Poucas horas antes de a fila do Allianz Parque começar a se formar para “O Último Voo da Nave” da Xuxa – um dos shows do Itaú Live –, já havia gente trabalhando.
As camisetas já estavam penduradas, as faixas da apresentadora ocupavam os varais e, sobre os balcões, copos com cordões, chaveiros e chapéus de “Paquita” aguardavam os primeiros clientes.
Do lado de fora dos grandes shows, o público enxerga barracas e filas. Para quem trabalha ali, porém, cada evento representa um pequeno negócio planejado muito antes da abertura dos portões. Há investimento inicial, escolha de fornecedores, definição do mix de produtos, cálculo de margem e estratégias para vender mais em poucas horas.
Conversamos com ambulantes que trabalharam no entorno do estádio para entender como eles se organizam antes mesmo de o primeiro cliente aparecer.
Passo 1: o investimento começa pelo tamanho do caixa
José Carlos conhece essa rotina há 30 anos. Aos 44, vende camisetas e acessórios em grandes shows e aprendeu que nem sempre é preciso começar com um investimento alto para fazer a conta fechar.
“Vale a pena porque consigo lucrar mesmo quando faço um investimento mínimo, de R$ 1.000”, conta.
Antes de cada evento, seu fornecedor já separa uma seleção de produtos de acordo com o artista da vez. Assim, José reduz o risco de comprar mercadorias que dificilmente encontrarão compradores naquele público.
A ambulante Michele Cristina segue uma estratégia parecida, mas por outro motivo. Há dois anos, ela transformou as vendas em uma renda complementar e, por isso, costuma investir cerca de R$ 1.000 por evento.
“O retorno serve para dar um lucro, mas essa é uma renda extra, então só complementa com o que já recebo como vendedora no dia a dia”, explica.
Passo 2: o mix de produtos faz diferença nas vendas
Na banca da Michele, um dos produtos que mais chamava atenção era um chaveiro em formato de nave rosa com luz de LED. Vendido por R$40, ele despertava a curiosidade de quem passava e, poucas horas antes do show, restavam menos de dez unidades.
Ainda assim, o campeão de vendas era outro. “A faixa é o produto que mais vende”, resume Michele. José Carlos confirma que esse comportamento muda conforme o artista.
“Tem show que sai mais camiseta, outros que as vendas variam de acordo com o artista, como faixas, chapéus, leques e copos”, avalia o comerciante.
A experiência nesse comércio no entorno dos shows ensinou aos dois que o produto que chama atenção nem sempre é o responsável por movimentar o caixa. Em muitos eventos, são justamente os itens mais acessíveis que garantem o maior volume de vendas.
Passo 3: negociar com fornecedores também é estratégia
Enquanto alguns preferem investir apenas o que já têm disponível, a comerciante Iara encontrou outra maneira de ampliar o estoque.
“Meu fornecedor facilita com consignado. Para adquirir nesse jeito, peço um valor específico, por exemplo, R$ 5.000. Se não vender, a gente devolve a mercadoria pra ele”, revela.
Para ela, essa negociação reduz o risco de cada evento. Em vez de comprar toda a mercadoria antecipadamente, paga apenas pelos produtos que realmente consegue vender durante o dia.
Essa estratégia permite trabalhar com uma variedade maior de itens sem comprometer todo o investimento antes mesmo de abrir a primeira venda.
Passo 4: mais de um evento pode ampliar o faturamento
Para José Carlos, uma turnê com grandes shows em escala é também uma oportunidade. “É um trabalho que tem seu retorno, consigo lucrar”, revela o comerciante que viaja para outras cidades para aproveitar o material de um mesmo artista.
Variar os shows é uma estratégia que Iara soube aproveitar como oportunidade na mesma semana. Um dia antes da turnê da Xuxa começar, o show de outro artista, que aconteceu em São Paulo, também gerou vendas boas para ela. “Foi um dia que deu para lucrar bastante”, lembra.
Para quem vive desse mercado, um show raramente é uma oportunidade isolada. O calendário completo de eventos ajuda a distribuir o investimento em estoque e criar novas oportunidades de faturamento ao longo do mês.
Passo 5: diferentes formas de pagamento ajudam a fechar mais vendas
Na hora de fechar a venda, Iara já resolveu um problema clássico do comércio de rua para o caso de esbarrar com a falta de dinheiro em espécie do cliente.
“Uso a maquininha do cartão e uma placa com o QR Code pronto para o cliente fazer o pagamento no Pix, na hora”, ela acrescenta. Com diferentes formas de pagamento disponíveis, ela reduz a chance de perder uma venda justamente quando a fila começa a crescer.
O que essas experiências ensinam sobre quem vende em grandes eventos
Um investimento compatível com o caixa reduz riscos. As experiências de José Carlos e Michele mostram que não é preciso investir alto para começar a vender;
Um estoque equilibrado tende a gerar mais resultado. Produtos chamativos atraem atenção, mas os itens mais acessíveis costumam garantir maior giro;
A negociação com fornecedores pode fazer diferença no fluxo do negócio. O consignado utilizado por Iara reduz o risco e evita imobilizar todo o capital em mercadorias;
Um calendário com diferentes eventos amplia as oportunidades de faturamento. Vender em mais de um show ajuda a aproveitar melhor o estoque e manter o negócio em movimento;
Oferecer diferentes formas de pagamento facilita as vendas. Cartão, Pix e QR Code reduzem o risco de perder clientes por falta de dinheiro em espécie.
Planejamento: como as ferramentas do Itaú ajudam no negócio
Cada vendedor encontrou um jeito próprio de organizar o negócio. Além dessas estratégias, algumas ferramentas disponíveis no Itaú também podem facilitar a gestão financeira e a operação no dia a dia.
Conta PJ pelo WhatsApp com IA: para quem ainda vende como pessoa física, abrir uma conta PJ do Itaú Empresas pode ser feito diretamente pelo WhatsApp oficial (4004-2200), em uma conversa guiada por inteligência artificial que tira dúvidas sobre documentos e planos ao longo do processo – sem formulários complexos, o que facilita a formalização de quem, como Michele, começou vendendo como renda extra e pode estar pronto para dar o próximo passo;
Pix por Aproximação e QR Code: além do QR Code que Iara já usa, o Pix por Aproximação permite receber apenas encostando o celular do cliente na maquininha, sem precisar gerar um código novo a cada venda – mais uma forma de agilizar o atendimento em horários de pico.
Quem passa pelo entorno de um grande show costuma enxergar apenas barracas e filas. Para quem trabalha ali, porém, cada evento representa um pequeno negócio, planejado muito antes da abertura dos portões.
Entre investimento, fornecedores, estoque e meios de pagamento, são essas escolhas que ajudam a transformar algumas horas de venda em uma fonte recorrente de renda.
