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O Último Voo da Nave: Quanto custa ver o ídolo de perto

Entre passagens internacionais, parcelas no cartão e um vestido guardado por 26 anos, as contas de quem viu a Xuxa de perto mostram que o ingresso é só o começo de uma equação maior.

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Publicado em Atualizado em
Imagem do show da cantora Xuxa em SP
Foto: Moriva Filmes

Na fila de “O Último Voo da Nave”, turnê de despedida da Xuxa apresentada pela plataforma Itaú Live, em São Paulo, o ingresso era apenas o começo.

Bastou conversar com quem aguardava a abertura dos portões para perceber que cada ingresso carregava uma história diferente de planejamento. Entre passagens aéreas, hospedagens, figurinos, parcelas no cartão e até um vestido guardado por 26 anos, cada pessoa encontrou uma forma própria de transformar o sonho em realidade.

Foi ouvindo essas histórias que ficou claro que o preço de ver um ídolo de perto quase nunca termina no valor do ingresso.

Dependendo da distância, do planejamento e das escolhas feitas ao longo do caminho, essa conta pode variar de algumas centenas a muitos milhares de reais.

Bianca: a distância de uma vida inteira de fã

Bianca Marques é uma fã de longa data que mora em Recife e decidiu ir para São Paulo apenas para embarcar no último voo da Xuxa. “Ia há muitos anos quando ela fazia turnê pelo Nordeste”, lembra, contando que já tinha visto outras apresentações da artista por lá.

Foi esse sentimento antigo que a fez investir em uma viagem inteira somente pelo show, uma distância que muda toda a conta. Segundo ela, seu custo com o ingresso ficou em torno de R$ 1.500, para o setor Pit A, em frente ao palco. Já a passagem aérea, superou o valor do ingresso: cerca de R$ 1.600.

Somando o hotel – R$ 300, mesmo para uma estadia curta – e o look novo, também na casa dos R$ 500, o total passa dos R$ 3.000. Perguntada se essa seria a cifra final, ela mesma hesitou, rindo da própria imprecisão: “Sim, acho que mais... mais, é pra mais, né?”, comenta sorrindo enquanto aguarda a abertura dos portões.

A diferença entre os valores das despesas é um retrato comum de quem viaja de longe para um evento como esse. Mesmo porque o ingresso pode parecer o principal gasto, mas nem sempre é a maior fatia da conta no total do orçamento.

Crista: o preço de uma vida inteira de espera

Se para Bianca a distância era de um estado a outro, para a chilena Crista era um continente inteiro. Morando atualmente em Paris, ela fez questão de deixar claro que essa não foi uma viagem qualquer.

“Eu tinha que estar aqui hoje porque nunca tinha visto a Xuxa pessoalmente em um show”, diz ela, depois de décadas de espera por esse momento como fã.

Segundo Crista, a viagem só foi possível porque, desta vez, tudo deu certo com a documentação necessária, que antes complicava o acesso à compra dos ingressos.

Passagem de ida e volta, taxa extra de bagagem e uma bota nova comprada em Paris antes de embarcar somaram-se a um detalhe que carrega história: o vestido preto com ombreiras e aplicações em pedrarias que ela usa há 26 anos, e está atualmente com 46.

O look foi preparado ainda no Chile, aos 20 anos, e decorado por ela mesma junto a um amigo. No total, Crista estima o investimento em 2.500 euros – hoje, algo perto de R$ 14,5 mil.

“Foi bastante”, resume. “Mas vale super a pena, porque é como o dia do meu matrimônio”, compartilha emocionada enquanto atravessa o gramado em direção ao palco.

Lucas e Vital: investir junto em um sonho que não é o seu

Para o casal de Leme, vindo do interior do estado de São Paulo, a cerca de 190 km da capital, o cálculo teve outra camada: parte do investimento não foi para realizar o próprio sonho, mas o do outro.

Lucas é apaixonado por Taylor Swift, enquanto Vital é fã da Xuxa. Foi Lucas quem insistiu para os dois garantirem lugar no setor Pit A, mesmo que isso significasse dividir as contas.

“Ele tinha esse sonho de estar próximo, então falei: ‘tenho que dar uma experiência boa pra ele, que vai se tornar única, ainda mais sendo O Último Voo da Nave’”, conta.

Ele continua, comentando que “disse a ele [Vital]: ‘vamos, nem que a gente tenha que dividir em 12x no cartão de crédito’. Mas é uma coisa única, é uma oportunidade única na vida, mesmo”, reforça Lucas.

Na conta, entram os valores dos ingressos para os dois no setor Pit A, que custaram cerca de R$ 1.500 para cada. Parte da economia ficou por conta da hospedagem na casa de amigas na capital, compensando a soma com as despesas do figurino e deslocamento.

Apesar de Vital sugerir a roupa clássica de “Paquito”, Lucas quis algo diferente e encontrou a fantasia do personagem “Praga” na internet, com a sorte de encomendá-la - uma semana antes do show - sob medida com uma costureira.

Já Vital usava uma jaqueta jeans com pintura artesanal, feita por encomenda com um artista do Rio de Janeiro.

Com os looks preparados à distância, a estratégia foi pedir o frete direto para a casa das amigas, assim não corriam o risco de deixar o visual de fora do show. No total, segundo eles, a experiência ficou entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.

Para completar, o dia do show também era aniversário de Vital, e o casal torcia para a Xuxa cantar parabéns no palco. “É um dinheiro que não tem preço para a realização de um sonho dele”, conta Lucas ao resumir o que sustentou as parcelas do orçamento.

Katiley: a arte de gastar pouco e curtir igual

Se Vital e Lucas contaram com o parcelamento, por outro lado, Katiley resolveu a equação pelo caminho oposto: gastar o mínimo possível, à vista, sem abrir mão da experiência.

Para o look no estilo “Paquita”, ela conta que apostou inteiro em modelo de e-commerce. O investimento total, incluindo ingresso para a pista premium, ficou em R$ 758. Agora, parcelado, segundo ela, nem pensar: “Eu não gosto de parcelar nada”, diz sem rodeios.

Mas nem tudo saiu como planejado. Horas antes do show, a bota que ela guardava especialmente para a ocasião rasgou os bicos, ainda antes de entrar no estádio. A solução foi pedir para um amigo segurar seu lugar na fila, enquanto ela corria até o shopping vizinho para comprar um par de tênis.

O gasto não estava na conta original, mas, como era essencial, ela decidiu abraçar a situação. “No fim das contas, vou dançar de tênis, e é até mais confortável”, comenta. Para ela, a economia veio de escolher onde valia a pena gastar – e onde não.

O que essas contas — e histórias — têm em comum

Bianca, Katiley, Crista, Lucas e Vital investiram valores muito diferentes – de R$758 a mais de R$14 mil – mas todos chegaram à mesma conclusão: o ingresso é só o ponto de partida.

O resto do orçamento se monta com passagem, hospedagem, look e uma boa dose de imprevisto, e é esse conjunto, não o valor do bilhete sozinho, que define o quanto custa realmente ver o ídolo de perto.

Como estimar o custo real de um evento antes de comprar o ingresso

Separe o ingresso do resto da conta. Ele costuma ser só uma fatia – às vezes não a maior – do total, como mostra a experiência de Bianca;

Cote transporte e hospedagem com antecedência. Preços de passagem e hotel sobem conforme a data do evento se aproxima, especialmente para quem vem de longe;

Decida o orçamento do look antes de sair comprando. Dá para economizar, como Katiley, ou investir pesado em algo sob medida, como Lucas e Vital. O importante é escolher isso de propósito;

Reserve uma verba de imprevistos. Um item que quebra, uma compra de última hora, quase sempre aparece algo fora do planejado, como a bota de Katiley;

Pense no valor emocional, não só no financeiro. Para Crista, o investimento de uma vida inteira de espera mudou completamente o que ela considerava “valer a pena” gastar.

Ferramentas que ajudam no orçamento dos shows

Cofrinhos: permite abrir uma reserva com nome e meta próprios – “passagem”, “look”, “imprevistos” – dentro do Superapp, com rendimento atrelado ao CDI, separando o dinheiro do evento do restante do orçamento;

Controle de Gastos: organiza as despesas por categoria (viagem, vestuário, lazer) e permite acompanhar em tempo real quanto já foi gasto em cada uma, o que ajuda a enxergar o custo total antes que ele surpreenda no extrato;

Antecipar Parcelas: para quem parcelou parte da experiência – ingresso, passagem ou figurino –, permite quitar parcelas antes do vencimento com desconto, reduzindo o custo total do parcelamento.

Milhas e pontos acumulados: os cartões Itaú com programas de fidelidade convertem parte de cada compra em pontos, trocáveis por milhas e com passagens aéreas disponíveis no Superapp. Para quem, como Bianca e Crista, coloca boa parte do orçamento em passagens, usá-los nessas compras pode devolver parte do valor investido em forma de viagens futuras – ou o contrário, despesas anteriores que garantem passagens com milhas e pontuações combinadas.

No fim, o que essas quatro histórias têm em comum é que o preço de ver o ídolo de perto nunca está só no papel do ingresso. Ele se espalha entre passagens, hospedagem, figurino, imprevistos e escolhas feitas muito antes de as luzes do palco se acenderem.

Às vezes, também cabe dentro de um vestido guardado por 26 anos, esperando apenas a ocasião certa para voltar a ser usado.

Itaú liveXuxaConsumo